Os números de 2011

janeiro 3, 2012

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um resumo:

A sala de concertos da Ópera de Sydney tem uma capacidade de 2.700 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 8.900 vezes em 2011. Se fosse a sala de concertos, eram precisos 3 concertos egostados para sentar essas pessoas todas.

Clique aqui para ver o relatório completo


Cumprir ou Tornar Pleno em Mateus 5:17

abril 14, 2011

Por Yonah Ben Israel

Constantemente vemos pessoas traduzindo as escrituras de forma pessoal, não observando as característica da língua e nem o contexto aplicado a tal palavra.

Uma confusão que vemos hoje em dia é a constante briga de pessoas que defendem que a Brit Chadashah foi escrita em Grego contra aqueles que afirmam que ela foi escrita em aramaico. Nosso grupo vem há algum tempo defendendo que é o aramaico, pois isso fica claro pelas críticas textuais.

O aramaico é essencial para estudarmos com mais profundidade, para observarmos estilos lingüísticos e formas peculiares que cada idioma carrega. Pois sendo as Escrituras desenvolvidas de forma poética, fica mais fácil percebermos até mesmo o pensamento do autor pelo idioma correto. Mas com o grego conseguimos provar a base de nossa fé. Se tirar os acrescentos romanos, temos como no próprio grego extrair a essência da Fé para todos.

Por exemplo, em Matitiyahu (Mateus) Mateus 5 : 17:

“Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir.”

Esse trecho é utilizado constantemente para afirmar que Yeshua cumpriu o que tinha que ser cumprido da Lei e que portanto não temos que cumprir mais. Afirmar isso é errado, pois poderíamos fazer inúmeras coisas que não estão na Brit Chadashah, como por exemplo, contemplar a nudez de nossa mãe, conhecer a mulher de um amigo, adorar imagens, deixar um amigo com sua mula no chão, pegar o Talit de um pobre por penhor e não devolver até a noite, comer porco e coelho, não precisaríamos de ser santos como Ele, entre outras várias coisas que só constam na Torah.

Vamos analisar esse texto, como bons Bereanos, para verificarmos se de fato procede assim.

Se o termo cumprir aqui é finalizar a necessidade de execução até Ele, ou seja, abolir/anular, este termo nega o ab-rogar, que significa a mesma coisa. Ou seja, temos uma frase que nega ela mesmo e se torna inconsistente em si mesmo. Seria mesma coisa que dizer: “Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim [abolir/anular], mas [acabar com necessidade de executar, ou seja, abolir/anular].

Então, poderíamos dizer: mas o erro está no grego! Certo? De maneira alguma! Pois em grego está:

μη νομισητε οτι ηλθον καταλυσαι τον νομον η τους προφητας ουκ ηλθον καταλυσαι αλλα πληρωσαι

Eu poderia abordar várias palavras nesta frase e apontar uma série de erros nas traduções, mas vou focar em duas palavras para o nosso exemplo, as palavras καταλυσαι (katalusai) e πληρωσαι (Plerosai).

A palavra Katalusai é um verbo, infinitivo aoristo ativo, ou seja, é uma forma de um verbo que expressa ação, sem indicar a sua conclusão ou prosseguimento.

A raiz dessa palavra, segundo o Strong, é καταλυω (Kataluo), e pode significar:

1 – dissolver, desunir

1.a – (o que tem estado junto) destruir, demolir

1.b – meta. derrubar, i.e., tornar inútil, privar de sucesso, levar à nada

1.b.1 – subverter, derrubar

1.b.1.a – de instituições, formas de governo, leis, etc., privar de força, aniquilar, ab-rogar, descartar

1.c – de viajantes, fazer parada numa viagem, alojar-se, abrigar-se (expressão figurativa que se origina na circunstância de que. ao alojar-se à noite, as correias são soltas e os fardos dos animais de carga são descarregados; ou mais precisamente do fato que as vestimentas dos viajantes, atadas durante a viagem, são soltas da sua extremidade)

Já a palavra πληρωσαι (Plerosai) é um verbo, infinitivo aoristo ativo, ou seja, é uma forma de um verbo que expressa ação, sem indicar a sua conclusão ou prosseguimento.

A raiz dessa palavra, segundo o Strong, é πληροω (Pleroo), e pode significar:

1 – tornar cheio, completar, i.e., preencher até o máximo.

1.a – fazer abundar, fornecer ou suprir liberalmente

1.a.1 – Tenho em abundância, estou plenamente abastecido

2 – tornar pleno, i.e., completar

2.a – preencher até o topo: assim que nada faltará completar a medida, preencher até a borda

2.b – consumar: um número

2.b.1 – fazer completo em cada partícula, tornar perfeito

2.b.2 levar até o fim, realizar, levar a cabo (algum empreendimento)

2.c – efetuar, trazer à realização, executar

2.c.1 – relativo a deveres: realizar, executar

2.c.2 – de ditos, promessas, professais, fazer passar, ratificar, realizar

2.c.3 – cumprir, i.e., fazer a vontade do Todo Poderoso (tal como conhecida na lei) ser obedecida como deve ser, e as promessas do Todo Poderoso (dadas pelos profetas) receber o cumprimento

Dessa forma, podemos ver claramente que a tradução foi (intencionalmente?) mal elaborada, tentando dar a ilusão de que o Mashiach (Messias) veio nos tirar de algum fardo, colocando-o contra a Torah, quando na verdade, pelo contexto, vemos exatamente o oposto. Para uma prova conclusiva, vejamos um trecho um pouco maior para ver se o contexto permite tal tradução:

“Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido. Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus. Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus.”

Matitiyahu (Mateus) 5:17-20

Poderia Yeshua estar dizendo que cumpriu (finalizou) a Torah e por isso não precisaríamos mais seguir as maravilhosos mandamentos da Torah? Jamais!!! Mashiach nos Seus ensinamentos acima nos deixou um trecho chave, uma condição extrema, o termo “…até que o céu e a terra passem…” (estou olhando pela minha janela e a Terra e o Céu ainda estão ali rs), portanto a lei vigora e a tradução não está precisa como poderia estar, favorecendo a leitura de alguns para a compreensão de que ou é Yeshua ou a Torah, ou um ou outro, que um está contra o outro e que a partir daquele momento não precisamos mais seguir ou um ou outro.

Esta leitura está errada e é extremamente perigosa, pois leva a todos para a estrada da perdição. A melhor leitura, pela conclusão que estamos tirando do Dicionário Strong, seria:

“Não cuideis que vim ab-rogar a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas tornar pleno (i.e., completar; tornar cheio, completar, i.e., preencher até o máximo; relativo a deveres: realizar, executar). Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um traço ou um Yod (menor letra do Hebraico) se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido. Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus. Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus.”

Matitiyahu (Mateus) 5:17-20

A conclusão que tiramos é que Yeshua veio tornar a Torah plena, cumprindo-a e nEle se tornando um todo, nos instruindo a aprender, praticar e ensinar conforma a Torah e os Profetas. Se alguém ensinar errado um mandamento, o menor que seja, estará na menor escala do Reino dos Céus.

Como tudo está sujeito ao Eterno, o maior no Reino seria os mais próximos a Ele. Sendo Ele a luz que nos ilumina, sua ausência, ou seja, o oposto dEle, é a escuridão, analogicamente o menor lugar no Reino. Portanto, estaremos no extremo oposto de HaShem, pairando na escuridão, junto com o senhor da escuridão e da mentira, a qual conduziu para lá todos os “que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens”.


10 Mandamentos

março 12, 2011

Assêret Hadibrot
é “Dez Falas” ou “Dez Ditos”
mais conhecidos os 10 Mandamentos.

1 – Eu sou YHWH, teu Elohim.
2 – Não terás outros deuses além de Mim e não farás para ti nenhum ídolo.
3 – Não tomarás o nome de YHWH, teu Elohim, em vão.
4 – Lembra-te do dia do Shabat, para o santificar.
5 – Honra a teu pai e a tua mãe.
6 – Não assassinarás.
7 – Não cometerás adultério
8 – Não furtarás.
9 – Não levantarás falso testemunho contra teu próximo.
10 – Não cobiçarás.
Êxodo 20:2-17

Estes são todos os mandamentos, sim ou não? Não, estes são o dez princípios que norteiam toda a Torah juntos com outros 613 preceitos positivos e negativos entregue pelo Eterno. Os ditos foram sendo acrescidos ou subtraídos por outras religiões contrariando a Torah em Devarim/Deuteronômio 4:2: “Não acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos de YHWH vosso Elohim, que eu vos mando.”


Esclarecimento importante: Atum é casher?

janeiro 20, 2011

Postado por Sha’ul Bentsion no Grupo de Discussões Torah Viva

O atum, na realidade, é o nome que se de dá a uma série de espécies do gênero Thunnus. Existe uma grande polêmica sobre se o atum é ou não um peixe de couro. O site da Coqueiro, uma das principais produtoras nacionais, chega a dizer que "seu corpo é coberto por pele." Alguns pescadores e produtores o classificam como peixe de couro, outros afirmam que têm escamas.
Isso para nós é relevante, porque a Bíblia diz: 

"De todos os animais que há nas águas, comereis os seguintes: todo o que tem barbatanas e escamas, nas águas, nos mares e nos rios, esses comereis." (Vayicrá/Levítico 11:9) 

Portanto, para que um peixe seja considerado casher (adequado para a alimentação), é preciso que tenha barbatanas e escamas. Mas, será que o atum tem escamas, ou é um peixe de couro?
O Centro de Ciências da Pesca da NOAA (Serviço Nacional de Serviços de Pesca Marinha), uma entidade do governo dos EUA, esclarece a questão:
"O atum tem escamas? 
Sim, todas as espécies têm, mas as escamas são tão pequenas sobre boa parte do corpo que são praticamente invisíveis. Escamas proeminentes aparecem somente em volta da cabeça, nas bochechas, e numa área triangular em cada lado do corpo, próximo à cabeça." 
 Fonte: http://www.nefsc.noaa.gov/faq/fishfaq1d.html
Ou seja, a confusão se dá porque o atum tem escamas muito pequenas, e em alguns espécimes elas só serão visíveis em regiões específicas do peixe. Por essa razão, alguns acabam achando que o atum é um peixe de couro, mas de fato todas as espécies de atum possuem escamas.
Portanto, fica aqui esclarecido que o atum é um peixe de escamas e barbatanas, e assim sendo, é próprio para o consumo.

