QUEM TEM AUTORIDADE PARA ESTABELECER O CANON?

dezembro 28, 2010

TRANSCRITO DE DUAS ENTREVISTAS REALIZADAS NA CALIFORNIA
NO PROGRAMA “DEBATENDO A VERDADE” PELO DR. KING
NO MÊS DE FEVEREIRO DO ANO DE 2006.

Primeira Parte

Entrevistador: Saudações, amigos. Estamos no programa: “Debatendo a verdade”. Nesta ocasião estamos tratando do assunto da autoridade, ou seja, quem tem a autoridade, a Igreja Católica ou a Protestante, para determinar quais livros são considerados sagrados e quais livros não são considerados sagrados. Aos que acabam de sintonizar-nos quero dizer que sou o Dr. King, apresentador de televisão e a minha esquerda se encontra o Dr. Pio doche, da Igreja Católica e a minha direita o Dr. Martín, representante da Igreja Protestante, ambos os amigos, ambos cristãos, mas que não estão em concordância sobre o assunto da autoridade. E como é evidente, amigos em desacordo, mas que permanecem amigos apesar de tudo, é um grande exemplo de civilização para todos nós.

Autoridade é um assunto básico em toda organização, seja religiosa ou secular. Quem está em autoridade? Quem é a autoridade em uma comunidade? Para que está a autoridade? Quem deu essa autoridade? O que significa ter autoridade? Quais são seus limites, se é que existem? Por que chamamos certas pessoas ou regimes autoritários e tal designação tem uma conotação negativa quase sempre? São perguntas chaves, porque “autoridade” sempre se relaciona com poder, domínio, estabelecer as regras para fazer certas coisas, ou impor um ponto de vista, se dar ao respeito ou capacidade para influenciar a outros acerca de certa conduta ou assunto que deve ser realizado. Com relação a este debate, a pergunta é a seguinte: Quem tem autoridade para dizer quais livros da Bíblia são inspirados e quais livros não são?

As pessoas aceitam certas coisas por tradição, costume ou cultura, e assim temos crescido e assim agimos, até que vem alguém e nos desafia com algo diferente ao que sempre assimilamos culturalmente e de repente nos damos conta de que não temos respostas apropriadas, ou simplesmente não temos respostas. Este debate nos ajudará a esclarecer estas coisas. Pelo menos é o que esperamos.

Entrevistador: Quem tem autoridade para dizer quais livros devem formar o Novo Testamento e quais livros devem ficar de fora? É a Igreja Católica ou é a Protestante? Certamente todos nós conhecemos os princípios fundamentais que dividem o Cristianismo Católico do Cristianismo Protestante e Evangélico. Em termos de Escritura, o assunto da autoridade é crítico. A Igreja Católica afirma que ela é quem tem a autoridade para instruir na fé cristã ao mundo inteiro. Queremos perguntar ao Dr. Pio doche, cristão católico, sobre que base a Igreja afirma este postulado.

Dr. Pio doche: Agradeço a oportunidade de estar aqui. Primeiro de tudo quero deixar claro que o Dr. Martín e eu, somos bons amigos, nos conhecemos desde a infância, estudamos juntos e nos unem muitos vínculos de amor fraternal, teológico e cultural. Obviamente existem algumas diferenças, e isto é precisamente o que nos trouxe aqui. Pois bem, minha Igreja Católica afirma que é a única que tem autoridade para instruir na fé cristã ao mundo inteiro com base em três pilares fundamentais:

  • Escritura
  • Tradição
  • Magistério Eclesiástico

Entrevistador: Dr. Pio doche, talvez alguns de nossos telespectadores não entendam exatamente o que significam estes termos técnicos que o Sr. está usando. Poderia explicar-lhes, por favor?

Dr. Pio doche: Por Escritura quero dizer que o Senhor entregou à Igreja as “chaves do reino” e por isso, a autoridade para decidir o que é bíblico e o que não é bíblico é da Igreja Católica, portanto, ela, baseada na Tradição e no Magistério, tem determinado, mediante os concílios estabelecidos para tais fins, quais livros compõem a Bíblia, tanto no Antigo como no Novo Testamento.

Por Tradição quero dizer que a diferença dos protestantes e evangélicos, somente a Igreja Católica conta com uma tradição de fé que oferece legitimidade a suas práticas e costumes porque têm fundamento histórico provado que tem sido passado de comunidade a comunidade, de bispo a bispo até Roma quando São Pedro instituiu ali a Santa Igreja.

E por Magistério quero dizer que, diferentemente dos que se separaram de nós, como o Dr. Martín, por exemplo, (ainda que continuemos chamando-os de “irmãos separados”), a Igreja Católica é a única instituição cristã que pode apresentar uma folha ininterrupta de liderança que vai desde o atual papa, por sucessão apostólica, até o primeiro papa, que é São Pedro.

Por estas três razões, Escritura, Tradição e Magistério, que se unem e se apoiam pedras em uma cerca, nossa Santa Igreja Católica afirma que ela é a única instituição cristã que pode demonstrar sua legitimidade e nessa legitimidade está precisamente, sua autoridade e esta autoridade é o que determina como deve ser apresentada a fé cristã ao mundo.

Entrevistador: Então, para a Igreja, a autoridade do Cristianismo Protestante ou Evangélico, é inexistente e somente consiste em una usurpação de sua própria autoridade ou em uma extensão dela ou um subproduto desnecessário. Certo?

Dr. Pio doche: Certo. Em outras palavras, a teologia protestante e evangélica não é outra coisa que Catolicismo disfarçado em outra forma de dizer a mesma coisa para escapar do fato de que devem sujeitar-se a única autoridade reconhecida, a da Igreja Católica e suas instituições oficiais.

Entrevistador: Obrigado, Dr. Pio doche. A minha direita se encontra o Dr. Martín, que todos nós conhecemos muito bem por representar o movimento Protestante dentro do Cristianismo. Queremos escutar sua opinião sobre o assunto que muito claramente demonstrou oposição neste debate. Dr. Martín, você tem a palavra.

Dr. Martín: Agradeço a oportunidade que me concedem de estar aqui para apresentar meu ponto de vista. Concordo com o Dr. Pio doche que nos unem profundos laços teológicos e históricos, mas que em algumas coisas não estamos de acordo, especialmente neste assunto de quem tem a autoridade para determinar no que devemos crer ou no que não devemos crer e particularmente, quem tem a autoridade para decidir quais livros formam e quais livros não formam as Escrituras. Quero esclarecer que o Dr. Pio doche não é meu inimigo, somente divergimos em alguns aspectos. Segundo a perspectiva de minha igreja, afirmamos que somente a Escritura é válida como fonte de autoridade; nem a tradição nem o magistério. Consequentemente, se a Bíblia não diz, não é aceitável. Tudo tem que ser provado pela Escritura e somente pela Escritura. Daí temos estabelecido três pilares fundamentais de nossa teologia e são os seguintes:

  • Primeiro: A superioridade da Escritura sobre a Tradição.
  • Segundo: A superioridade da fé sobre as obras.
  • Terceiro: A superioridade do povo sobre o Clero.

As tradições da Igreja Católica são tradições de homens, frágeis, falhos, e o que encontramos nos credos, catecismos, confissões e decisões conciliares, não têm nenhum valor comparado ao fato de que só a Escritura é confiável e válida. Se não está nas Escrituras, não é aceitável.

Entrevistador: o que o Sr. está dizendo então é que a autoridade não está na Igreja Católica, e sim está na Bíblia, somente na Bíblia. Se não está na Bíblia, não temos porque aceita-lo.

Dr. Martín: Certo. E tem mais. Não deve estar em um só lugar na Bíblia, mas pelo menos em dois o três lugares, porque dois ou três testemunhos sempre são chaves, não podemos fazer doutrina dependendo de um só testemunho.

Entrevistador: Então podemos dizer que claramente que esta é a posição oficial tanto Protestante como Evangélica.

Dr. Martín: Sim. A Bíblia e somente a Bíblia e nada mais que a Bíblia é nossa fonte de autoridade. Nem a tradição nem o magistério. A Bíblia, as Sagradas Escrituras, desde Gênesis até Apocalipse. Nada mais, nada menos.

Entrevistador: Bem, creio que vamos entendendo o ponto do Dr. Martín e tenho que reconhecer que parece um argumento muito sólido. Entretanto, a minha esquerda se encontra o Dr. Pio doche, representante do Vaticano. O que responde a Igreja Católica a este argumento do Dr. Martín?

Dr. Pio doche: Entendo o argumento apresentado pelo Dr. Martín, mas não concordo por ser inconsistente. Em outras palavras, a teoria de que só a Escritura é a única fonte confiável da autoridade do Protestantismo não resiste à prova de evidência.

Entrevistador: Poderia explicar melhor?

Dr. Pio doche: Claro, e esta é a resposta. Em primeiro lugar, se a Igreja Católica não tivesse determinado o que é a Bíblia e que livros contem, os Protestantes e Evangélicos não teriam sequer idéia do que é a Escritura.

