Quanto à permissividade de se comer qualquer coisa

Por Shlomo Ben Yisra’el

Quando falamos a respeito da nossa condição de vida kasher, as pessoas logo tentar encontrar desculpas e contestações para não cumprir as orientações da Torah quanto ao que se pode e o que não pode comer. Tentam utilizar textos fora de contexto como pretexto para dizer que nós estamos errados por cumprir os mandamentos do Eterno. Quero aqui fazer um singelo comentário acerca de um dos textos usados por algumas pessoas, muitas das vezes por falta de entendimento correto, é a passagem de Atos 10, sobre o lençol com animais, quando o Eterno ordena a Kefah que matasse e comesse daqueles animais. As pessoas que tentam usar este texto para negar os mandamentos acerca do kashrut, ainda repetem todos cheios: Não chames tu comum ao que Elohim purificou.

Mas o que será que há por trás desta passagem. Na verdade ela é muito mais simples de ser entendida do que parece, mas para isso é necessário ler todo o texto para que possamos entender o contexto. Pegue sua Bíblia e leia do versículo 1 ao 38 do capítulo 10 de Atos.

Algumas considerações que podemos fazer a partir da leitura do texto:

1          O texto começa contando a história de Cornélio de Cesaréia, um centurião romano, piedoso e temente a Elohim, assim como toda sua família. Um homem bom que agradava ao Eterno, não importando o fato dele não ser judeu, ou seja, ele era um goym, um estrangeiro, o que hoje chama de gentio. Este é o ponto mais importante para compreensão correta deste texto, Cornélio não era judeu.

2          Logo depois vemos o Eterno se revelando a Cornélio através de um anjo que garante que Elohim está se agradando da dedicação de Cornélio. O anjo pede para que Cornélio mande chamar Shimon Kefah para que este o oriente como proceder nos caminhos dEle.

3          Depois de ponto, a história se volta para Kefah, que enquanto orava teve fome e então temos a famosa visão do lençol. O que havia no lençol? Todos os quadrúpedes e répteis da terra e aves do céu. Pela resposta de Kefah podemos entender que haviam animais impuros, ou seja, aqueles que o Eterno determinou que não fossem comido. Neste ponto temos mais uma consideração interessante:

3.1        Kefah diz que NUNCA comeu nada comum ou imundo, ou seja, enquanto andou com Yeshua e mesmo depois ele, assim como todos os discípulos, continuaram a seguir os preceitos do Eterno.

4          A voz que Kefah ouvia dizia para não chamar de comum o que Elohim purificou. Muitos entendem que isso significa que o Eterno purificou os animais antes considerados imundos, mas será que é isso mesmo que a visão significa?

5          Vemos que a visão termina sem que Kefah tenha comido nada. Ele ficou perplexo, refletindo, tentando entender a visão, até que os homens de Cornélio chegaram perguntando por ele.

6          Então a Ruach avisa Kefah sobre os homens, dizendo para que ele não duvidasse pois tinham sido enviados pelo Eterno. Mas, porque Kefah duvidaria? Pelo fato de Cornélio ser goym, como já dissemos no começo. Para os judeus da época, os não-judeus eram considerados impuros e não merecedores da Torah e da vida com o Eterno.

6.1        É exatamente isso que Kefah explica no versículo 28, quando finalmente explica o significado da visão do lençol, quando podemos ver que nada tem a ver com animais e alimentação.

Vós bem sabeis que não é lícito a um yehudi ajuntar−se ou chegar−se a estrangeiros; mas Elohim mostrou−me que a nenhum homem devo chamar comum ou imundo; pelo que, sendo chamado, vim sem objeção. Pergunto pois: Por que razão mandastes chamar−me?


7          Podemos ver que o próprio Kefah explica a visão, mas as pessoas que tentam usar o texto da visão para provar que de tudo se pode comer esquecem de continuar lendo e não encontram o real significado.

Versículo 34:  Então Kefah, tomando a palavra, disse: Na verdade reconheço que Elohim não faz acepção de pessoas; 35 mas que lhe é aceitável aquele que, em qualquer nação, o teme e pratica o que é justo. 36 A palavra que ele enviou aos filhos de Israel, anunciando a paz por Yeshua HaMashiach (este é ADONAI sobre todos) − 37 esta palavra, vós bem sabeis, foi proclamada por toda Yehudah, começando por Galil, depois do mikveh que Yochanan pregou 38 concernente a Yeshua de Natzeret; como Elohim o ungiu com a Ruach HaKodesh e com poder; o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos de HaSatan, porque Elohim era com ele.

Podemos concluir então que a visão se referia aos não-judeus, que não deveriam ser considerados impuros, pois o Eterno os purifica. Nada tem a ver com alimentação. É importante entender que o Eterno pode usar de visões e ilustrações para que seus servos e profetas entendam o que quer dizer. São métodos didáticos usados pelo Eterno, que se aplicam a determinada situação e não querem dizer que se tornarão uma regra ou mandamento. Como exemplo disso, podemos citar outras duas situações onde o Eterno usa de métodos incomuns para falar algo, mas que não poderia ser entendidos como regra ou mandamento:

  • O profeta Isaías andou 3 anos nu e descalço. Será que isso significa que devemos sair por ai pregando a palavra do Eterno pelados? Quem nos ouviria? Seria a vontade do Eterno?

“Então, disse o Eterno: Assim como Isaías, meu servo, andou três anos despido e descalço, por sinal e prodígio contra o Egito e contra a Etiópia, 4 assim o rei da Assíria levará os presos do Egito e os exilados da Etiópia, tanto moços como velhos, despidos e descalços e com as nádegas descobertas, para vergonha do Egito”.(Isaías 20.3-4)

  • O profeta Oséias se casou com Gomer, uma prostituta, conforme ordenado pelo Eterno. Será que isso significa que o Eterno se tornou a favor da prostituição? Ou seria esta apenas uma forma de demonstrar de maneira mais prática a prostituição do povo do Eterno e suas conseqüências?

Enfim, é importante separar o que é mandamento perpétuo do Eterno daquilo que é sua metodologia peculiar de tratar com determinadas situações. Se o Eterno vier a você e disser que deve sair pregando dançando tango no metro, não significa que todo mundo deverá fazer isso, nem que o tango se tornou um mandamento.

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One Response to Quanto à permissividade de se comer qualquer coisa

  1. And disse:

    Oieeee, vim te visitar e avisar que meu blog mudou rs
    http://www.andressabraganca.blogspot.com/

    Abraços

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