Torateinu – Facilitando a leitura semanal da Torah

janeiro 12, 2011

Esta é uma ótima dica para quem quer facilitar a leitura semanal da Torah. O site Torateinu disponibiliza uma relação de geral das parashiot, com todos os textos de cada porção, acompanhado das leituras complementares, ou seja, haftarah, brit chadasha e tehilim.

O site apresenta uma tabela, onde você encontra o número da parasha dentro da Torah, o número da parashah dentro de cada livro, o nome da parasha em hebraico, a transliteração e a tradução, além das referências, tanto do próprio texto da parasha como das leituras complementares.


Os números de 2010

janeiro 2, 2011

Os duendes das estatísticas do WordPress.com analisaram o desempenho deste blog em 2010 e apresentam-lhe aqui um resumo de alto nível da saúde do seu blog:

Healthy blog!

O Blog-Health-o-Meter™ indica: Mais fresco do que nunca.

Números apetitosos

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Um duende das estatísticas pintou esta imagem abstracta, com base nos seus dados.

Um Boeing 747-400 transporta 416 passageiros. Este blog foi visitado cerca de 8,500 vezes em 2010. Ou seja, cerca de 20 747s cheios.

 

Em 2010, escreveu 11 novo artigo, aumentando o arquivo total do seu blog para 55 artigos. Fez upload de 4 imagens, ocupando um total de 111kb.

The busiest day of the year was 30 de outubro with 85 views. The most popular post that day was JESUS, O CRISTO CRISTÃO OU O MESSIAS JUDEU?.

De onde vieram?

Os sites que mais tráfego lhe enviaram em 2010 foram stumbleupon.com, nyudraa.blogspot.com, youtube.com, google.com.br e pt-br.wordpress.com

Alguns visitantes vieram dos motores de busca, sobretudo por ninrode, corante carmim, judaismo nazareno, teshuva e judeus nazarenos

Atracções em 2010

Estes são os artigos e páginas mais visitados em 2010.

1

JESUS, O CRISTO CRISTÃO OU O MESSIAS JUDEU? outubro, 2010

2

PORQUE NÃO COMEMORO O NATAL dezembro, 2009
6 comentários

3

ARREBATAMENTO PRE-TRIBULACIONISTA: UMA PERIGOSA HERESIA março, 2009
5 comentários

4

Cashrut: O nefasto corante carmim… junho, 2009
2 comentários

5

Ser um Nazareno janeiro, 2009
7 comentários


QUEM TEM AUTORIDADE PARA ESTABELECER O CANON?

dezembro 28, 2010

TRANSCRITO DE DUAS ENTREVISTAS REALIZADAS NA CALIFORNIA
NO PROGRAMA “DEBATENDO A VERDADE” PELO DR. KING
NO MÊS DE FEVEREIRO DO ANO DE 2006.

Primeira Parte

Entrevistador: Saudações, amigos. Estamos no programa: “Debatendo a verdade”. Nesta ocasião estamos tratando do assunto da autoridade, ou seja, quem tem a autoridade, a Igreja Católica ou a Protestante, para determinar quais livros são considerados sagrados e quais livros não são considerados sagrados. Aos que acabam de sintonizar-nos quero dizer que sou o Dr. King, apresentador de televisão e a minha esquerda se encontra o Dr. Pio doche, da Igreja Católica e a minha direita o Dr. Martín, representante da Igreja Protestante, ambos os amigos, ambos cristãos, mas que não estão em concordância sobre o assunto da autoridade. E como é evidente, amigos em desacordo, mas que permanecem amigos apesar de tudo, é um grande exemplo de civilização para todos nós.

Autoridade é um assunto básico em toda organização, seja religiosa ou secular. Quem está em autoridade? Quem é a autoridade em uma comunidade? Para que está a autoridade? Quem deu essa autoridade? O que significa ter autoridade? Quais são seus limites, se é que existem? Por que chamamos certas pessoas ou regimes autoritários e tal designação tem uma conotação negativa quase sempre? São perguntas chaves, porque “autoridade” sempre se relaciona com poder, domínio, estabelecer as regras para fazer certas coisas, ou impor um ponto de vista, se dar ao respeito ou capacidade para influenciar a outros acerca de certa conduta ou assunto que deve ser realizado. Com relação a este debate, a pergunta é a seguinte: Quem tem autoridade para dizer quais livros da Bíblia são inspirados e quais livros não são?

As pessoas aceitam certas coisas por tradição, costume ou cultura, e assim temos crescido e assim agimos, até que vem alguém e nos desafia com algo diferente ao que sempre assimilamos culturalmente e de repente nos damos conta de que não temos respostas apropriadas, ou simplesmente não temos respostas. Este debate nos ajudará a esclarecer estas coisas. Pelo menos é o que esperamos.

Entrevistador: Quem tem autoridade para dizer quais livros devem formar o Novo Testamento e quais livros devem ficar de fora? É a Igreja Católica ou é a Protestante? Certamente todos nós conhecemos os princípios fundamentais que dividem o Cristianismo Católico do Cristianismo Protestante e Evangélico. Em termos de Escritura, o assunto da autoridade é crítico. A Igreja Católica afirma que ela é quem tem a autoridade para instruir na fé cristã ao mundo inteiro. Queremos perguntar ao Dr. Pio doche, cristão católico, sobre que base a Igreja afirma este postulado.

Dr. Pio doche: Agradeço a oportunidade de estar aqui. Primeiro de tudo quero deixar claro que o Dr. Martín e eu, somos bons amigos, nos conhecemos desde a infância, estudamos juntos e nos unem muitos vínculos de amor fraternal, teológico e cultural. Obviamente existem algumas diferenças, e isto é precisamente o que nos trouxe aqui. Pois bem, minha Igreja Católica afirma que é a única que tem autoridade para instruir na fé cristã ao mundo inteiro com base em três pilares fundamentais:

  • Escritura
  • Tradição
  • Magistério Eclesiástico

Entrevistador: Dr. Pio doche, talvez alguns de nossos telespectadores não entendam exatamente o que significam estes termos técnicos que o Sr. está usando. Poderia explicar-lhes, por favor?

Dr. Pio doche: Por Escritura quero dizer que o Senhor entregou à Igreja as “chaves do reino” e por isso, a autoridade para decidir o que é bíblico e o que não é bíblico é da Igreja Católica, portanto, ela, baseada na Tradição e no Magistério, tem determinado, mediante os concílios estabelecidos para tais fins, quais livros compõem a Bíblia, tanto no Antigo como no Novo Testamento.

Por Tradição quero dizer que a diferença dos protestantes e evangélicos, somente a Igreja Católica conta com uma tradição de fé que oferece legitimidade a suas práticas e costumes porque têm fundamento histórico provado que tem sido passado de comunidade a comunidade, de bispo a bispo até Roma quando São Pedro instituiu ali a Santa Igreja.

E por Magistério quero dizer que, diferentemente dos que se separaram de nós, como o Dr. Martín, por exemplo, (ainda que continuemos chamando-os de “irmãos separados”), a Igreja Católica é a única instituição cristã que pode apresentar uma folha ininterrupta de liderança que vai desde o atual papa, por sucessão apostólica, até o primeiro papa, que é São Pedro.

Por estas três razões, Escritura, Tradição e Magistério, que se unem e se apoiam pedras em uma cerca, nossa Santa Igreja Católica afirma que ela é a única instituição cristã que pode demonstrar sua legitimidade e nessa legitimidade está precisamente, sua autoridade e esta autoridade é o que determina como deve ser apresentada a fé cristã ao mundo.

Entrevistador: Então, para a Igreja, a autoridade do Cristianismo Protestante ou Evangélico, é inexistente e somente consiste em una usurpação de sua própria autoridade ou em uma extensão dela ou um subproduto desnecessário. Certo?

Dr. Pio doche: Certo. Em outras palavras, a teologia protestante e evangélica não é outra coisa que Catolicismo disfarçado em outra forma de dizer a mesma coisa para escapar do fato de que devem sujeitar-se a única autoridade reconhecida, a da Igreja Católica e suas instituições oficiais.

Entrevistador: Obrigado, Dr. Pio doche. A minha direita se encontra o Dr. Martín, que todos nós conhecemos muito bem por representar o movimento Protestante dentro do Cristianismo. Queremos escutar sua opinião sobre o assunto que muito claramente demonstrou oposição neste debate. Dr. Martín, você tem a palavra.

Dr. Martín: Agradeço a oportunidade que me concedem de estar aqui para apresentar meu ponto de vista. Concordo com o Dr. Pio doche que nos unem profundos laços teológicos e históricos, mas que em algumas coisas não estamos de acordo, especialmente neste assunto de quem tem a autoridade para determinar no que devemos crer ou no que não devemos crer e particularmente, quem tem a autoridade para decidir quais livros formam e quais livros não formam as Escrituras. Quero esclarecer que o Dr. Pio doche não é meu inimigo, somente divergimos em alguns aspectos. Segundo a perspectiva de minha igreja, afirmamos que somente a Escritura é válida como fonte de autoridade; nem a tradição nem o magistério. Consequentemente, se a Bíblia não diz, não é aceitável. Tudo tem que ser provado pela Escritura e somente pela Escritura. Daí temos estabelecido três pilares fundamentais de nossa teologia e são os seguintes:

  • Primeiro: A superioridade da Escritura sobre a Tradição.
  • Segundo: A superioridade da fé sobre as obras.
  • Terceiro: A superioridade do povo sobre o Clero.

As tradições da Igreja Católica são tradições de homens, frágeis, falhos, e o que encontramos nos credos, catecismos, confissões e decisões conciliares, não têm nenhum valor comparado ao fato de que só a Escritura é confiável e válida. Se não está nas Escrituras, não é aceitável.

Entrevistador: o que o Sr. está dizendo então é que a autoridade não está na Igreja Católica, e sim está na Bíblia, somente na Bíblia. Se não está na Bíblia, não temos porque aceita-lo.

Dr. Martín: Certo. E tem mais. Não deve estar em um só lugar na Bíblia, mas pelo menos em dois o três lugares, porque dois ou três testemunhos sempre são chaves, não podemos fazer doutrina dependendo de um só testemunho.

Entrevistador: Então podemos dizer que claramente que esta é a posição oficial tanto Protestante como Evangélica.