Em outras palavras, os protestantes e evangélicos tem Nevo Testamento, porque foi a Igreja Católica quem determinou quais livros devem formar o cânon das Escrituras e conseqüentemente sem o testemunho e autoridade da Igreja Católica, que tem editado o Nevo Testamento, os protestantes e evangélicos não o teriam.

Entrevistador: O que o Sr. quer dizer então é que o Dr. Martín não poderia traduzir o Novo Testamento para o alemão sem a ajuda da Igreja que lhe deu o Novo Testamento.

Dr. Pio doche: Correto. E mais, cada vez que os protestantes e evangélicos abrem o Novo Testamento e lêem uma página que se chama: “ÍNDICE”, tem que depender não da Sola Scriptura, como equivocadamente afirmam, mas da tradição e autoridade da Igreja Católica quem ditou quais livros formam o Novo Testamento e em que ordem devem estar escritos.

Entrevistador: Dr. Pio doche, o Sr. ouviu seu amigo, o Dr. Martín, afirmando que a autoridade está na Bíblia não na Igreja. E o Sr. respondeu dizendo que tal pensamento é inconsistente porque se a Igreja não tivesse determinado a lista dos livros do Novo Testamento, o Dr. Martín não haveria sabido da existência destes livros e, portanto não os haveria traduzido para o alemão. O que quero dizer é que segundo sua posição, o Protestantismo e o Meio Evangélico dependem então da autoridade da Igreja, queiram ou não queiram. Ou seja, que estão sujeitos à autoridade da Igreja Católica.

Dr. Pio doche: Sim, Dr. King. Pero há muito, muitíssimo mais que demonstra mais além de toda dúvida razoável, que tanto os Protestantes como os Evangélicos, mesmo que digam que não, na prática estão sujeitos à autoridade da Igreja Católica, e é por esta mesma razão que os chamamos, “irmãos separados”.

Entrevistador: Poderia mostrar evidências concretas do que o Sr. acaba de dizer? Porque suas declarações são muito abrangentes.

Dr. Pio doche: Claro que posso mostrar estas evidências. E ao mostrar, não estou abrangendo muito, porque todo mundo que tem um cérebro para pensar, poderá detectar imediatamente que digo a verdade e não somente que digo a verdade, mas que essa verdade pode ser comprovada historicamente. Quero mostrar seis evidências. E se alguém quiser mais, com muito prazer incluirei outras. Porém creio que estas são suficientes. Estas são seis evidências que demonstram como os protestantes e Evangélicos, ainda que digam outra coisa, em suas práticas religiosas e em sua teologia fundamental, dependem da Igreja Católica, estão sujeitos à Igreja Católica e vivem debaixo da autoridade da Igreja Católica.

Primeira Evidência:

Cada vez que os protestantes e evangélicos adoram no Domingo, tem que depender da autoridade exercida pela Igreja Católica para determinar, usando sua autoridade, que o Sábado não será mais para os cristãos, e sim o domingo o novo dia de adoração. Portanto, quando meu amigo Dr. Martín assim como o restante dos evangélicos se reúnem em seus templos para adorar no domingo, estão reconhecendo a autoridade única e exclusiva que tem a Igreja Católica, porque foi a Igreja quem determinou que dia de adoração contrária para os cristãos, e este dia é o domingo, não o sábado judeu nem outro dia.

Segunda Evidência:

Cada vez que os protestantes e evangélicos celebram o Natal em 25 de dezembro, ainda que digam por um lado que dependem somente da Escritura, na prática dependem realmente da autoridade da Igreja Católica que foi quem estabeleceu o dia 25 de Dezembro como o dia do nascimento do Senhor.

Terceira Evidência:

Cada vez que os protestantes e evangélicos celebram a Sexta-Feira Santa e o Domingo de Ressurreição, na data que o fazem, seguem a autoridade da Igreja Católica que estabeleceu através de seus concílios, tradição e magistério, qual é o dia que os cristãos têm que se lembrar da morte e ressurreição do Senhor. E mais, a cada ano recebo ligações de pastores evangélicos me perguntando: Quando cai sexta-feira santa este ano? Isto demonstra a autoridade da Igreja Católica e a sujeição à Igreja Católica que tem nossos irmãos separados mesmo quando digam que não, sabemos que é sim.

Quarta Evidência:

Cada vez que os cristãos protestantes e evangélicos celebram o dia 31 de dezembro como o dia final do ano e o primeiro de janeiro como o primeiro dia do ano, dependem, não da Sola Scriptura, como dizem, e sim da autoridade da Igreja Católica, que através de suas tradições, concílios e magistério determinou que neste dia termina o ano e começa o ano novo. Portanto, ainda que não queiram, na prática, não fazem outra coisa além de reconhecer a autoridade da Igreja Católica, a única autoridade legítima em assuntos da fé cristã.

Quinta Evidência:

Quando os protestantes e evangélicos batizam a seus membros usando a fórmula: “Em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, não fazem outra coisa além de reconhecer que a autoridade para determinar a fórmula batismal, é da Igreja Católica, porque em nenhum lugar do Novo Testamento encontramos a nenhum apóstolo balizando assim, foi a Igreja quem estabeleceu tal fórmula e quando os “irmãos separados” a usam, o que fazem é afirmar que a única autoridade para determinar a maneira como se expressa a fé cristã, está na Igreja Católica, no Vaticano.

Sexta Evidência:

Quando nossos irmãos separados dizem: “só a Escritura é a fonte de autoridade”, tem que depender da Igreja Católica porque foi ela quem determinou que livros formam a Escritura mostrando assim, com fatos e não com palavras que ela é a receptora legítima da autoridade e portanto, somente ela pode exercê-la legitimamente.

Entrevistador: Enfim, a Igreja Católica é quem determina os livros que compõem a Bíblia e, portanto, é ela que determinou a lista dos livros inspirados e dos não inspirados. Certo?

Dr. Pio doche: Certo.

Entrevistador: Bem, O que o Dr. Martin tem a dizer?

Dr. Martín: Obrigado, Dr. King, estava esperando minha oportunidade para falar porque definitivamente o Dr. Pio doche está tratando do assunto muito claramente, obviamente desde seu ponto de vista, que eu respeito, porque como disse desde o principio e como ele também afirmou, apesar de tudo, somos amigos, viemos da mesma escola e buscamos uma mesma meta. Ninguém nega a participação que deu a Igreja Católica em cada um dos seis pontos apresentados aqui. Entretanto, eu tenho uma pergunta para o Dr. Pio doche. O Sr. Disse a princípio que a autoridade da Igreja Católica descansava em três pilares fundamentais: Escritura, tradição e magistério eclesiástico. O que quis dizer então é que a Igreja Católica é a testemunha mais antiga que existe sobre o assunto da fé cristã e, portanto ela é quem tem a autoridade para definir o que realmente é fé cristã e que ao fazer isto, seu testemunho pode ser recebido como absoluta verdade e confiabilidade. Certo?

Dr. Pio doche: Irmão Martín: Ainda que não tenha ideia de onde quer ir, tenho que dizer que sim, que isso está certo e o Sr. sabe muito bem.

Dr. Martín: Bem, quero te perguntar, então: A Igreja Católica tem dito sempre a verdade? Ou vocês reconhecem que se equivocaram em algumas coisas?

Dr. Pio doche: Bom, não estamos tratando aqui desses assuntos. Obviamente, a Igreja Católica se equivocou em algumas coisas, pois ela está formada por homens, mas com relação ao assunto específico que estamos tratando aqui, eu mostrei a vocês evidências que demonstram que a autoridade está na Igreja Católica, e fora dela ninguém tem autoridade, especialmente no que se refere ao assunto do cânon das Escrituras.

Dr. Martín: Bem, entendo, o Sr. afirma então que em outras coisas a Igreja Católica se equivocou em seu veredicto. Isto é suficiente para mim e agradeço sua humildade em reconhecer. Mas como é evidente, se a igreja Católica se equivocou em algumas coisas, então o Sr. aceita que houve necessidade de reformas e que essas reformas foram iniciadas por nós. Correto?

Dr. Pio doche: Não vejo isto muito relacionado com o assunto específico que estamos tratando, mas sim, está correto. Aceito que houve erros e que foi necessário corrigi-los.

Dr. Martín: Outra pergunta: A Igreja Católica tem sido testemunha de todo o processo de formação da Igreja desde suas origens até esta data? Ou houve algum tempo quando a Igreja Católica não foi testemunha de tais fatos?

Dr. Piodoche: Certamente, a Igreja Católica tem um testemunho ininterrupto de todo o processo histórico desde seu nascimento até os dias atuais. Ainda que nem sempre fosse testemunha de todas as coisas. Mas quero falar melhor sobre isto. Historicamente falando, especialmente relacionado com o Novo Testamento, a Igreja Católica afirma duas coisas centrais: Primeiro que tem sido sua autoridade o que tem determinado a maneira como deve estar formado o cânon do Novo Testamento. Segundo, que tem sido sobre a base de sua autoridade como tem sido preservado e transmitido o cânon até nossos dias. Isto é o que diz a Igreja Católica: Fora dela, ninguém pode reclamar autoridade sobre o Novo Testamento, nem sua norma nem sua canonicidade.