Dr. Martín: Sim. A Bíblia e somente a Bíblia e nada mais que a Bíblia é nossa fonte de autoridade. Nem a tradição nem o magistério. A Bíblia, as Sagradas Escrituras, desde Gênesis até Apocalipse. Nada mais, nada menos.

Entrevistador: Bem, creio que vamos entendendo o ponto do Dr. Martín e tenho que reconhecer que parece um argumento muito sólido. Entretanto, a minha esquerda se encontra o Dr. Pio doche, representante do Vaticano. O que responde a Igreja Católica a este argumento do Dr. Martín?

Dr. Pio doche: Entendo o argumento apresentado pelo Dr. Martín, mas não concordo por ser inconsistente. Em outras palavras, a teoria de que só a Escritura é a única fonte confiável da autoridade do Protestantismo não resiste à prova de evidência.

Entrevistador: Poderia explicar melhor?

Dr. Pio doche: Claro, e esta é a resposta. Em primeiro lugar, se a Igreja Católica não tivesse determinado o que é a Bíblia e que livros contem, os Protestantes e Evangélicos não teriam sequer idéia do que é a Escritura.

Em outras palavras, os protestantes e evangélicos tem Nevo Testamento, porque foi a Igreja Católica quem determinou quais livros devem formar o cânon das Escrituras e conseqüentemente sem o testemunho e autoridade da Igreja Católica, que tem editado o Nevo Testamento, os protestantes e evangélicos não o teriam.

Entrevistador: O que o Sr. quer dizer então é que o Dr. Martín não poderia traduzir o Novo Testamento para o alemão sem a ajuda da Igreja que lhe deu o Novo Testamento.

Dr. Pio doche: Correto. E mais, cada vez que os protestantes e evangélicos abrem o Novo Testamento e lêem uma página que se chama: “ÍNDICE”, tem que depender não da Sola Scriptura, como equivocadamente afirmam, mas da tradição e autoridade da Igreja Católica quem ditou quais livros formam o Novo Testamento e em que ordem devem estar escritos.

Entrevistador: Dr. Pio doche, o Sr. ouviu seu amigo, o Dr. Martín, afirmando que a autoridade está na Bíblia não na Igreja. E o Sr. respondeu dizendo que tal pensamento é inconsistente porque se a Igreja não tivesse determinado a lista dos livros do Novo Testamento, o Dr. Martín não haveria sabido da existência destes livros e, portanto não os haveria traduzido para o alemão. O que quero dizer é que segundo sua posição, o Protestantismo e o Meio Evangélico dependem então da autoridade da Igreja, queiram ou não queiram. Ou seja, que estão sujeitos à autoridade da Igreja Católica.

Dr. Pio doche: Sim, Dr. King. Pero há muito, muitíssimo mais que demonstra mais além de toda dúvida razoável, que tanto os Protestantes como os Evangélicos, mesmo que digam que não, na prática estão sujeitos à autoridade da Igreja Católica, e é por esta mesma razão que os chamamos, “irmãos separados”.

Entrevistador: Poderia mostrar evidências concretas do que o Sr. acaba de dizer? Porque suas declarações são muito abrangentes.

Dr. Pio doche: Claro que posso mostrar estas evidências. E ao mostrar, não estou abrangendo muito, porque todo mundo que tem um cérebro para pensar, poderá detectar imediatamente que digo a verdade e não somente que digo a verdade, mas que essa verdade pode ser comprovada historicamente. Quero mostrar seis evidências. E se alguém quiser mais, com muito prazer incluirei outras. Porém creio que estas são suficientes. Estas são seis evidências que demonstram como os protestantes e Evangélicos, ainda que digam outra coisa, em suas práticas religiosas e em sua teologia fundamental, dependem da Igreja Católica, estão sujeitos à Igreja Católica e vivem debaixo da autoridade da Igreja Católica.

Primeira Evidência:

Cada vez que os protestantes e evangélicos adoram no Domingo, tem que depender da autoridade exercida pela Igreja Católica para determinar, usando sua autoridade, que o Sábado não será mais para os cristãos, e sim o domingo o novo dia de adoração. Portanto, quando meu amigo Dr. Martín assim como o restante dos evangélicos se reúnem em seus templos para adorar no domingo, estão reconhecendo a autoridade única e exclusiva que tem a Igreja Católica, porque foi a Igreja quem determinou que dia de adoração contrária para os cristãos, e este dia é o domingo, não o sábado judeu nem outro dia.

Segunda Evidência:

Cada vez que os protestantes e evangélicos celebram o Natal em 25 de dezembro, ainda que digam por um lado que dependem somente da Escritura, na prática dependem realmente da autoridade da Igreja Católica que foi quem estabeleceu o dia 25 de Dezembro como o dia do nascimento do Senhor.

Terceira Evidência:

Cada vez que os protestantes e evangélicos celebram a Sexta-Feira Santa e o Domingo de Ressurreição, na data que o fazem, seguem a autoridade da Igreja Católica que estabeleceu através de seus concílios, tradição e magistério, qual é o dia que os cristãos têm que se lembrar da morte e ressurreição do Senhor. E mais, a cada ano recebo ligações de pastores evangélicos me perguntando: Quando cai sexta-feira santa este ano? Isto demonstra a autoridade da Igreja Católica e a sujeição à Igreja Católica que tem nossos irmãos separados mesmo quando digam que não, sabemos que é sim.

Quarta Evidência:

Cada vez que os cristãos protestantes e evangélicos celebram o dia 31 de dezembro como o dia final do ano e o primeiro de janeiro como o primeiro dia do ano, dependem, não da Sola Scriptura, como dizem, e sim da autoridade da Igreja Católica, que através de suas tradições, concílios e magistério determinou que neste dia termina o ano e começa o ano novo. Portanto, ainda que não queiram, na prática, não fazem outra coisa além de reconhecer a autoridade da Igreja Católica, a única autoridade legítima em assuntos da fé cristã.

Quinta Evidência:

Quando os protestantes e evangélicos batizam a seus membros usando a fórmula: “Em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, não fazem outra coisa além de reconhecer que a autoridade para determinar a fórmula batismal, é da Igreja Católica, porque em nenhum lugar do Novo Testamento encontramos a nenhum apóstolo balizando assim, foi a Igreja quem estabeleceu tal fórmula e quando os “irmãos separados” a usam, o que fazem é afirmar que a única autoridade para determinar a maneira como se expressa a fé cristã, está na Igreja Católica, no Vaticano.

Sexta Evidência:

Quando nossos irmãos separados dizem: “só a Escritura é a fonte de autoridade”, tem que depender da Igreja Católica porque foi ela quem determinou que livros formam a Escritura mostrando assim, com fatos e não com palavras que ela é a receptora legítima da autoridade e portanto, somente ela pode exercê-la legitimamente.

Entrevistador: Enfim, a Igreja Católica é quem determina os livros que compõem a Bíblia e, portanto, é ela que determinou a lista dos livros inspirados e dos não inspirados. Certo?

Dr. Pio doche: Certo.

Entrevistador: Bem, O que o Dr. Martin tem a dizer?

Dr. Martín: Obrigado, Dr. King, estava esperando minha oportunidade para falar porque definitivamente o Dr. Pio doche está tratando do assunto muito claramente, obviamente desde seu ponto de vista, que eu respeito, porque como disse desde o principio e como ele também afirmou, apesar de tudo, somos amigos, viemos da mesma escola e buscamos uma mesma meta. Ninguém nega a participação que deu a Igreja Católica em cada um dos seis pontos apresentados aqui. Entretanto, eu tenho uma pergunta para o Dr. Pio doche. O Sr. Disse a princípio que a autoridade da Igreja Católica descansava em três pilares fundamentais: Escritura, tradição e magistério eclesiástico. O que quis dizer então é que a Igreja Católica é a testemunha mais antiga que existe sobre o assunto da fé cristã e, portanto ela é quem tem a autoridade para definir o que realmente é fé cristã e que ao fazer isto, seu testemunho pode ser recebido como absoluta verdade e confiabilidade. Certo?

Dr. Pio doche: Irmão Martín: Ainda que não tenha ideia de onde quer ir, tenho que dizer que sim, que isso está certo e o Sr. sabe muito bem.

Dr. Martín: Bem, quero te perguntar, então: A Igreja Católica tem dito sempre a verdade? Ou vocês reconhecem que se equivocaram em algumas coisas?

Dr. Pio doche: Bom, não estamos tratando aqui desses assuntos. Obviamente, a Igreja Católica se equivocou em algumas coisas, pois ela está formada por homens, mas com relação ao assunto específico que estamos tratando aqui, eu mostrei a vocês evidências que demonstram que a autoridade está na Igreja Católica, e fora dela ninguém tem autoridade, especialmente no que se refere ao assunto do cânon das Escrituras.

Dr. Martín: Bem, entendo, o Sr. afirma então que em outras coisas a Igreja Católica se equivocou em seu veredicto. Isto é suficiente para mim e agradeço sua humildade em reconhecer. Mas como é evidente, se a igreja Católica se equivocou em algumas coisas, então o Sr. aceita que houve necessidade de reformas e que essas reformas foram iniciadas por nós. Correto?

Dr. Pio doche: Não vejo isto muito relacionado com o assunto específico que estamos tratando, mas sim, está correto. Aceito que houve erros e que foi necessário corrigi-los.

Dr. Martín: Outra pergunta: A Igreja Católica tem sido testemunha de todo o processo de formação da Igreja desde suas origens até esta data? Ou houve algum tempo quando a Igreja Católica não foi testemunha de tais fatos?

Dr. Piodoche: Certamente, a Igreja Católica tem um testemunho ininterrupto de todo o processo histórico desde seu nascimento até os dias atuais. Ainda que nem sempre fosse testemunha de todas as coisas. Mas quero falar melhor sobre isto. Historicamente falando, especialmente relacionado com o Novo Testamento, a Igreja Católica afirma duas coisas centrais: Primeiro que tem sido sua autoridade o que tem determinado a maneira como deve estar formado o cânon do Novo Testamento. Segundo, que tem sido sobre a base de sua autoridade como tem sido preservado e transmitido o cânon até nossos dias. Isto é o que diz a Igreja Católica: Fora dela, ninguém pode reclamar autoridade sobre o Novo Testamento, nem sua norma nem sua canonicidade.

Entrevistador: Sendo assim, o que o Dr. Pio doche está dizendo é que não importa como, é preciso confiar na Igreja Católica, suas tradições, decisões, magistérios e concílios se queremos que o Novo Testamento continue sendo um livro sagrado e inspirado para o Cristianismo, no mesmo nível que o Antigo Testamento, ou seja, ambos a Palavra perfeita do Eterno aos homens.

Dr. Pio doche: Certo. Dr. King, tanto a igreja protestante como a evangélica de nossos dias, se encontram em uma situação de aperto e esta situação se incrementa quando tem que responder perguntas críticas e difíceis. É preciso reconhecer que sem a aceitação coerente da história e do lugar da Igreja Católica dentro da Historia, a Bíblia vem a ser como um livro solto no ar, muito bonito e bem apresentado, mas vagando no ar, sem sentido histórico, ao menos que aceitemos o veredicto da Igreja Católica. E quero insistir nisto: Quando nós abrimos nossas Bíblias, antes de encontrarmos Gênesis 1:1, achamos uma página que diz: “ÍNDICE”, e nenhuma pessoa bem informada pode negar que tal página não forma parte da Escritura, mas sim que aponta para a Escritura Inspirada.

Entrevistador: Dr. Martín: Quão importante é esta primeira página que apresenta o Dr. Pio doche?

Dr. Martín: Temos que reconhecer que é extraordinariamente importante, porque esta página nos diz o que é válido e inspirado e quais são os limites confiáveis e seguros das Escrituras.

Dr. Pio doche: E este é o problema dos protestantes e evangélicos, que eles não têm uma doutrina de Lista de Conteúdo (Índice) das Escrituras, e não tem outra alternativa que seguir o que foi dito e a autoridade da Igreja Católica.

Entrevistador: O que o Sr. quer dizer, Dr. Pio doche é que nem a Igreja Protestante nem a Evangélica poderia ter hoje um Novo Testamento em suas mãos, se a Igreja Católica não tivesse estabelecido seu cânon, preservado seu conteúdo e transmitido ao mundo como palavra infalível e inspirada  do Eterno para os homens. Entendi bem?

Dr. Pio doche: Entendeu muito bem, Dr. King. E sobre isto, todos os católicos podem dizer com orgulho que a Igreja Católica é a receptora, editora, custódia e administradora dessa palavra, e ela se reserva, então, ao direito em sua autoridade, não somente de determinar quais livros são e quais livros não são, e ainda de explicar seu significado preciso e fazer as correções necessárias para que este significado preciso dado pela Igreja Católica, ou seja, seu catecismo esteja bem estabelecido no conteúdo apontado pelo Índice criado, preservado e transmitido por ela.

Dr. Pio doche: Quando a Igreja Católica fala oficialmente, ex cátedra, pela voz de seu cabeça, o bispo de Roma, suas palavras são inspiradas pelo Eterno, respaldadas pelo Eterno e devem ser aceitas como normativas por todos os cristãos que aceitam seu testemunho sobre a lista e conteúdo do Novo Testamento que ela tem apresentado ao mundo. Mas já que o Dr. Martín fez perguntas diretamente a mim, eu quero fazer a ele una pergunta diretamente a ele também. Posso?

Entrevistador: Sim, Dr. Pio doche.

Dr. Pio doche: Por que os protestantes e evangélicos podem crer na Igreja Católica em relação ao mais importante, o cânon da Bíblia, e não em suas doutrinas? Isto revela, desde a perspectiva católica, uma contradição. Porque por um lado os cristãos protestantes e evangélicos estão sujeitos à autoridade da Igreja Católica, queiram o não queiram, tanto em determinar as fronteiras do conteúdo da Bíblia como na maioria de suas práticas e costumes, como vimos antes, mas ao mesmo tempo negam aqui e lá o que consideram que não é normativo nem autoridade, ignorando assim, para seu próprio mal, a autoridade suprema da Igreja Católica e convertendo-se em seu juiz, quando em realidade deveria ser um servo fiel.

Dr. Martín: Obrigado por perguntar, ainda que tampouco saiba onde quer chagar com isto (risos no auditório) e o assunto não é exatamente o que estamos tratando, não obstante já aceitaste que a Igreja cometeu erros e que havia que corrigi-los. Quer uma resposta melhor?

Dr. Pio doche: Do ponto de vista da Igreja Católica, somente se os protestantes e evangélicos aceitam sua dependência dela e mantêm sua continuidade histórica com ela, poderão usar a autoridade das Escrituras para seu bem, porque esta autoridade depende do que a Igreja Católica disse o que é a Bíblia e o que não é a Bíblia, o que é o Novo Testamento e o que não é o Novo Testamento. Aceitas isso ou não, Dr. Martín?

Dr. Martín: Alguns livros são discutíveis. E o Sr. Sabe muito bem. Por exemplo, eu tenho dúvidas com relação à carta de Tiago. Creio que foi deixada aí por vocês para justificar vossa doutrina de salvação por obras e não por fé somente. Vocês sabem muito bem que esta carta não é para gentios.

Dr. Pio doche: Dr. King, se os protestantes e evangélicos se desconectam da Igreja Católica nem sequer estão em condições de decidir por si mesmos quais livros são inspirados e quais não são, porque somente a Igreja Católica tem sido receptora desta autoridade. O Dr. Martín fala da Carta de Tiago, mas afinal teve que incluir em sua lista e hoje em dia aparece em todas as listas. Quem se atreve a remover os quatro evangelhos do Novo Testamento e continuar sendo parte do Cristianismo? Quem de vocês se atreve a acrescentar um evangelho ao Novo Testamento e continuar sendo parte do Cristianismo? Ao que a Igreja Católica determinou não se pode acrescentar nem remover, nem sua doutrina fundamental sobre o Eterno e Cristo pode ser alterada, porque uma só mudança que se faça, deixa de ser parte da continuidade teológica da Igreja, e isto retira automaticamente teu acesso a Bíblia, porque o Dr. Martín depende dela para sua aceitação. Tal estado de coisas revela, mais além de toda dúvida, que é a Igreja Católica a quem o Eterno deu a autoridade para atar e desatar e é ela que tem as chaves do reino dos céus.

Entrevistador: O Dr. Pio doche, representando a Igreja Católica afirma que ainda que digam outra coisa, na prática, os cristãos protestantes e evangélicos estão sujeitos à autoridade da Igreja em termos de cânon da Escritura, doutrina  do Eterno, doutrina de Cristo e práticas e costumes eclesiásticos, tudo o qual revela que, se confessam ou não, aceitam de qualquer forma a autoridade da Igreja Católica e que estão sujeitos a ela em cada um destes aspectos. Compreendi bem, Dr. Pio doche?

Dr. Pio doche: Entendeu bem, Dr. King. Se os protestantes ou evangélicos rejeitam a Igreja Católica, o fazem por ignorância ou por rebeldia, mas não pela verdade histórica evidente de foi ela quem ditou o porquê de haver 27 livros no Novo Testamento e porque não 26, porque não 30.

Entrevistador: O Dr. Martín mencionou que pessoalmente não aceitava a carta de Tiago por não ser dirigida aos gentios, e porque apoiava a teologia católica da justificação por obras e não pela fé somente. Certo, Dr. Martín?

Dr. Martín: Correto. Tudo indica que a Carta de Tiago foi escrita aos fiéis da circuncisão (judeus), não da incircuncisão (gentios) e, portanto, isto cria uma situação diferente, porque os judeus estão em um lado diferente neste debate.

Estrevistador: Bom, isso me interessa, porque todos vocês sabem de minhas raízes judaicas, não sou observante, mas meus pais e avós eram judeus, não eram cristãos, tampouco praticantes do judaísmo, mas falar que os judeus caem em um lado diferente neste debate chama minha atenção. O que o Sr. quer dizer com isto, Dr. Martín?

Dr. Martín: Os judeus foram o povo do pacto. Por sua rejeição a Jesus como Messias, perderam sua posição de povo do pacto e esta posição foi preenchida por fiéis dentre as nações que tem aceitado a Jesus com o Messias. Mas ainda assim, quando eles se arrependerem e se converterem, serão enxertados de novo na Igreja Universal e invisível, composta por judeus e não judeus crentes em Jesus como o Messias.

Entrevistador: Mas ao falar dos judeus, estamos falando de m povo que nunca deixou de ser povo, se fosse de outra maneira eu não estaria aqui entre vocês. Obviamente a criação do Estado de Israel me diz que os judeus seguem aí, que não fomos eliminados, pelo menos totalmente, não?

Entrevistador: Dr. Pio doche, o Dr. Martín afirmou que os judeus foram rejeitados pelo Eterno como povo escolhido porque não aceitaram a Jesus como Messias e que os não judeus que o aceitam se constituem no novo povo escolhido. Certo?

Dr. Pio doche: A Igreja Católica é o povo de Elohim. É o Israel espiritual, formado por judeus e não judeus crentes em Jesus como o Messias. Se os judeus querem fazer parte de novo do povo escolhido, tem que se converter ao cristianismo e com muito prazer os receberemos. Entretanto, historicamente falando, eles são nossos irmãos mais velhos e através deles a Igreja Católica pôde receber o Antigo Testamento.

Entrevistador: Bom, a participação de um judeu aqui neste debate parece uma boa idéia. Eu acho que deveríamos trazer um rabino para que nos apresente seu ponto de vista. O que vocês acham?

(Se ouvem gritos do auditório: “Bom” “Excelente” “Agora mesmo” e aplausos)

Entrevistador: Senhores, o tempo está esgotado. Quero agradecer profundamente ao Dr. Pio doche e ao Dr. Martín pela presença neste programa e a todos vocês que tem estado aqui desfrutando sem dúvida da riqueza que ambos colocaram sobre a mesa. Mas prometo que no próximo programa sobre o assunto, trarei um judeu para ouvir seu ponto de vista. Agradeço a todos.

(O Dr. King se levanta e cumprimenta a ambos os conferencistas e se despede do auditório. O Dr. Pio doche e o Dr. Martín apertam as mãos e saem juntos do cenário).

Segunda Parte

(Entrevista concedida pelo Dr. Dan Ben Avraham, professor de Judaísmo e Filosofia Judaica ao Dr. King em seu programa, “Debatendo a verdade”. Taquigrafado pelo departamento de relações públicas).

Dr. King: Boa noite. Como havia prometido, finalmente encontrei um expert de Bíblia judeu que crê em Jesus como o Messias e que assistiu ao programa prévio de televisão onde entrevistamos ao Dr. Pio doche e ao Dr. Martín, representantes da Igreja Católica e Protestante respectivamente. Dr. Avraham, seja bem vindo e obrigado por estar conosco.