Entrevistador: Sendo assim, o que o Dr. Pio doche está dizendo é que não importa como, é preciso confiar na Igreja Católica, suas tradições, decisões, magistérios e concílios se queremos que o Novo Testamento continue sendo um livro sagrado e inspirado para o Cristianismo, no mesmo nível que o Antigo Testamento, ou seja, ambos a Palavra perfeita do Eterno aos homens.

Dr. Pio doche: Certo. Dr. King, tanto a igreja protestante como a evangélica de nossos dias, se encontram em uma situação de aperto e esta situação se incrementa quando tem que responder perguntas críticas e difíceis. É preciso reconhecer que sem a aceitação coerente da história e do lugar da Igreja Católica dentro da Historia, a Bíblia vem a ser como um livro solto no ar, muito bonito e bem apresentado, mas vagando no ar, sem sentido histórico, ao menos que aceitemos o veredicto da Igreja Católica. E quero insistir nisto: Quando nós abrimos nossas Bíblias, antes de encontrarmos Gênesis 1:1, achamos uma página que diz: “ÍNDICE”, e nenhuma pessoa bem informada pode negar que tal página não forma parte da Escritura, mas sim que aponta para a Escritura Inspirada.

Entrevistador: Dr. Martín: Quão importante é esta primeira página que apresenta o Dr. Pio doche?

Dr. Martín: Temos que reconhecer que é extraordinariamente importante, porque esta página nos diz o que é válido e inspirado e quais são os limites confiáveis e seguros das Escrituras.

Dr. Pio doche: E este é o problema dos protestantes e evangélicos, que eles não têm uma doutrina de Lista de Conteúdo (Índice) das Escrituras, e não tem outra alternativa que seguir o que foi dito e a autoridade da Igreja Católica.

Entrevistador: O que o Sr. quer dizer, Dr. Pio doche é que nem a Igreja Protestante nem a Evangélica poderia ter hoje um Novo Testamento em suas mãos, se a Igreja Católica não tivesse estabelecido seu cânon, preservado seu conteúdo e transmitido ao mundo como palavra infalível e inspirada  do Eterno para os homens. Entendi bem?

Dr. Pio doche: Entendeu muito bem, Dr. King. E sobre isto, todos os católicos podem dizer com orgulho que a Igreja Católica é a receptora, editora, custódia e administradora dessa palavra, e ela se reserva, então, ao direito em sua autoridade, não somente de determinar quais livros são e quais livros não são, e ainda de explicar seu significado preciso e fazer as correções necessárias para que este significado preciso dado pela Igreja Católica, ou seja, seu catecismo esteja bem estabelecido no conteúdo apontado pelo Índice criado, preservado e transmitido por ela.

Dr. Pio doche: Quando a Igreja Católica fala oficialmente, ex cátedra, pela voz de seu cabeça, o bispo de Roma, suas palavras são inspiradas pelo Eterno, respaldadas pelo Eterno e devem ser aceitas como normativas por todos os cristãos que aceitam seu testemunho sobre a lista e conteúdo do Novo Testamento que ela tem apresentado ao mundo. Mas já que o Dr. Martín fez perguntas diretamente a mim, eu quero fazer a ele una pergunta diretamente a ele também. Posso?

Entrevistador: Sim, Dr. Pio doche.

Dr. Pio doche: Por que os protestantes e evangélicos podem crer na Igreja Católica em relação ao mais importante, o cânon da Bíblia, e não em suas doutrinas? Isto revela, desde a perspectiva católica, uma contradição. Porque por um lado os cristãos protestantes e evangélicos estão sujeitos à autoridade da Igreja Católica, queiram o não queiram, tanto em determinar as fronteiras do conteúdo da Bíblia como na maioria de suas práticas e costumes, como vimos antes, mas ao mesmo tempo negam aqui e lá o que consideram que não é normativo nem autoridade, ignorando assim, para seu próprio mal, a autoridade suprema da Igreja Católica e convertendo-se em seu juiz, quando em realidade deveria ser um servo fiel.

Dr. Martín: Obrigado por perguntar, ainda que tampouco saiba onde quer chagar com isto (risos no auditório) e o assunto não é exatamente o que estamos tratando, não obstante já aceitaste que a Igreja cometeu erros e que havia que corrigi-los. Quer uma resposta melhor?

Dr. Pio doche: Do ponto de vista da Igreja Católica, somente se os protestantes e evangélicos aceitam sua dependência dela e mantêm sua continuidade histórica com ela, poderão usar a autoridade das Escrituras para seu bem, porque esta autoridade depende do que a Igreja Católica disse o que é a Bíblia e o que não é a Bíblia, o que é o Novo Testamento e o que não é o Novo Testamento. Aceitas isso ou não, Dr. Martín?

Dr. Martín: Alguns livros são discutíveis. E o Sr. Sabe muito bem. Por exemplo, eu tenho dúvidas com relação à carta de Tiago. Creio que foi deixada aí por vocês para justificar vossa doutrina de salvação por obras e não por fé somente. Vocês sabem muito bem que esta carta não é para gentios.

Dr. Pio doche: Dr. King, se os protestantes e evangélicos se desconectam da Igreja Católica nem sequer estão em condições de decidir por si mesmos quais livros são inspirados e quais não são, porque somente a Igreja Católica tem sido receptora desta autoridade. O Dr. Martín fala da Carta de Tiago, mas afinal teve que incluir em sua lista e hoje em dia aparece em todas as listas. Quem se atreve a remover os quatro evangelhos do Novo Testamento e continuar sendo parte do Cristianismo? Quem de vocês se atreve a acrescentar um evangelho ao Novo Testamento e continuar sendo parte do Cristianismo? Ao que a Igreja Católica determinou não se pode acrescentar nem remover, nem sua doutrina fundamental sobre o Eterno e Cristo pode ser alterada, porque uma só mudança que se faça, deixa de ser parte da continuidade teológica da Igreja, e isto retira automaticamente teu acesso a Bíblia, porque o Dr. Martín depende dela para sua aceitação. Tal estado de coisas revela, mais além de toda dúvida, que é a Igreja Católica a quem o Eterno deu a autoridade para atar e desatar e é ela que tem as chaves do reino dos céus.

Entrevistador: O Dr. Pio doche, representando a Igreja Católica afirma que ainda que digam outra coisa, na prática, os cristãos protestantes e evangélicos estão sujeitos à autoridade da Igreja em termos de cânon da Escritura, doutrina  do Eterno, doutrina de Cristo e práticas e costumes eclesiásticos, tudo o qual revela que, se confessam ou não, aceitam de qualquer forma a autoridade da Igreja Católica e que estão sujeitos a ela em cada um destes aspectos. Compreendi bem, Dr. Pio doche?

Dr. Pio doche: Entendeu bem, Dr. King. Se os protestantes ou evangélicos rejeitam a Igreja Católica, o fazem por ignorância ou por rebeldia, mas não pela verdade histórica evidente de foi ela quem ditou o porquê de haver 27 livros no Novo Testamento e porque não 26, porque não 30.

Entrevistador: O Dr. Martín mencionou que pessoalmente não aceitava a carta de Tiago por não ser dirigida aos gentios, e porque apoiava a teologia católica da justificação por obras e não pela fé somente. Certo, Dr. Martín?

Dr. Martín: Correto. Tudo indica que a Carta de Tiago foi escrita aos fiéis da circuncisão (judeus), não da incircuncisão (gentios) e, portanto, isto cria uma situação diferente, porque os judeus estão em um lado diferente neste debate.

Estrevistador: Bom, isso me interessa, porque todos vocês sabem de minhas raízes judaicas, não sou observante, mas meus pais e avós eram judeus, não eram cristãos, tampouco praticantes do judaísmo, mas falar que os judeus caem em um lado diferente neste debate chama minha atenção. O que o Sr. quer dizer com isto, Dr. Martín?

Dr. Martín: Os judeus foram o povo do pacto. Por sua rejeição a Jesus como Messias, perderam sua posição de povo do pacto e esta posição foi preenchida por fiéis dentre as nações que tem aceitado a Jesus com o Messias. Mas ainda assim, quando eles se arrependerem e se converterem, serão enxertados de novo na Igreja Universal e invisível, composta por judeus e não judeus crentes em Jesus como o Messias.

Entrevistador: Mas ao falar dos judeus, estamos falando de m povo que nunca deixou de ser povo, se fosse de outra maneira eu não estaria aqui entre vocês. Obviamente a criação do Estado de Israel me diz que os judeus seguem aí, que não fomos eliminados, pelo menos totalmente, não?

Entrevistador: Dr. Pio doche, o Dr. Martín afirmou que os judeus foram rejeitados pelo Eterno como povo escolhido porque não aceitaram a Jesus como Messias e que os não judeus que o aceitam se constituem no novo povo escolhido. Certo?

Dr. Pio doche: A Igreja Católica é o povo de Elohim. É o Israel espiritual, formado por judeus e não judeus crentes em Jesus como o Messias. Se os judeus querem fazer parte de novo do povo escolhido, tem que se converter ao cristianismo e com muito prazer os receberemos. Entretanto, historicamente falando, eles são nossos irmãos mais velhos e através deles a Igreja Católica pôde receber o Antigo Testamento.