Dr. Avraham: Sou eu quem agradece, Dr. King e agradeço a todo este magnífico auditório presente.

Dr. King: Como disse previamente, o Sr. assistiu ao programa prévio. O que achou?

Dr. Avraham: Foi um programa muito bom, muito bem dirigido pelo Sr. e desenvolvido de forma impecável pelas partes. Apesar de o assunto ser difícil e “quente”, ambos se mostraram muito capazes, muito respeitosos e muito bem informados.

Dr. King: Em sua opinião quem ganhou o debate?

Dr. Avraham: É um pouco difícil dizer quem ganhou o debate porque segundo a minha perspectiva ambos estão fora da realidade da autoridade, mas em todo caso, se me situar estritamente dentro dos limites eclesiásticos e teológicos que apresentaram, creio que quem teve razão foi o representante da Igreja Católica, o Dr. Pio doche.

Dr. King: Sobre o que se baseou sua decisão?

Dr. Avraham: As evidências apresentadas. Não houve forma que o Dr. Martín pudesse rebater o fato de que cultural e teologicamente, a Igreja Protestante e Evangélica está unida à Igreja Católica e que depende dela, da sua antiguidade e autoridade.

Dr. King: Então o Sr. concorda que a autoridade para determinar quais livros devem fazer parte da Bíblia e especialmente do Novo Testamento, está na Igreja Católica?

Dr. Avraham: Absolutamente não. Por isso disse que segundo minha perspectiva, ambos estavam fora da autoridade.

Dr. King: O que quer dizer com “estavam fora da autoridade”?

Dr. Avraham: Quero dizer que o assunto da autoridade em termos de recepção e transmissão das Escrituras, nem a Igreja Protestante nem a Igreja Católica tem a autoridade.

Dr. King: Quem tem então?

Dr. Avraham: A evidência que provem do próprio documento conhecido como Novo Testamento, explica a quem foi dada tal autoridade.

Dr. King: Obviamente quero que me fale sobre isto. Mas antes, foi dito aqui que Israel deixou de ser o povo escolhido por ter rejeitado a Jesus e que esta posição foi preenchida pela Igreja e que os judeus querem fazer parte dessa posição de novo, têm que se converter ao cristianismo. O que o Sr. me diz? Aceita ou não?

Dr. Avraham: Não, não é necessário converter-se, não creio que Israel deixou de ser o povo escolhido e ou muito menos que judeu tenha que se tornar cristão para retomar sua posição de povo escolhido.

Dr. King: Mas o Sr. crê em Jesus como Messias, não?

Dr. Abraham: Eu não creio que este Jesus criado pela Igreja Católica seja o Messias.

Dr. King: Como? Pode explicar?

Dr. Avraham: Claro que sim. Em primeiro lugar não falamos de Jesus que é uma tradução infeliz do nome hebraico do judeu que requereu ser o Messias. Seu verdadeiro nome foi Yehoshua e a abreviação deste nome é Yeshua. Tristemente a tradução do nome não é simplesmente um assunto gramatical, mas também algo mais sério, um assunto de teologia.

Dr. King: Poderia explicar, por favor?

Dr. Avraham: Claro que sim, com muito prazer. Yeshua foi um judeu que viveu dentro da comunidade judaica de Israel entre os primeiros 30 anos da era atual. Em seus dias, o Templo de Jerusalém estava de pé com todos os sacerdotes e levitas oficiando os sacrifícios diários estabelecidos pelo Eterno ao nosso povo.

Como judeu que foi, enquanto era criança, subia com seus pais todos os anos para as três festas anuais que todo judeu está obrigado a santificar em Jerusalém. Nas outras podia faltar, mas nestas três não. Estas festas eram: Pésach (Páscoa) Shavuot (Pentecostes) e Sucot (Tabernáculos). Como é evidente, o mundo de Yeshua foi o mundo judeu: a lei de Moisés, o Templo, os sacerdotes, os levitas, os juízes de Israel, os mestres e as diferentes escolas de pensamento hebraico de seus dias: fariseus, saduceus, essênios, sicários, zelotes, etc.

Dr. King: O que o Sr. está dizendo é que Jesus, ou seja, Yeshua não foi cristão.

Dr. Avraham: O Sr. Mesmo disse. Yeshua não foi cristão, não havia cristianismo em seus dias. Somente judaísmo. Portanto, as palavras de Yeshua, têm que ser entendidas à luz do Judaísmo, não do Cristianismo que veio depois, uns 300 anos mais tarde.

Dr. King: Então o Sr. afirma que o Cristianismo é um fato religioso posterior a Yeshua.

Dr. Avraham: Correto. Não somente posterior a Yeshua historicamente falando, mas que não representa o ensinamento real de Yeshua, nem de seus ditos nem de sua vida.

Dr. King: Por que não os representa?

Dr. Avraham: Porque suas palavras foram interpretadas à luz do helenismo greco-romano, não à luz do Judaísmo.

Dr. King: O que o Sr. quer dizer é que a interpretação que fez o Cristianismo de Jesus, quero dizer, Yeshua, é muito diferente da interpretação judaica?

Dr. Avraham: Isto é o que quero dizer. A Igreja surge num contexto diferente ao de Yeshua. Ela existe fora de Israel, em meio à comunidade gentia, imperial e pagã. Não dentro do judaísmo. Então a missão mais importante da Igreja foi como ganhar os pagãos para a nova fé. E com o objetivo de tornar tal esforço mais sofrível e conhecido, agregaram os ditos e ensinamentos de Yeshua, que eram judeus, à linguagem e cultura dos pagãos. O resultado foi a distorção da mensagem judaica a respeito do Messias judeu.

Dr. King: Então o que conhecemos hoje como a mensagem cristã não necessariamente foi a mensagem original de Jesus, ou seja, de Yeshua.

Dr. Avraham: Correto. Suas palavras foram entendidas e explicadas à luz da filosofia helenista e do paganismo, não à luz do Judaísmo. E o resultado deste feito foi o surgimento da Igreja Cristã, ou seja, o Cristianismo Católico tem muito pouco de sua essência original, ainda que guarde muitas de suas formas externas, mas fundamentadas em dois fatos chaves: transferência seletiva e substituição absoluta.

Dr. King: O que significa, Dr. Avraham, o que o Sr. chama transferência seletiva e substituição absoluta?

Dr. Avraham: Significa que a Igreja Católica, fundamentada em uma série de ensinamentos que já vinham sendo dados por alguns líderes cristãos, obviamente não judeus, a partir do segundo século, como por exemplo, Inácio de Antioquia, quem afirmou que Israel havia deixado de ser o povo escolhido e substituído pelos cristãos, desenvolve uma teologia de substituição, ou seja, ela é agora um novo Israel, o novo povo  do Eterno, os judeus foram rejeitados e substituídos pelos cristãos e fora isso, uma teologia de transferência seletiva, ou seja, as bênçãos que inicialmente haviam sido dadas para Israel, agora são passadas ou transferidas para a Igreja, mas as maldições creditadas aos judeus rejeitados  pelo Eterno. (Ler Efésios 2:11-22 e Romanos 11:17-20)

Dr. King: Em outras palavras, o bom para cá e o mau para lá…

Dr. Avraham: Exatamente. Isto sucedeu e o resultado é a criação de uma entidade religiosa completamente separada e divorciada de sua matriz judaica e em ocasiões, não somente separada e divorciada, mas sua pior inimiga. Creio que ninguém duvida da grande inimizade que causou o Cristianismo Católico a tudo o que fosse judaico, as perseguições, as cruzadas, a inquisição e finalmente o holocausto nazista. Tristemente, tudo isso em nome da fé cristã e em nome de Jesus.

Dr. King: E como pôde acontecer isto? Não deveria haver um sentido de gratidão ao povo judeu por parte da Igreja?

Dr. Avraham: As coisas não aconteceram de um dia para outro. Foi um processo que levou anos, séculos. E tudo começa quando os postulados básicos do Judaísmo são ignorados para se tornarem acessíveis aos pagãos, para evitar a censura romana, que era o império naqueles dias e que estava em guerra contra os judeus, são eliminadas todas as práticas e princípios judaicos que inicialmente desfrutaram os crentes em Yeshua, o calendário é alterado para não conter nada judaico nele, as datas bíblicas são substituídas por datas de celebração pagã e os judeus são acusados de serem os culpados da morte de Cristo. Isto foi criando uma separação, um ódio ao povo judeu que se transforma em um movimento anti-semita de proporções mundiais até nossos dias. Este processo foi o que eventualmente, com a conversão do imperador Constantino ao cristianismo por razoes políticas, não religiosas, ou seja, para usar o cristianismo como ferramenta política, criou as condições para o Santo Império Romano, ou seja, o Cristianismo se transforma na religião oficial do Estado com um objetivo: criar um governo mundial que domine o mundo inteiro, pois assim pensaram que seria o domínio de Cristo na terra.

Dr. King: Então o cristianismo não existiu no primeiro século… É isto que o Sr. quer dizer?

Dr. Avraham: O cristianismo não tem nada a ver com o movimento de crentes não judeus do primeiro século. O cristão de Antioquia nos dias de Paulo, não tem nada a ver com o cristão de Roma três séculos mais tarde. São duas coisas completamente diferentes, em perspectiva, estado, doutrina e cultura. Como do dia para noite. Tristemente o Cristianismo formado assim, ou seja, a Igreja Católica ou universal veio a ser a antítese do movimento cristão do primeiro século.

Dr. King: O Sr. tem dito coisas extremamente importantes aqui que nos dão muita luz para entender certas coisas que em minha mente, por exemplo, não podia entender. Eu não podia entender como o cristianismo pôde ser anti-judaico e anti-semita. Creio que agora percebo porque. Isto é revelação para mim. Mas tenho uma pergunta: Foi para esta Igreja Católica e anti-semita como o Sr. tem afirmado, que se revelou o Novo Testamento? Porque se é assim, como poderemos confiar nestes documentos? São confiáveis os documentos que a Igreja declara como seus e que tem dado ao mundo como palavra segura e inspirada de Yeshua e seus apóstolos? Em outras palavras, o Sr. recomenda, como judeu, o Novo Testamento editado pela Igreja Católica? Gostaríamos de escutar sua opinião.

Dr. Avraham: A fidelidade  do Eterno supera as debilidades do homem. E a maldade do homem não anula a fidelidade  do Eterno, nem Sua Palavra. Isto é certo ao que se refere às Escrituras Hebraicas, à Bíblia Hebraica e é certo ao que se refere a qualquer outra verdade que o  Eterno tenha desejado preservar para o homem. Nesta ampla realidade da fidelidade  do Eterno, aceitamos que o documento conhecido como Novo Testamento contem uma riqueza e uma herança magnífica dos ensinamentos originais de Yeshua, nosso Adón (Senhor), nosso Messias e assim como de seus discípulos originários.

Dr. King: O Sr. diz “contem”. Significa que nem tudo está ali?

Dr. Avraham: Exatamente, nem tudo está ali. De fato o próprio testemunho interno deste documento conhecido como Novo Testamento, ao qual chamamos Código Real, revela que as palavras e feitos de Yeshua superam excessivamente o que foi escrito dele. Um de seus discípulos, por exemplo, afirmou que se fossem escrever uma por uma, não caberiam no mundo os livros que teriam que ser escritos. João 21:25.

Dr. King: E onde estão estes livros?

Dr. Avraham: Esta coleção de livros que conhecemos como Novo Testamento não se formou de um dia para outro. Nem os próprios discípulos de Yeshua tiveram idéia, talvez de que se editariam todos juntos e formariam um livro. Nem entraram num acordo com outros para fazer isto. Cada qual escreveu de acordo com a situação particular em que se encontrava e suprindo as necessidades específicas das comunidades de crentes que haviam se formado. Entretanto, como regra geral, os próprios apóstolos tinham conhecimento dessas cartas e as valorizavam. Ao menos isto é o que nos indica o Apóstolo Kefa (Pedro), por exemplo, em uma de suas cartas, em relação aos escritos do Apóstolo Paulo. Por isso existem cartas endereçadas à indivíduos em particular e à comunidades em particular para resolver problemas particulares daqueles dias. Por outro lado, é impossível crer que tendo Yeshua tantos discípulos, somente dois ou três escreveram suas memórias e seus ditos. E é impossível crer que sendo tantas as comunidades surgidas por onde queira, tanto judaicas como gentílicas, outras cartas e documentos semelhantes aos que agora temos, não fossem escritos. A arqueologia tem um grande trabalho adiante e grandes surpresas nos esperam.

Por outro lado, sabemos que muitos documentos hebraicos antigos foram queimados pela Igreja em lugares públicos. Muitos desses documentos em hebraico eram cópias de outros documentos em hebraico escritos pelos apóstolos. Talvez tenham se perdido para sempre. Além do mais, quando a Igreja selecionava este ou aquele documento como válido, os que tinham outros rolos não aceitos ou reconhecidos pela Igreja, ou que não foram mencionadas pela Igreja em seus concílios, os escondiam e possivelmente apareçam em qualquer momento. Talvez não, talvez tenhamos perdido. Seria uma grande perda, certamente. Minha esperança é que muitos destes documentos apareçam.

Dr. King: O Sr. mencionou algo interessante, que foi a Igreja, mediante seus concílios quem editou o Novo Testamento como o conhecemos agora.

Dr. Avraham: Certo. Foi a Igreja Católica quem editou o Novo Testamento como o conhecemos hoje em dia. Não talvez porque quis, mas porque foi obrigada, em certo sentido, a fazer isto.

Dr. King: Como “foi obrigada a fazer isto”?

Dr. Avraham: Quando morrem os apóstolos e a geração de seus discípulos e começa o segundo século, existem fatores políticos que não podemos perder de vista que influenciam em fatos que vão ocupando lugar dentro das fronteiras do império romano e além de seus limites. Uma grande guerra havia terminado no ano de 73, na qual Roma saiu ganhando militarmente. Muitos judeus morrem, outros são perseguidos, expulsos de sua terra e têm que ir ao exílio e muitos deles vivendo clandestinamente para salvar suas vidas. Um movimento de resistência judaica surge e Roma sabe disto. De fato, a guerra explode de novo em 132 com grandes baixas romanas e a conquista de Jerusalém pelos judeus daquela geração.

Uns anos depois, os romanos ganham finalmente a guerra e outra vez o judeu tem que se esconder entre as nações e dispersar-se entre os povos. Isto foi assim até recentemente quando se cria em nossos dias o moderno Estado de Israel. A principio, os crentes, isto é, seguidores de Yeshua não judeus, são perseguidos também por Roma porque pensavam que tinham se tornado judeus devido à similaridade de suas práticas e crenças judaicas.

Dr. King: Quer dizer que no princípio não havia separação entre a sinagoga e a igreja.

Dr. Avraham: No princípio não havia, pois se fixaram as pautas da maneira como deveriam viver os gentios que se convertiam ao Elohim de Israel, que não tinham que se tornar judeus ou viver como judeus necessariamente. Os crentes seguidores de Yeshua não judeus foram aceitos nas comunidades judaicas nazarenas e havia paz entre ambos os grupos. Obviamente sempre existem problemas e queixas, onde há gente, há dificuldades, mas doutrinalmente e socialmente não havia separação. Quando os judeus são perseguidos por Roma, os crentes em Yeshua, não judeus, foram perseguidos por Roma.

Dr. King: Porque Roma pensava que tinham se tornado judeus.

Dr. Abraham: Correto. Então, para evitar a perseguição romana, os crentes em Yeshua não judeus, tentam demonstrar às autoridades imperiais, que eles não são judeus nem têm ligação com o Judaísmo. Para provar isto, mudam seu culto, seu dia de adoração passa do sétimo (Shabat) para o primeiro (Domingo), ordenado por Roma, mudam as festas bíblicas e as substituem pelas festas religiosas pagãs do império, mas agora cristianizadas e desta maneira, o cristianismo distancia suas tendas de Jerusalém e as levanta cada vez mais perto de Roma. O apoio cristão posterior ao império e a cristianização oficial do mesmo, como expliquei antes, culminam esse processo até a primeira metade do século quadro da era atual.

Entretanto, dentro do próprio cristianismo, havia diferentes perspectivas, diferentes posições, divisões, rivalidades etc. Um dos lideres cristãos do século segundo, chamado Marción, filósofo grego e expert em religião do estado romano para a época, filho de um líder cristão reconhecido, se muda para Roma e estabelece uma escola de pensamento cristão com ideias helenistas e filosóficas, especialmente de corte gnóstico.

Marción, foi o primeiro homem que se atreveu a chamar a Bíblia hebraica (o Tanach, que contem os 5 livros da Lei dada  pelo Eterno à seu povo, através de Moisés, Profetas e Escritos) “o Antigo Testamento”. O chamou Antigo Testamento porque pensava que seu conteúdo já não tinha aplicação para os crentes em Jesus (Yeshua, o Messias), e que havia sido substituído pelo Novo Testamento. Disse que era um livro antigo e que pertencia somente aos judeus e que carecia de valor para os cristãos. Marción ensinou que no Antigo Testamento (O Tanach) não havia graça e que a graça aparece pela primeira vez no Novo Testamento (Código Real). A divisão que hoje temos em nossas Bíblias do Tanach e Código Real, mal conhecido como Antigo e Novo Testamento existe por causa deste homem, Marción.

Segundo seus ensinamentos, o Elohim do “Antigo Testamento” era um Elohim de juízo e condenação, mas o Elohim do “Novo Testamento” é um Elohim de graça e amor. Ainda que alguns líderes da Igreja Católica declarem Marción um herege, a rejeição das Escrituras que ele difundiu criou raiz e prosperou escabrosamente.

Este homem chamado Marción, deu uma lista dos livros que ele considerava que deveriam ser recebidos pelos cristãos como autênticos. E essa lista dada por Marción para seu movimento, o “Marcionismo”, criou uma revolução dentro do movimento cristão.

Dr. King: E que livros ou documentos estavam nesta lista de Marción?

Dr. Avraham: Ainda não existia o chamado Novo Testamento. Existiam cópias de cartas e de evangelhos que circulavam entre as comunidades e algumas eram muito conhecidas por todo o mundo. Mas não havia algo como “Novo Testamento”. Quando Marción publica sua lista, inclui 10 cartas de Paulo e o evangelho de Lucas, o companheiro e estudante de Paulo. Isto criou um cisma no cristianismo, como era de se esperar e ele fez com que os líderes cristãos se unissem para decidir o que fazer com Marción. Excomungaram Marción, o declararam herege, o circularam entre as comunidades e deram a conhecer uma lista de livros que todos os cristãos podiam ter como confiáveis. Havia muitos documentos circulando e cópias de documentos. Em total apareceram uns 5,000 manuscritos, em grego, destes escritos. Como podemos imaginar, selecionar entre 5,000 manuscritos, alguns dos quais somente contêm umas linhas, é uma tarefa muito difícil. Além do mais, existem citações antigas de ensinamentos e expressões de Yeshua que não aparecem sequer nos manuscritos gregos, e isso indica que houve outra fonte antiga, possivelmente hebraica, da qual se traduziu ao grego.

Dr. King: Em que idioma falou Yeshua?

Dr. Avraham: Seguramente não dava seus discursos e ensinamentos em grego nem em latim. Antes acreditávamos que o aramaico era a língua materna entre os judeus em Israel, agora sabemos pela arqueologia e os descobrimentos dos rolos do mar morto que era o hebraico, mesmo havendo expressões aramaicas, incluso gregas que foram adotadas na linguagem cotidiana. Portanto, podemos ter quase certeza que Yeshua falou em hebraico, logo seus ensinamentos se traduziram para outras línguas, através do grego, a linguagem internacional daqueles dias.

Dr. King: Realmente estou me deleitando com toda esta informação e espero que nosso auditório também. Entretanto, há um assunto crucial nisso tudo. O Sr. é judeu e crente em Yeshua, como o Sr. disse, como o Messias prometido a Israel. Certo?

Dr. Avraham: Certo.

Dr. King: Em um programa prévio tivemos aqui dois bons amigos, o Dr. Pio doche e o Dr. Martín, católico e protestante, respectivamente. E foi debatido o assunto de quem tem a autoridade para determinar o conteúdo da fé cristã e, sobretudo quem tem a autoridade para estabelecer quais livros devem ser considerados inspirados e quais livros não, ao que se refere à Bíblia, mas especialmente o Novo Testamento. O Dr. Pio doche afirmava que somente a Igreja Católica tem essa autoridade. Mas o Dr. Martín, afirmava que a Bíblia em si é sua própria autoridade. Em resposta, o Dr. Pio doche estabeleceu que se não fosse pela Igreja Católica, os protestantes e evangélicos não teriam Novo Testamento e que, portanto, eles deviam gratidão e sujeição à Igreja Católica, porque somente ela tem demonstrado historicamente, ser a receptora da revelação de Jesus como o Messias e do Novo Testamento como escritura inspirada e válida para todos os cristãos.