Entrevistador: Bom, a participação de um judeu aqui neste debate parece uma boa idéia. Eu acho que deveríamos trazer um rabino para que nos apresente seu ponto de vista. O que vocês acham?

(Se ouvem gritos do auditório: “Bom” “Excelente” “Agora mesmo” e aplausos)

Entrevistador: Senhores, o tempo está esgotado. Quero agradecer profundamente ao Dr. Pio doche e ao Dr. Martín pela presença neste programa e a todos vocês que tem estado aqui desfrutando sem dúvida da riqueza que ambos colocaram sobre a mesa. Mas prometo que no próximo programa sobre o assunto, trarei um judeu para ouvir seu ponto de vista. Agradeço a todos.

(O Dr. King se levanta e cumprimenta a ambos os conferencistas e se despede do auditório. O Dr. Pio doche e o Dr. Martín apertam as mãos e saem juntos do cenário).

Segunda Parte

(Entrevista concedida pelo Dr. Dan Ben Avraham, professor de Judaísmo e Filosofia Judaica ao Dr. King em seu programa, “Debatendo a verdade”. Taquigrafado pelo departamento de relações públicas).

Dr. King: Boa noite. Como havia prometido, finalmente encontrei um expert de Bíblia judeu que crê em Jesus como o Messias e que assistiu ao programa prévio de televisão onde entrevistamos ao Dr. Pio doche e ao Dr. Martín, representantes da Igreja Católica e Protestante respectivamente. Dr. Avraham, seja bem vindo e obrigado por estar conosco.

Dr. Avraham: Sou eu quem agradece, Dr. King e agradeço a todo este magnífico auditório presente.

Dr. King: Como disse previamente, o Sr. assistiu ao programa prévio. O que achou?

Dr. Avraham: Foi um programa muito bom, muito bem dirigido pelo Sr. e desenvolvido de forma impecável pelas partes. Apesar de o assunto ser difícil e “quente”, ambos se mostraram muito capazes, muito respeitosos e muito bem informados.

Dr. King: Em sua opinião quem ganhou o debate?

Dr. Avraham: É um pouco difícil dizer quem ganhou o debate porque segundo a minha perspectiva ambos estão fora da realidade da autoridade, mas em todo caso, se me situar estritamente dentro dos limites eclesiásticos e teológicos que apresentaram, creio que quem teve razão foi o representante da Igreja Católica, o Dr. Pio doche.

Dr. King: Sobre o que se baseou sua decisão?

Dr. Avraham: As evidências apresentadas. Não houve forma que o Dr. Martín pudesse rebater o fato de que cultural e teologicamente, a Igreja Protestante e Evangélica está unida à Igreja Católica e que depende dela, da sua antiguidade e autoridade.

Dr. King: Então o Sr. concorda que a autoridade para determinar quais livros devem fazer parte da Bíblia e especialmente do Novo Testamento, está na Igreja Católica?

Dr. Avraham: Absolutamente não. Por isso disse que segundo minha perspectiva, ambos estavam fora da autoridade.

Dr. King: O que quer dizer com “estavam fora da autoridade”?

Dr. Avraham: Quero dizer que o assunto da autoridade em termos de recepção e transmissão das Escrituras, nem a Igreja Protestante nem a Igreja Católica tem a autoridade.

Dr. King: Quem tem então?

Dr. Avraham: A evidência que provem do próprio documento conhecido como Novo Testamento, explica a quem foi dada tal autoridade.

Dr. King: Obviamente quero que me fale sobre isto. Mas antes, foi dito aqui que Israel deixou de ser o povo escolhido por ter rejeitado a Jesus e que esta posição foi preenchida pela Igreja e que os judeus querem fazer parte dessa posição de novo, têm que se converter ao cristianismo. O que o Sr. me diz? Aceita ou não?

Dr. Avraham: Não, não é necessário converter-se, não creio que Israel deixou de ser o povo escolhido e ou muito menos que judeu tenha que se tornar cristão para retomar sua posição de povo escolhido.

Dr. King: Mas o Sr. crê em Jesus como Messias, não?

Dr. Abraham: Eu não creio que este Jesus criado pela Igreja Católica seja o Messias.

Dr. King: Como? Pode explicar?

Dr. Avraham: Claro que sim. Em primeiro lugar não falamos de Jesus que é uma tradução infeliz do nome hebraico do judeu que requereu ser o Messias. Seu verdadeiro nome foi Yehoshua e a abreviação deste nome é Yeshua. Tristemente a tradução do nome não é simplesmente um assunto gramatical, mas também algo mais sério, um assunto de teologia.

Dr. King: Poderia explicar, por favor?

Dr. Avraham: Claro que sim, com muito prazer. Yeshua foi um judeu que viveu dentro da comunidade judaica de Israel entre os primeiros 30 anos da era atual. Em seus dias, o Templo de Jerusalém estava de pé com todos os sacerdotes e levitas oficiando os sacrifícios diários estabelecidos pelo Eterno ao nosso povo.

Como judeu que foi, enquanto era criança, subia com seus pais todos os anos para as três festas anuais que todo judeu está obrigado a santificar em Jerusalém. Nas outras podia faltar, mas nestas três não. Estas festas eram: Pésach (Páscoa) Shavuot (Pentecostes) e Sucot (Tabernáculos). Como é evidente, o mundo de Yeshua foi o mundo judeu: a lei de Moisés, o Templo, os sacerdotes, os levitas, os juízes de Israel, os mestres e as diferentes escolas de pensamento hebraico de seus dias: fariseus, saduceus, essênios, sicários, zelotes, etc.

Dr. King: O que o Sr. está dizendo é que Jesus, ou seja, Yeshua não foi cristão.

Dr. Avraham: O Sr. Mesmo disse. Yeshua não foi cristão, não havia cristianismo em seus dias. Somente judaísmo. Portanto, as palavras de Yeshua, têm que ser entendidas à luz do Judaísmo, não do Cristianismo que veio depois, uns 300 anos mais tarde.

Dr. King: Então o Sr. afirma que o Cristianismo é um fato religioso posterior a Yeshua.

Dr. Avraham: Correto. Não somente posterior a Yeshua historicamente falando, mas que não representa o ensinamento real de Yeshua, nem de seus ditos nem de sua vida.

Dr. King: Por que não os representa?

Dr. Avraham: Porque suas palavras foram interpretadas à luz do helenismo greco-romano, não à luz do Judaísmo.

Dr. King: O que o Sr. quer dizer é que a interpretação que fez o Cristianismo de Jesus, quero dizer, Yeshua, é muito diferente da interpretação judaica?

Dr. Avraham: Isto é o que quero dizer. A Igreja surge num contexto diferente ao de Yeshua. Ela existe fora de Israel, em meio à comunidade gentia, imperial e pagã. Não dentro do judaísmo. Então a missão mais importante da Igreja foi como ganhar os pagãos para a nova fé. E com o objetivo de tornar tal esforço mais sofrível e conhecido, agregaram os ditos e ensinamentos de Yeshua, que eram judeus, à linguagem e cultura dos pagãos. O resultado foi a distorção da mensagem judaica a respeito do Messias judeu.

Dr. King: Então o que conhecemos hoje como a mensagem cristã não necessariamente foi a mensagem original de Jesus, ou seja, de Yeshua.

Dr. Avraham: Correto. Suas palavras foram entendidas e explicadas à luz da filosofia helenista e do paganismo, não à luz do Judaísmo. E o resultado deste feito foi o surgimento da Igreja Cristã, ou seja, o Cristianismo Católico tem muito pouco de sua essência original, ainda que guarde muitas de suas formas externas, mas fundamentadas em dois fatos chaves: transferência seletiva e substituição absoluta.

Dr. King: O que significa, Dr. Avraham, o que o Sr. chama transferência seletiva e substituição absoluta?

Dr. Avraham: Significa que a Igreja Católica, fundamentada em uma série de ensinamentos que já vinham sendo dados por alguns líderes cristãos, obviamente não judeus, a partir do segundo século, como por exemplo, Inácio de Antioquia, quem afirmou que Israel havia deixado de ser o povo escolhido e substituído pelos cristãos, desenvolve uma teologia de substituição, ou seja, ela é agora um novo Israel, o novo povo  do Eterno, os judeus foram rejeitados e substituídos pelos cristãos e fora isso, uma teologia de transferência seletiva, ou seja, as bênçãos que inicialmente haviam sido dadas para Israel, agora são passadas ou transferidas para a Igreja, mas as maldições creditadas aos judeus rejeitados  pelo Eterno. (Ler Efésios 2:11-22 e Romanos 11:17-20)

Dr. King: Em outras palavras, o bom para cá e o mau para lá…

Dr. Avraham: Exatamente. Isto sucedeu e o resultado é a criação de uma entidade religiosa completamente separada e divorciada de sua matriz judaica e em ocasiões, não somente separada e divorciada, mas sua pior inimiga. Creio que ninguém duvida da grande inimizade que causou o Cristianismo Católico a tudo o que fosse judaico, as perseguições, as cruzadas, a inquisição e finalmente o holocausto nazista. Tristemente, tudo isso em nome da fé cristã e em nome de Jesus.