Dr. King: Vocês, os judeus crentes em Jesus como o Messias, quero dizer, Yeshua, estão sujeitos também à autoridade da Igreja Católica ao que se refere a ela ser a receptora da revelação do Novo Testamento e quem tem definido os livros que devem fazer parte do mesmo? Dr. Avraham, queremos escutar sua resposta.

Dr. Avraham: Para responder esta pergunta, usarei dois argumentos:

Primeiro, o argumento interno do próprio Novo Testamento. Segundo, o argumento histórico. Vamos ao primeiro, o argumento que encontramos no próprio Novo Testamento.

Primeiro: 1 Timóteo 3:16 afirma: “Toda a Escritura é inspirada  pelo Eterno…” Quem escreve isto? Um católico ou um judeu? Um judeu. Portanto, é um judeu quem está dando testemunho e dizendo que “Toda a Escritura é inspirada  pelo Eterno”.

Segundo: Quando diz “toda a Escritura”, a que se referia? Ao Novo Testamento ou à Bíblia Hebraica? Não ao Novo Testamento, não existia algo como o Novo Testamento. Portanto, é a Bíblia Hebraica. Assim, o próprio testemunho do documento que a Igreja Católica chamou Novo Testamento, afirma que a Escritura Inspirada é a Bíblia Hebraica, portanto, o Novo Testamento fica de fora desta declaração porque não existia, o único que existia era a Bíblia Hebraica: A Lei  do Eterno dada por meio de Moisés, os Profetas e os Salmos (Tanach).

Dr. King: Então o Sr. não considera o Novo Testamento como inspirado?

Dr. Avraham: Não disse isso. Eu disse que no momento em que Paulo afirma que “toda a Escritura é inspirada  pelo Eterno”, ele não tinha em mente algo como Novo Testamento, porque não existia o Novo Testamento. Somente existia a Bíblia Hebraica. Em outras palavras, quando Paulo visitava as comunidades judaicas do primeiro século, não ia levando consigo o evangelho de Mateus, o de Marcos, o de João ou a Carta de Pedro, nem o Apocalipse. Essas escrituras vieram depois, se formaram depois. Historicamente então, a Escritura Inspirada que Paulo falou foi a Bíblia Hebraica (A Torá ou Lei dada  pelo Eterno através de Moisés, Os Profetas, Salmos).

E tem mais, no Novo Testamento, em Romanos 3:1,2 diz o seguinte: “Que vantagem tem o judeu? De que se aproveita a circuncisão? Muito, em todo sentido; primeiramente, porque lhe foi confiada a Torá  do Eterno, ou seja, a Lei  do Eterno, as Sagradas Escrituras”. Como é evidente, o que o próprio Novo Testamento afirma é que tudo o que seja palavra inspirada  do Eterno, lhe foi confiada… à quem? À circuncisão, isto é, ao povo judeu. Então são os judeus os receptores e guardiões e protetores da Palavra  do Eterno. Qualquer que afirme que este ou aquele livro é palavra  do Eterno, deve saber que são os judeus os receptores de tudo o que seja Palavra  do Eterno por decreto divino.

Dr. King: Bem, tento acompanhar o raciocínio. O Sr. afirma que o próprio testemunho do Novo Testamento, é quem define quem tem a autoridade em relação às Escrituras.

Dr. Avraham: Correto. E se alguém perguntar: Onde estava a Igreja Católica quando Rav Sha’ul, um judeu, escreve um testemunho como este? Se a Igreja Católica requer autoridade com base em sua historia, onde estava ela quando Paulo disse isto? Mas tenho mais uma evidência. Em Romanos 9: 4,5 está documentado: “Que são israelitas, a quem pertence à adoção, a glória, os pactos, a promulgação da lei divina com suas ordenanças de serviço e as promessas; de quem são os patriarcas e dos quais, biologicamente, veio o Messias…” De novo Rav Sha’ul fala da paternidade da revelação e afirma que é o povo judeu quem o Eterno escolheu como depositário da adoção, da glória, dos pactos e da promulgação da lei divina…”. Dr. King, diante desta evidência, a pergunta que temos que fazer é: Foi a Igreja a quem o  Eterno escolheu ou foi a Israel? Quem é a receptora da revelação, dos pactos, das promessas, das Escrituras, a Igreja Católica ou Israel? A resposta é: não é a Igreja Católica, e sim Israel.

Dr. King: Isto soa muito lógico. Não?

Dr. Avraham: Mas ainda tem algo mais: Se isto que diz Paulo está certo que o  Eterno confiou aos judeus as Escrituras, os pactos e a promessa, então tudo o que seja Escritura, pertence ao povo judeu. Em outras palavras, se os escritos do Novo Testamento são palavra  do Eterno inspirados como a Torá e os Profetas, então pertencem à comunidade de Israel, não à Igreja, porque já foi provado pelo próprio Novo Testamento, que Israel é o depositário, não a Igreja. E se pertencem à Igreja, então não é palavra inspirada  do Eterno como a Torá, porque já vimos que tudo o que é palavra inspirada  do Eterno, pertence a Israel, o receptor da revelação. E se muda o receptor, se destrói a revelação. Não devemos esquecer disto.

Dr. King: Estou tentando entender seu argumento. Poderia explicar um pouco mais?

Dr. Avraham: Claro. Veja, em Efésios 2:20, Paulo diz: “Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo a pedra principal angular, o mesmo Yeshua HaMashíach”. O contexto demonstra que Rav Sha’ul (Paulo) está falando para crentes de origem judaica que haviam feito sua conversão oficial ao Elohim de Israel como o único Elohim verdadeiro, que haviam abandonado seus ídolos e costumes pagãos e se esconderam debaixo das asas da Shechinah (Presença Divina). Onde cabem? Onde estão localizados? Num edifício que tem um fundamento. Qual é o fundamento? Os apóstolos e profetas sendo Yeshua como Messias, a pedra principal angular. Consequentemente o que suporta todo o edifício é seu fundamento, ou seja, os ensinamentos dos apóstolos e profetas que estiveram com Mashíach, todos os quais foram judeus.

Consequentemente, a autoridade dos escritos que formam esta coleção conhecida inapropriadamente como “Novo Testamento”, não vem por outra via além do seu fundamento que sustenta todo o edifício. Sem este fundamento, não há edifício. E o fundamento é judaico, não cristão. A autoridade então, dos escritos agrupados no Código Real, chamado Novo Testamento vem pelo seu autor e não pelo seu destinatário.

Dr. King: Creio que esse é um pensamento que o Sr. deveria repetir, que a autoridade vem pelo autor e não pelo destinatário. Que quer dizer com isso?

Dr. Avraham: Se a Igreja Católica ou Protestante debatem se este sim ou este não, é um problema deles. Para nós, os judeus, se o autor é judeu, debaixo da autoridade de Yeshua ou sob a autoridade direta de um discípulo íntimo de Yeshua, seus escritos têm validade para nós, valor espiritual e legal importante e, portanto, o recebemos e o amamos. Agora temos 27, mas amanha podem ser 29, tudo depende do que o Eterno tenha nos reservado para o futuro. Que coincida com a lista aceita pela Igreja não nos afeta absolutamente em nada em termos de autoridade, como tampouco se coincide com a lista do incorretamente chamado, Antigo Testamento.

Portanto, a grande pergunta que temos que fazer a Igreja Católica é a seguinte: Vocês aceitam os escritos judeus que foram enviados às comunidades judaicas e conversas do primeiro século para lhes instruir acerca de como devem viver dentro da família de Israel? Se os aceitam, se beneficiam. Se não os aceitam, se prejudicam. Mas a autoridade vem por quem faz a pergunta, não por quem a responde. Este é o argumento que se desprende diretamente do próprio Código Real. Pero mencionamos outro argumento, o que vem de a historia, o argumento histórico que vem dado em dos aspectos do mesmo assunto.

Dr. King: Que significa argumento histórico, que existem evidências históricas que provam o contrário?

Dr. Avraham: Em certo sentido. Mas quero dizer, especificamente, que vem da própria história. Por exemplo: onde estava a Igreja Católica quando os judeus crentes em Yeshua andavam com ele e receberam de sua boca seus ditos e ensinamentos que foram logo, segundo foi necessário, preservados em forma escrita? A resposta é muito simples: Em nenhum lugar, não havia Igreja Católica nos dias de Yeshua. Havia somente uma comunidade: Israel, o povo escolhido, receptor da revelação, responsável de velar e cuidar da herança da eleição e redenção do mundo. Por exemplo, a Igreja Católica afirma que quando através da cabeça, o papa, fala de assuntos de fé e moralidade, ela, como receptora das chaves do Reino não mente nem erra, porque é assistida pelo próprio Espírito de do Eterno, pelo qual as palavras ex cátedra do bispo de Roma, são infalíveis e sem erros. Afirma-se que esta assistência divina é o que faz com que a Igreja não erre em suas decisões, porque todas vêm diretamente do Céu que deu a ela a autoridade para determinar o que está permitido e o que não está permitido, que se pode crer e o que não se pode crer.

Dr. King: Em outras palavras, a voz ex cátedra do papa, é a voz mesma do  Eterno, inspirado, sem erros, normativo e obrigatório para todos os cristãos e isto é precisamente o que a autoriza para determinar o Índice da Bíblia e do Novo Testamento. Certo?

Dr. Avraham: A pergunta que temos que fazer a Roma é esta: onde estavas tu quando Yeshua apresentava as oferendas no Templo junto a seus pais em Yom Kipur? Onde estavas tu, quando Yeshua comia o cordeiro pascal cada 15 de Aviv com seus pais e irmãos em Jerusalém? Onde estavas tu quando Yeshua estava no Átrio do Templo e quando entrava na Sinagoga cada Shabat para escutar a leitura da Torá e dos Profetas? Onde estavas tu quando Yeshua santificava Shavuot e Chanucá em Jerusalém? Onde está tua “Lista de Conteúdo” desta folha de serviço do nosso Adon Yeshua HaMashíach? Se foi a Igreja a receptora da revelação, onde estava ela para receber nestes dias?