Dr. King: E como pôde acontecer isto? Não deveria haver um sentido de gratidão ao povo judeu por parte da Igreja?

Dr. Avraham: As coisas não aconteceram de um dia para outro. Foi um processo que levou anos, séculos. E tudo começa quando os postulados básicos do Judaísmo são ignorados para se tornarem acessíveis aos pagãos, para evitar a censura romana, que era o império naqueles dias e que estava em guerra contra os judeus, são eliminadas todas as práticas e princípios judaicos que inicialmente desfrutaram os crentes em Yeshua, o calendário é alterado para não conter nada judaico nele, as datas bíblicas são substituídas por datas de celebração pagã e os judeus são acusados de serem os culpados da morte de Cristo. Isto foi criando uma separação, um ódio ao povo judeu que se transforma em um movimento anti-semita de proporções mundiais até nossos dias. Este processo foi o que eventualmente, com a conversão do imperador Constantino ao cristianismo por razoes políticas, não religiosas, ou seja, para usar o cristianismo como ferramenta política, criou as condições para o Santo Império Romano, ou seja, o Cristianismo se transforma na religião oficial do Estado com um objetivo: criar um governo mundial que domine o mundo inteiro, pois assim pensaram que seria o domínio de Cristo na terra.

Dr. King: Então o cristianismo não existiu no primeiro século… É isto que o Sr. quer dizer?

Dr. Avraham: O cristianismo não tem nada a ver com o movimento de crentes não judeus do primeiro século. O cristão de Antioquia nos dias de Paulo, não tem nada a ver com o cristão de Roma três séculos mais tarde. São duas coisas completamente diferentes, em perspectiva, estado, doutrina e cultura. Como do dia para noite. Tristemente o Cristianismo formado assim, ou seja, a Igreja Católica ou universal veio a ser a antítese do movimento cristão do primeiro século.

Dr. King: O Sr. tem dito coisas extremamente importantes aqui que nos dão muita luz para entender certas coisas que em minha mente, por exemplo, não podia entender. Eu não podia entender como o cristianismo pôde ser anti-judaico e anti-semita. Creio que agora percebo porque. Isto é revelação para mim. Mas tenho uma pergunta: Foi para esta Igreja Católica e anti-semita como o Sr. tem afirmado, que se revelou o Novo Testamento? Porque se é assim, como poderemos confiar nestes documentos? São confiáveis os documentos que a Igreja declara como seus e que tem dado ao mundo como palavra segura e inspirada de Yeshua e seus apóstolos? Em outras palavras, o Sr. recomenda, como judeu, o Novo Testamento editado pela Igreja Católica? Gostaríamos de escutar sua opinião.

Dr. Avraham: A fidelidade  do Eterno supera as debilidades do homem. E a maldade do homem não anula a fidelidade  do Eterno, nem Sua Palavra. Isto é certo ao que se refere às Escrituras Hebraicas, à Bíblia Hebraica e é certo ao que se refere a qualquer outra verdade que o  Eterno tenha desejado preservar para o homem. Nesta ampla realidade da fidelidade  do Eterno, aceitamos que o documento conhecido como Novo Testamento contem uma riqueza e uma herança magnífica dos ensinamentos originais de Yeshua, nosso Adón (Senhor), nosso Messias e assim como de seus discípulos originários.

Dr. King: O Sr. diz “contem”. Significa que nem tudo está ali?

Dr. Avraham: Exatamente, nem tudo está ali. De fato o próprio testemunho interno deste documento conhecido como Novo Testamento, ao qual chamamos Código Real, revela que as palavras e feitos de Yeshua superam excessivamente o que foi escrito dele. Um de seus discípulos, por exemplo, afirmou que se fossem escrever uma por uma, não caberiam no mundo os livros que teriam que ser escritos. João 21:25.

Dr. King: E onde estão estes livros?

Dr. Avraham: Esta coleção de livros que conhecemos como Novo Testamento não se formou de um dia para outro. Nem os próprios discípulos de Yeshua tiveram idéia, talvez de que se editariam todos juntos e formariam um livro. Nem entraram num acordo com outros para fazer isto. Cada qual escreveu de acordo com a situação particular em que se encontrava e suprindo as necessidades específicas das comunidades de crentes que haviam se formado. Entretanto, como regra geral, os próprios apóstolos tinham conhecimento dessas cartas e as valorizavam. Ao menos isto é o que nos indica o Apóstolo Kefa (Pedro), por exemplo, em uma de suas cartas, em relação aos escritos do Apóstolo Paulo. Por isso existem cartas endereçadas à indivíduos em particular e à comunidades em particular para resolver problemas particulares daqueles dias. Por outro lado, é impossível crer que tendo Yeshua tantos discípulos, somente dois ou três escreveram suas memórias e seus ditos. E é impossível crer que sendo tantas as comunidades surgidas por onde queira, tanto judaicas como gentílicas, outras cartas e documentos semelhantes aos que agora temos, não fossem escritos. A arqueologia tem um grande trabalho adiante e grandes surpresas nos esperam.

Por outro lado, sabemos que muitos documentos hebraicos antigos foram queimados pela Igreja em lugares públicos. Muitos desses documentos em hebraico eram cópias de outros documentos em hebraico escritos pelos apóstolos. Talvez tenham se perdido para sempre. Além do mais, quando a Igreja selecionava este ou aquele documento como válido, os que tinham outros rolos não aceitos ou reconhecidos pela Igreja, ou que não foram mencionadas pela Igreja em seus concílios, os escondiam e possivelmente apareçam em qualquer momento. Talvez não, talvez tenhamos perdido. Seria uma grande perda, certamente. Minha esperança é que muitos destes documentos apareçam.

Dr. King: O Sr. mencionou algo interessante, que foi a Igreja, mediante seus concílios quem editou o Novo Testamento como o conhecemos agora.

Dr. Avraham: Certo. Foi a Igreja Católica quem editou o Novo Testamento como o conhecemos hoje em dia. Não talvez porque quis, mas porque foi obrigada, em certo sentido, a fazer isto.

Dr. King: Como “foi obrigada a fazer isto”?

Dr. Avraham: Quando morrem os apóstolos e a geração de seus discípulos e começa o segundo século, existem fatores políticos que não podemos perder de vista que influenciam em fatos que vão ocupando lugar dentro das fronteiras do império romano e além de seus limites. Uma grande guerra havia terminado no ano de 73, na qual Roma saiu ganhando militarmente. Muitos judeus morrem, outros são perseguidos, expulsos de sua terra e têm que ir ao exílio e muitos deles vivendo clandestinamente para salvar suas vidas. Um movimento de resistência judaica surge e Roma sabe disto. De fato, a guerra explode de novo em 132 com grandes baixas romanas e a conquista de Jerusalém pelos judeus daquela geração.

Uns anos depois, os romanos ganham finalmente a guerra e outra vez o judeu tem que se esconder entre as nações e dispersar-se entre os povos. Isto foi assim até recentemente quando se cria em nossos dias o moderno Estado de Israel. A principio, os crentes, isto é, seguidores de Yeshua não judeus, são perseguidos também por Roma porque pensavam que tinham se tornado judeus devido à similaridade de suas práticas e crenças judaicas.

Dr. King: Quer dizer que no princípio não havia separação entre a sinagoga e a igreja.

Dr. Avraham: No princípio não havia, pois se fixaram as pautas da maneira como deveriam viver os gentios que se convertiam ao Elohim de Israel, que não tinham que se tornar judeus ou viver como judeus necessariamente. Os crentes seguidores de Yeshua não judeus foram aceitos nas comunidades judaicas nazarenas e havia paz entre ambos os grupos. Obviamente sempre existem problemas e queixas, onde há gente, há dificuldades, mas doutrinalmente e socialmente não havia separação. Quando os judeus são perseguidos por Roma, os crentes em Yeshua, não judeus, foram perseguidos por Roma.

Dr. King: Porque Roma pensava que tinham se tornado judeus.

Dr. Abraham: Correto. Então, para evitar a perseguição romana, os crentes em Yeshua não judeus, tentam demonstrar às autoridades imperiais, que eles não são judeus nem têm ligação com o Judaísmo. Para provar isto, mudam seu culto, seu dia de adoração passa do sétimo (Shabat) para o primeiro (Domingo), ordenado por Roma, mudam as festas bíblicas e as substituem pelas festas religiosas pagãs do império, mas agora cristianizadas e desta maneira, o cristianismo distancia suas tendas de Jerusalém e as levanta cada vez mais perto de Roma. O apoio cristão posterior ao império e a cristianização oficial do mesmo, como expliquei antes, culminam esse processo até a primeira metade do século quadro da era atual.

Entretanto, dentro do próprio cristianismo, havia diferentes perspectivas, diferentes posições, divisões, rivalidades etc. Um dos lideres cristãos do século segundo, chamado Marción, filósofo grego e expert em religião do estado romano para a época, filho de um líder cristão reconhecido, se muda para Roma e estabelece uma escola de pensamento cristão com ideias helenistas e filosóficas, especialmente de corte gnóstico.