Dr. King: Mesmo assim, foi a Igreja Católica quem fez o Índice do chamado Novo Testamento. Isso não mostra sua autoridade?

Dr. Avraham: Quem colocou o índice ou lista de conteúdos bíblicos, não o fez por sua própria autoridade, mas pela autoridade que está por trás, o testemunho judeu fundamentado na eleição divina e os decretos do Altíssimo. Porque somente se quem escreveu é judeu ou um discípulo direto ou sob a supervisão de um judeu íntimo do Maestro, é válido. Em outras palavras, a Igreja Católica não fez outra coisa além de aceitar que o testemunho judeu vindo dos judeus é confiável. Mas o que torne esses escritos confiáveis não é o testemunho da Igreja, e sim a credibilidade do escritor. E os escritores são judeus, ou por nascimento ou por eleição. Yeshua disse: “A salvação vem dos judeus” (João 4:22). O Eterno fez seu Filho nascer dentro do povo judeu.

Dr. King: Então o Sr. diz que a autoridade não está na Igreja.

Dr. Avraham: A autoridade de um livro da Escritura não depende de nenhum homem ou instituição, depende de seu próprio valor procedente da Torá, de Israel e da autoridade de nosso Adon Yeshua e seus emissários íntimos. Se não vem de um emissário íntimo, que por sua vez vem do Mashíach que por sua vez vem da Escritura, sabemos que não é inspirado pelo  Eterno.

Dr. King: E isto aplica ao restante da Bíblia também?

Dr. Avraham: Também. Se não vem por um profeta o um discípulo íntimo de um profeta, que por sua vez vem da Torá dada pelo  Eterno a Moisés, sabemos que não é inspirado pelo  Eterno. Pode ser um bom livro, magnífico, válido para certas coisas, mas não para fazer parte disso que nosso Adon, Yeshua HaMashíach chamou: “A Torá, os Profetas e os Salmos”.

Dr. King: O que o Sr. está dizendo então é que somente se o livro em questão segue esta linha, é confiável.

Dr. Avraham: Correto, e que assim o possamos aceitar e receber. E nesse processo, a Igreja Católica ou Protestante não é depositária nem receptora, somente beneficiária, como o restante da humanidade. A depositária da revelação é Israel e, portanto, recai sobre os judeus a responsabilidade de ensiná-la ao mundo. Este não é o caso de um cristão, por exemplo, porque tudo o que um cristão conhece de sua fé vem do próprio Novo Testamento e, portanto, não tem nenhum elemento externo para verificar se seu conteúdo é válido ou inválido.

Dr. King: O que o Sr. insinua é que a única opção de um cristão é confiar na autoridade que a Igreja diz ter, para selecionar quais livros são e quais livros não são.

Dr. Avraham: Correto. Queria detalhar isto, se me permite: Mesmo que um livro seja escrito sem erros, não é suficiente para determinar sua inspiração e infalibilidade divinas. Portanto, o cristão, protestante ou evangélico não tem outra opção além de confiar na Igreja Católica nisto, ainda que inconsistentemente, é claro, rejeite seus ensinamentos, dogmas e doutrinas cristãs.

Dr. King: Isto não se aplica ao judeu também?

Dr. Avraham: Absolutamente não, por uma simples razão: os judeus têm a Torá, têm a palavra profética mais segura e tudo o que seja incompatível com a Torá, não vem do Eterno e não podemos receber como inspirado pelo Eterno. E neste sentido, somente o  Eterno tem a autoridade e somente o Eterno conhece com absoluta certeza quais livros são inspirados divinamente e quais não e esta decisão ele decidiu comunicar à comunidade de Israel, não a uma pessoa em particular. Fora de Israel, nem o bispo de Roma, nem os concílios cristãos, nem o de Nicéia nem o de Trento nem o Vaticano Segundo, nem os que venham, tem autoridade para determinar o que é inspirado e que não o é.

Dr. King: Há algum critério então pelo qual vocês determinam a legitimidade de algum escrito religioso?

Dr. Avraham: Temos três critérios fundamentais.

Seu autor foi um judeu discípulo de Yeshua o Messias sob sua autoridade? Se a resposta é positiva, o livro em questão vai se tornando qualificado.

É compatível com os Profetas? Se a resposta é positiva, o livro em questão segue se qualificando.

É compatível com a Torá? Se a resposta é positiva, o livro em questão pode então ser aceito, porque somente dos Profetas e da Torá sabemos com certeza que o  Eterno é o autor.

Se faltar um destes três princípios básicos, não qualificam. Consequentemente, como judeus crentes em Yeshua como o Profeta anunciado por Moisés (Deuteronômio 18:15), isto é, o Mélech HaMashíach (O Rei Messias). Quando temos em nossas mãos estes escritos conhecidos como Novo Testamento, não estamos recebendo seu Índice da Igreja Católica, e sim de seu conteúdo hebraico que é o fundamento de sua validade como a Torá oral de nosso Mestre, Yeshua HaMashíach para que saibamos como devemos cumprir a Torá e aplica-la em nossas comunidades, famílias e vidas pessoais, no caso do judeu.

Dr. King: E se a pessoa não é judia?

Dr. Avraham: Se a pessoa não é judia, estes livros tem a intenção de mostrar como deve viver um convertido sincero (Romanos 11:17) dentro da comunidade de Israel e retendo o testemunho de Yeshua como Mashíach. Não se eu “sinto que o livro fala comigo”, não é se “me faz bem quando estou com problemas” o que determina a inspiração de um livro. Porque se for assim, o Alcorão também seria inspirado pelo que os muçulmanos falam do alivio espiritual que sentem quando o lêem. O que determina a validade vem do simples dito: é compatível com a Torá? Sim ou não? O Alcorão é compatível com a Torá? Não. Portanto, não vem do Elohim de Israel. Esta é a medida para avaliar nossos livros e nossa verdade. Eu não creio no Elohim porque a Igreja Católica o disse, creio em Elohim porque se revelou pessoalmente a meu povo no Sinai e nos deu Sua Torá e nosso povo tem mantido sempre o testemunho de esta revelação. Da mesma maneira, o Novo Testamento. Não é assunto da Igreja, é assunto do nosso povo, de nossos profetas, do nosso Adon Yeshua, o Messias judeu que nos foi prometido na Torá. Se o testemunho que recebo está em harmonia com a Torá e é compatível com a Torá, então é válido e o aceito. Mas sua validade vem de sua fonte, de sua raiz e esta raiz é hebréia, não católica; judia, não protestante.

Dr. King: E o Código Da Vinci? Não revela de alguma maneira coisas escondidas pela Igreja Católica que não deseja sob nenhum conceito que nossa geração saiba, especialmente diante a possibilidade de conhecer, por exemplo, que Jesus foi casado, que teve filhos e outras coisas jamais ditas pela Igreja? Há algo que está escondido aqui?

Dr. Avraham: Certamente, por muitos séculos a Igreja tem tratado de ocultar grandes verdades. Tem ocorrido muita investigação histórica e bíblica em relação ao Vaticano que demonstram as suspeitas de muitos, especialmente de aqueles que não tem interesses religiosos, econômicos e políticos relacionados com Roma. Mas o Código Da Vinci é ciência ficção… até agora. Creio que a ordem dos Jesuítas formada por Ignácio de Loyola no século 16, representa uma maior atração histórica que Isaac Newton e Leonardo Da Vinci.

Dr. King: O Sr. crê nestas mensagens ocultas nesses famosos quadros e paredes em certas catedrais antigas?

Dr. Avraham: Não estão demonstrados, é ciência ficção. Mas a mensagem abre uma porta para a correta investigação histórica, juntamente com a publicação do Evangelho segundo Judas.

Dr. King: E qual é a melhor maneira de entender corretamente as palavras de Jesus e do Novo Testamento em sentido geral?

Dr. Avraham: Através do Código Real, a Versão Textual Hebraica do chamado Novo Testamento, feita através do resultado de investigação arqueológica, histórica, linguística e exegética judaica, seguindo os princípios de interpretação bíblica do Judaísmo e dando ênfase, como se deve ser, ao hebraico da mensagem de Yeshua e de seus Emissários.

Dr. King: O que significa Código Real? Algo como o Código Da Vinci?

Dr. Avraham: Nada a ver. O Código Real, a Versão Textual Hebraica do chamado Novo Testamento surge sem ter nada a ver com a novela de Dan Brown. Chama-se “Código” porque está escrito em diferentes níveis de interpretação, típico do Judaísmo. E “Real” porque está relacionado com a realeza de Israel, isto é, a Casa de David. Pero não tem relação alguma.

Dr. King: Pode, de alguma maneira o Código Real, ser uma versão que freie o impacto secular que poderia causar o filme anunciado sobre o Código Da Vinci?

Dr. Avraham: Sem dúvida, se alguém deseja conhecer a verdade, a verdade histórica e científica dos ditos e ensinamentos de Yeshua, o melhor que pode fazer é adquirir uma versão do Código Real e ler com a mente e coração abertos, sem prejulgamentos teológicos. Porque aqui se apresenta uma perspectiva correta das palavras de Yeshua e seus emissários, isto é, a perspectiva hebraica, a única válida para estudar um documento judaico do primeiro.

Dr. King: E onde se pode adquirir?

Dr. Abraham: Visitando a página www.codigoreal.com ou www.amazon.com e buscando por Código Real. Ou em sua livraria favorita.

Dr. King: Dr. Avraham, obrigado por estar conosco. Sem dúvida aprendemos muitas coisas interessantes. Gostaria de fazer outra entrevista, se o Sr. aceitar é claro.

Dr. Avraham: O prazer foi meu. Espero que não somente o Sr., mas todos os que assistiram a este programa, também aprendam, todos vivemos aprendendo, e devemos continuar toda vida aprendendo. A informação correta nos livra da morte, se agimos em consequência com a verdade. Para mim será uma honra estar de novo em seu programa. Estamos a suas ordens.

Dr. King: Senhores, o tempo está esgotado. Foi um prazer conversar com um judeu crente em Yeshua como Messias e ouvir dizer que a autoridade não está nem no Protestantismo nem no Catolicismo, e sim em Israel. Que o próprio  Eterno, por decreto celestial, preparou e confiou à Israel tudo o que seja Sua Palavra. Entendi bem Dr. Avraham?

Dr. Avraham: Creio que você é um bom aluno. Obrigado.