Marción, foi o primeiro homem que se atreveu a chamar a Bíblia hebraica (o Tanach, que contem os 5 livros da Lei dada  pelo Eterno à seu povo, através de Moisés, Profetas e Escritos) “o Antigo Testamento”. O chamou Antigo Testamento porque pensava que seu conteúdo já não tinha aplicação para os crentes em Jesus (Yeshua, o Messias), e que havia sido substituído pelo Novo Testamento. Disse que era um livro antigo e que pertencia somente aos judeus e que carecia de valor para os cristãos. Marción ensinou que no Antigo Testamento (O Tanach) não havia graça e que a graça aparece pela primeira vez no Novo Testamento (Código Real). A divisão que hoje temos em nossas Bíblias do Tanach e Código Real, mal conhecido como Antigo e Novo Testamento existe por causa deste homem, Marción.

Segundo seus ensinamentos, o Elohim do “Antigo Testamento” era um Elohim de juízo e condenação, mas o Elohim do “Novo Testamento” é um Elohim de graça e amor. Ainda que alguns líderes da Igreja Católica declarem Marción um herege, a rejeição das Escrituras que ele difundiu criou raiz e prosperou escabrosamente.

Este homem chamado Marción, deu uma lista dos livros que ele considerava que deveriam ser recebidos pelos cristãos como autênticos. E essa lista dada por Marción para seu movimento, o “Marcionismo”, criou uma revolução dentro do movimento cristão.

Dr. King: E que livros ou documentos estavam nesta lista de Marción?

Dr. Avraham: Ainda não existia o chamado Novo Testamento. Existiam cópias de cartas e de evangelhos que circulavam entre as comunidades e algumas eram muito conhecidas por todo o mundo. Mas não havia algo como “Novo Testamento”. Quando Marción publica sua lista, inclui 10 cartas de Paulo e o evangelho de Lucas, o companheiro e estudante de Paulo. Isto criou um cisma no cristianismo, como era de se esperar e ele fez com que os líderes cristãos se unissem para decidir o que fazer com Marción. Excomungaram Marción, o declararam herege, o circularam entre as comunidades e deram a conhecer uma lista de livros que todos os cristãos podiam ter como confiáveis. Havia muitos documentos circulando e cópias de documentos. Em total apareceram uns 5,000 manuscritos, em grego, destes escritos. Como podemos imaginar, selecionar entre 5,000 manuscritos, alguns dos quais somente contêm umas linhas, é uma tarefa muito difícil. Além do mais, existem citações antigas de ensinamentos e expressões de Yeshua que não aparecem sequer nos manuscritos gregos, e isso indica que houve outra fonte antiga, possivelmente hebraica, da qual se traduziu ao grego.

Dr. King: Em que idioma falou Yeshua?

Dr. Avraham: Seguramente não dava seus discursos e ensinamentos em grego nem em latim. Antes acreditávamos que o aramaico era a língua materna entre os judeus em Israel, agora sabemos pela arqueologia e os descobrimentos dos rolos do mar morto que era o hebraico, mesmo havendo expressões aramaicas, incluso gregas que foram adotadas na linguagem cotidiana. Portanto, podemos ter quase certeza que Yeshua falou em hebraico, logo seus ensinamentos se traduziram para outras línguas, através do grego, a linguagem internacional daqueles dias.

Dr. King: Realmente estou me deleitando com toda esta informação e espero que nosso auditório também. Entretanto, há um assunto crucial nisso tudo. O Sr. é judeu e crente em Yeshua, como o Sr. disse, como o Messias prometido a Israel. Certo?

Dr. Avraham: Certo.

Dr. King: Em um programa prévio tivemos aqui dois bons amigos, o Dr. Pio doche e o Dr. Martín, católico e protestante, respectivamente. E foi debatido o assunto de quem tem a autoridade para determinar o conteúdo da fé cristã e, sobretudo quem tem a autoridade para estabelecer quais livros devem ser considerados inspirados e quais livros não, ao que se refere à Bíblia, mas especialmente o Novo Testamento. O Dr. Pio doche afirmava que somente a Igreja Católica tem essa autoridade. Mas o Dr. Martín, afirmava que a Bíblia em si é sua própria autoridade. Em resposta, o Dr. Pio doche estabeleceu que se não fosse pela Igreja Católica, os protestantes e evangélicos não teriam Novo Testamento e que, portanto, eles deviam gratidão e sujeição à Igreja Católica, porque somente ela tem demonstrado historicamente, ser a receptora da revelação de Jesus como o Messias e do Novo Testamento como escritura inspirada e válida para todos os cristãos.

Dr. King: Vocês, os judeus crentes em Jesus como o Messias, quero dizer, Yeshua, estão sujeitos também à autoridade da Igreja Católica ao que se refere a ela ser a receptora da revelação do Novo Testamento e quem tem definido os livros que devem fazer parte do mesmo? Dr. Avraham, queremos escutar sua resposta.

Dr. Avraham: Para responder esta pergunta, usarei dois argumentos:

Primeiro, o argumento interno do próprio Novo Testamento. Segundo, o argumento histórico. Vamos ao primeiro, o argumento que encontramos no próprio Novo Testamento.

Primeiro: 1 Timóteo 3:16 afirma: “Toda a Escritura é inspirada  pelo Eterno…” Quem escreve isto? Um católico ou um judeu? Um judeu. Portanto, é um judeu quem está dando testemunho e dizendo que “Toda a Escritura é inspirada  pelo Eterno”.

Segundo: Quando diz “toda a Escritura”, a que se referia? Ao Novo Testamento ou à Bíblia Hebraica? Não ao Novo Testamento, não existia algo como o Novo Testamento. Portanto, é a Bíblia Hebraica. Assim, o próprio testemunho do documento que a Igreja Católica chamou Novo Testamento, afirma que a Escritura Inspirada é a Bíblia Hebraica, portanto, o Novo Testamento fica de fora desta declaração porque não existia, o único que existia era a Bíblia Hebraica: A Lei  do Eterno dada por meio de Moisés, os Profetas e os Salmos (Tanach).

Dr. King: Então o Sr. não considera o Novo Testamento como inspirado?

Dr. Avraham: Não disse isso. Eu disse que no momento em que Paulo afirma que “toda a Escritura é inspirada  pelo Eterno”, ele não tinha em mente algo como Novo Testamento, porque não existia o Novo Testamento. Somente existia a Bíblia Hebraica. Em outras palavras, quando Paulo visitava as comunidades judaicas do primeiro século, não ia levando consigo o evangelho de Mateus, o de Marcos, o de João ou a Carta de Pedro, nem o Apocalipse. Essas escrituras vieram depois, se formaram depois. Historicamente então, a Escritura Inspirada que Paulo falou foi a Bíblia Hebraica (A Torá ou Lei dada  pelo Eterno através de Moisés, Os Profetas, Salmos).

E tem mais, no Novo Testamento, em Romanos 3:1,2 diz o seguinte: “Que vantagem tem o judeu? De que se aproveita a circuncisão? Muito, em todo sentido; primeiramente, porque lhe foi confiada a Torá  do Eterno, ou seja, a Lei  do Eterno, as Sagradas Escrituras”. Como é evidente, o que o próprio Novo Testamento afirma é que tudo o que seja palavra inspirada  do Eterno, lhe foi confiada… à quem? À circuncisão, isto é, ao povo judeu. Então são os judeus os receptores e guardiões e protetores da Palavra  do Eterno. Qualquer que afirme que este ou aquele livro é palavra  do Eterno, deve saber que são os judeus os receptores de tudo o que seja Palavra  do Eterno por decreto divino.

Dr. King: Bem, tento acompanhar o raciocínio. O Sr. afirma que o próprio testemunho do Novo Testamento, é quem define quem tem a autoridade em relação às Escrituras.

Dr. Avraham: Correto. E se alguém perguntar: Onde estava a Igreja Católica quando Rav Sha’ul, um judeu, escreve um testemunho como este? Se a Igreja Católica requer autoridade com base em sua historia, onde estava ela quando Paulo disse isto? Mas tenho mais uma evidência. Em Romanos 9: 4,5 está documentado: “Que são israelitas, a quem pertence à adoção, a glória, os pactos, a promulgação da lei divina com suas ordenanças de serviço e as promessas; de quem são os patriarcas e dos quais, biologicamente, veio o Messias…” De novo Rav Sha’ul fala da paternidade da revelação e afirma que é o povo judeu quem o Eterno escolheu como depositário da adoção, da glória, dos pactos e da promulgação da lei divina…”. Dr. King, diante desta evidência, a pergunta que temos que fazer é: Foi a Igreja a quem o  Eterno escolheu ou foi a Israel? Quem é a receptora da revelação, dos pactos, das promessas, das Escrituras, a Igreja Católica ou Israel? A resposta é: não é a Igreja Católica, e sim Israel.

Dr. King: Isto soa muito lógico. Não?

Dr. Avraham: Mas ainda tem algo mais: Se isto que diz Paulo está certo que o  Eterno confiou aos judeus as Escrituras, os pactos e a promessa, então tudo o que seja Escritura, pertence ao povo judeu. Em outras palavras, se os escritos do Novo Testamento são palavra  do Eterno inspirados como a Torá e os Profetas, então pertencem à comunidade de Israel, não à Igreja, porque já foi provado pelo próprio Novo Testamento, que Israel é o depositário, não a Igreja. E se pertencem à Igreja, então não é palavra inspirada  do Eterno como a Torá, porque já vimos que tudo o que é palavra inspirada  do Eterno, pertence a Israel, o receptor da revelação. E se muda o receptor, se destrói a revelação. Não devemos esquecer disto.

Dr. King: Estou tentando entender seu argumento. Poderia explicar um pouco mais?

Dr. Avraham: Claro. Veja, em Efésios 2:20, Paulo diz: “Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo a pedra principal angular, o mesmo Yeshua HaMashíach”. O contexto demonstra que Rav Sha’ul (Paulo) está falando para crentes de origem judaica que haviam feito sua conversão oficial ao Elohim de Israel como o único Elohim verdadeiro, que haviam abandonado seus ídolos e costumes pagãos e se esconderam debaixo das asas da Shechinah (Presença Divina). Onde cabem? Onde estão localizados? Num edifício que tem um fundamento. Qual é o fundamento? Os apóstolos e profetas sendo Yeshua como Messias, a pedra principal angular. Consequentemente o que suporta todo o edifício é seu fundamento, ou seja, os ensinamentos dos apóstolos e profetas que estiveram com Mashíach, todos os quais foram judeus.

Consequentemente, a autoridade dos escritos que formam esta coleção conhecida inapropriadamente como “Novo Testamento”, não vem por outra via além do seu fundamento que sustenta todo o edifício. Sem este fundamento, não há edifício. E o fundamento é judaico, não cristão. A autoridade então, dos escritos agrupados no Código Real, chamado Novo Testamento vem pelo seu autor e não pelo seu destinatário.

Dr. King: Creio que esse é um pensamento que o Sr. deveria repetir, que a autoridade vem pelo autor e não pelo destinatário. Que quer dizer com isso?

Dr. Avraham: Se a Igreja Católica ou Protestante debatem se este sim ou este não, é um problema deles. Para nós, os judeus, se o autor é judeu, debaixo da autoridade de Yeshua ou sob a autoridade direta de um discípulo íntimo de Yeshua, seus escritos têm validade para nós, valor espiritual e legal importante e, portanto, o recebemos e o amamos. Agora temos 27, mas amanha podem ser 29, tudo depende do que o Eterno tenha nos reservado para o futuro. Que coincida com a lista aceita pela Igreja não nos afeta absolutamente em nada em termos de autoridade, como tampouco se coincide com a lista do incorretamente chamado, Antigo Testamento.

Portanto, a grande pergunta que temos que fazer a Igreja Católica é a seguinte: Vocês aceitam os escritos judeus que foram enviados às comunidades judaicas e conversas do primeiro século para lhes instruir acerca de como devem viver dentro da família de Israel? Se os aceitam, se beneficiam. Se não os aceitam, se prejudicam. Mas a autoridade vem por quem faz a pergunta, não por quem a responde. Este é o argumento que se desprende diretamente do próprio Código Real. Pero mencionamos outro argumento, o que vem de a historia, o argumento histórico que vem dado em dos aspectos do mesmo assunto.

Dr. King: Que significa argumento histórico, que existem evidências históricas que provam o contrário?

Dr. Avraham: Em certo sentido. Mas quero dizer, especificamente, que vem da própria história. Por exemplo: onde estava a Igreja Católica quando os judeus crentes em Yeshua andavam com ele e receberam de sua boca seus ditos e ensinamentos que foram logo, segundo foi necessário, preservados em forma escrita? A resposta é muito simples: Em nenhum lugar, não havia Igreja Católica nos dias de Yeshua. Havia somente uma comunidade: Israel, o povo escolhido, receptor da revelação, responsável de velar e cuidar da herança da eleição e redenção do mundo. Por exemplo, a Igreja Católica afirma que quando através da cabeça, o papa, fala de assuntos de fé e moralidade, ela, como receptora das chaves do Reino não mente nem erra, porque é assistida pelo próprio Espírito de do Eterno, pelo qual as palavras ex cátedra do bispo de Roma, são infalíveis e sem erros. Afirma-se que esta assistência divina é o que faz com que a Igreja não erre em suas decisões, porque todas vêm diretamente do Céu que deu a ela a autoridade para determinar o que está permitido e o que não está permitido, que se pode crer e o que não se pode crer.

Dr. King: Em outras palavras, a voz ex cátedra do papa, é a voz mesma do  Eterno, inspirado, sem erros, normativo e obrigatório para todos os cristãos e isto é precisamente o que a autoriza para determinar o Índice da Bíblia e do Novo Testamento. Certo?

Dr. Avraham: A pergunta que temos que fazer a Roma é esta: onde estavas tu quando Yeshua apresentava as oferendas no Templo junto a seus pais em Yom Kipur? Onde estavas tu, quando Yeshua comia o cordeiro pascal cada 15 de Aviv com seus pais e irmãos em Jerusalém? Onde estavas tu quando Yeshua estava no Átrio do Templo e quando entrava na Sinagoga cada Shabat para escutar a leitura da Torá e dos Profetas? Onde estavas tu quando Yeshua santificava Shavuot e Chanucá em Jerusalém? Onde está tua “Lista de Conteúdo” desta folha de serviço do nosso Adon Yeshua HaMashíach? Se foi a Igreja a receptora da revelação, onde estava ela para receber nestes dias?

Dr. King: Mesmo assim, foi a Igreja Católica quem fez o Índice do chamado Novo Testamento. Isso não mostra sua autoridade?

Dr. Avraham: Quem colocou o índice ou lista de conteúdos bíblicos, não o fez por sua própria autoridade, mas pela autoridade que está por trás, o testemunho judeu fundamentado na eleição divina e os decretos do Altíssimo. Porque somente se quem escreveu é judeu ou um discípulo direto ou sob a supervisão de um judeu íntimo do Maestro, é válido. Em outras palavras, a Igreja Católica não fez outra coisa além de aceitar que o testemunho judeu vindo dos judeus é confiável. Mas o que torne esses escritos confiáveis não é o testemunho da Igreja, e sim a credibilidade do escritor. E os escritores são judeus, ou por nascimento ou por eleição. Yeshua disse: “A salvação vem dos judeus” (João 4:22). O Eterno fez seu Filho nascer dentro do povo judeu.

Dr. King: Então o Sr. diz que a autoridade não está na Igreja.

Dr. Avraham: A autoridade de um livro da Escritura não depende de nenhum homem ou instituição, depende de seu próprio valor procedente da Torá, de Israel e da autoridade de nosso Adon Yeshua e seus emissários íntimos. Se não vem de um emissário íntimo, que por sua vez vem do Mashíach que por sua vez vem da Escritura, sabemos que não é inspirado pelo  Eterno.

Dr. King: E isto aplica ao restante da Bíblia também?

Dr. Avraham: Também. Se não vem por um profeta o um discípulo íntimo de um profeta, que por sua vez vem da Torá dada pelo  Eterno a Moisés, sabemos que não é inspirado pelo  Eterno. Pode ser um bom livro, magnífico, válido para certas coisas, mas não para fazer parte disso que nosso Adon, Yeshua HaMashíach chamou: “A Torá, os Profetas e os Salmos”.

Dr. King: O que o Sr. está dizendo então é que somente se o livro em questão segue esta linha, é confiável.

Dr. Avraham: Correto, e que assim o possamos aceitar e receber. E nesse processo, a Igreja Católica ou Protestante não é depositária nem receptora, somente beneficiária, como o restante da humanidade. A depositária da revelação é Israel e, portanto, recai sobre os judeus a responsabilidade de ensiná-la ao mundo. Este não é o caso de um cristão, por exemplo, porque tudo o que um cristão conhece de sua fé vem do próprio Novo Testamento e, portanto, não tem nenhum elemento externo para verificar se seu conteúdo é válido ou inválido.

Dr. King: O que o Sr. insinua é que a única opção de um cristão é confiar na autoridade que a Igreja diz ter, para selecionar quais livros são e quais livros não são.

Dr. Avraham: Correto. Queria detalhar isto, se me permite: Mesmo que um livro seja escrito sem erros, não é suficiente para determinar sua inspiração e infalibilidade divinas. Portanto, o cristão, protestante ou evangélico não tem outra opção além de confiar na Igreja Católica nisto, ainda que inconsistentemente, é claro, rejeite seus ensinamentos, dogmas e doutrinas cristãs.

Dr. King: Isto não se aplica ao judeu também?

Dr. Avraham: Absolutamente não, por uma simples razão: os judeus têm a Torá, têm a palavra profética mais segura e tudo o que seja incompatível com a Torá, não vem do Eterno e não podemos receber como inspirado pelo Eterno. E neste sentido, somente o  Eterno tem a autoridade e somente o Eterno conhece com absoluta certeza quais livros são inspirados divinamente e quais não e esta decisão ele decidiu comunicar à comunidade de Israel, não a uma pessoa em particular. Fora de Israel, nem o bispo de Roma, nem os concílios cristãos, nem o de Nicéia nem o de Trento nem o Vaticano Segundo, nem os que venham, tem autoridade para determinar o que é inspirado e que não o é.

Dr. King: Há algum critério então pelo qual vocês determinam a legitimidade de algum escrito religioso?

Dr. Avraham: Temos três critérios fundamentais.

Seu autor foi um judeu discípulo de Yeshua o Messias sob sua autoridade? Se a resposta é positiva, o livro em questão vai se tornando qualificado.

É compatível com os Profetas? Se a resposta é positiva, o livro em questão segue se qualificando.

É compatível com a Torá? Se a resposta é positiva, o livro em questão pode então ser aceito, porque somente dos Profetas e da Torá sabemos com certeza que o  Eterno é o autor.

Se faltar um destes três princípios básicos, não qualificam. Consequentemente, como judeus crentes em Yeshua como o Profeta anunciado por Moisés (Deuteronômio 18:15), isto é, o Mélech HaMashíach (O Rei Messias). Quando temos em nossas mãos estes escritos conhecidos como Novo Testamento, não estamos recebendo seu Índice da Igreja Católica, e sim de seu conteúdo hebraico que é o fundamento de sua validade como a Torá oral de nosso Mestre, Yeshua HaMashíach para que saibamos como devemos cumprir a Torá e aplica-la em nossas comunidades, famílias e vidas pessoais, no caso do judeu.

Dr. King: E se a pessoa não é judia?

Dr. Avraham: Se a pessoa não é judia, estes livros tem a intenção de mostrar como deve viver um convertido sincero (Romanos 11:17) dentro da comunidade de Israel e retendo o testemunho de Yeshua como Mashíach. Não se eu “sinto que o livro fala comigo”, não é se “me faz bem quando estou com problemas” o que determina a inspiração de um livro. Porque se for assim, o Alcorão também seria inspirado pelo que os muçulmanos falam do alivio espiritual que sentem quando o lêem. O que determina a validade vem do simples dito: é compatível com a Torá? Sim ou não? O Alcorão é compatível com a Torá? Não. Portanto, não vem do Elohim de Israel. Esta é a medida para avaliar nossos livros e nossa verdade. Eu não creio no Elohim porque a Igreja Católica o disse, creio em Elohim porque se revelou pessoalmente a meu povo no Sinai e nos deu Sua Torá e nosso povo tem mantido sempre o testemunho de esta revelação. Da mesma maneira, o Novo Testamento. Não é assunto da Igreja, é assunto do nosso povo, de nossos profetas, do nosso Adon Yeshua, o Messias judeu que nos foi prometido na Torá. Se o testemunho que recebo está em harmonia com a Torá e é compatível com a Torá, então é válido e o aceito. Mas sua validade vem de sua fonte, de sua raiz e esta raiz é hebréia, não católica; judia, não protestante.

Dr. King: E o Código Da Vinci? Não revela de alguma maneira coisas escondidas pela Igreja Católica que não deseja sob nenhum conceito que nossa geração saiba, especialmente diante a possibilidade de conhecer, por exemplo, que Jesus foi casado, que teve filhos e outras coisas jamais ditas pela Igreja? Há algo que está escondido aqui?

Dr. Avraham: Certamente, por muitos séculos a Igreja tem tratado de ocultar grandes verdades. Tem ocorrido muita investigação histórica e bíblica em relação ao Vaticano que demonstram as suspeitas de muitos, especialmente de aqueles que não tem interesses religiosos, econômicos e políticos relacionados com Roma. Mas o Código Da Vinci é ciência ficção… até agora. Creio que a ordem dos Jesuítas formada por Ignácio de Loyola no século 16, representa uma maior atração histórica que Isaac Newton e Leonardo Da Vinci.

Dr. King: O Sr. crê nestas mensagens ocultas nesses famosos quadros e paredes em certas catedrais antigas?

Dr. Avraham: Não estão demonstrados, é ciência ficção. Mas a mensagem abre uma porta para a correta investigação histórica, juntamente com a publicação do Evangelho segundo Judas.

Dr. King: E qual é a melhor maneira de entender corretamente as palavras de Jesus e do Novo Testamento em sentido geral?

Dr. Avraham: Através do Código Real, a Versão Textual Hebraica do chamado Novo Testamento, feita através do resultado de investigação arqueológica, histórica, linguística e exegética judaica, seguindo os princípios de interpretação bíblica do Judaísmo e dando ênfase, como se deve ser, ao hebraico da mensagem de Yeshua e de seus Emissários.

Dr. King: O que significa Código Real? Algo como o Código Da Vinci?

Dr. Avraham: Nada a ver. O Código Real, a Versão Textual Hebraica do chamado Novo Testamento surge sem ter nada a ver com a novela de Dan Brown. Chama-se “Código” porque está escrito em diferentes níveis de interpretação, típico do Judaísmo. E “Real” porque está relacionado com a realeza de Israel, isto é, a Casa de David. Pero não tem relação alguma.

Dr. King: Pode, de alguma maneira o Código Real, ser uma versão que freie o impacto secular que poderia causar o filme anunciado sobre o Código Da Vinci?

Dr. Avraham: Sem dúvida, se alguém deseja conhecer a verdade, a verdade histórica e científica dos ditos e ensinamentos de Yeshua, o melhor que pode fazer é adquirir uma versão do Código Real e ler com a mente e coração abertos, sem prejulgamentos teológicos. Porque aqui se apresenta uma perspectiva correta das palavras de Yeshua e seus emissários, isto é, a perspectiva hebraica, a única válida para estudar um documento judaico do primeiro.

Dr. King: E onde se pode adquirir?

Dr. Abraham: Visitando a página www.codigoreal.com ou www.amazon.com e buscando por Código Real. Ou em sua livraria favorita.

Dr. King: Dr. Avraham, obrigado por estar conosco. Sem dúvida aprendemos muitas coisas interessantes. Gostaria de fazer outra entrevista, se o Sr. aceitar é claro.

Dr. Avraham: O prazer foi meu. Espero que não somente o Sr., mas todos os que assistiram a este programa, também aprendam, todos vivemos aprendendo, e devemos continuar toda vida aprendendo. A informação correta nos livra da morte, se agimos em consequência com a verdade. Para mim será uma honra estar de novo em seu programa. Estamos a suas ordens.

Dr. King: Senhores, o tempo está esgotado. Foi um prazer conversar com um judeu crente em Yeshua como Messias e ouvir dizer que a autoridade não está nem no Protestantismo nem no Catolicismo, e sim em Israel. Que o próprio  Eterno, por decreto celestial, preparou e confiou à Israel tudo o que seja Sua Palavra. Entendi bem Dr. Avraham?

Dr. Avraham: Creio que você é um bom aluno. Obrigado.


Deus: A Conspiração Romana

fevereiro 20, 2010

Por Sha’ul Bentsion

Introdução: O Pano-de-Fundo de uma Conspiração

O ano é 405DC. No auge de Roma, recém-fortalecida por seu famoso Concílio de Nicéia[1], um bispo de nome Jerônimo[2] conclui a sua tradução da Septuaginta[3] para o Latim. Essa tradução populariza exatamente o conceito que fez do Cristianismo, a nova roupagem da antiga religião pagã romana, tão popular no império.

Muitos esforços foram feitos em Roma, por Inácio[4]Constantino[5], e outros, para estabelecer uma religião unificada que assegurasse a pax romana. Afinal, quem controla a religião, contra as massas. Quem controla as massas, controla o império. Essa religião híbrida, que tomou emprestado alguns conceitos judaicos da seita dos nazarenos, na realidade, mantinha antigas estruturas do politeísmo romano, de modo que os pagãos puderam confortavelmente encontrar seu nicho na nova fé. O processo foi semelhante ao sincretismo do Catolicismo com as religiões afro, no Brasil colonial.

Ave, Deus!

Não se pode contar com o apoio dos pagãos, ou converter as massas, fazendo oposição às suas crenças já existentes. O ideal é buscar a aproximação, e não o confronto. Porém, os bispos da nova religião romana tinham um problema: não podiam negar o panteão primitivo com as suas divindades, mas ao mesmo tempo, precisavam estabelecer as fundações do monoteísmo.

A solução engenhosa, mais tarde copiada por Mohammad (Maomé) quando lidou com o politeísmo árabe, era fortalecer a figura do chefe do panteão – enaltecê-lo como um Ser Supremo, tão poderoso que as demais figuras ficavam ofuscadas. Como falar do Elohim dos hebreus, esse ser desconhecido, para um grupo de romanos politeístas? A reposta é: através do sincretismo!

O panteão romano era derivado do que historicamente se conhece como o panteão Proto-Indo-Europeu. O panteão Proto-Indo-Europeu é o nome conceitual dado às origens de um sistema politeísta que floresceu e deu origem, posteriormente, às principais religiões pagãs da Europa, e do Oriente.

O Panteão Proto-Indo-Europeu era governado por um ser supremo, de nome Dyeus. Dyeus era conhecido como a divindade do céu iluminado – e sua posição no panteão Proto-Indo-Europeu era a de um monarca ou patriarca.

De Volta às Origens

Curiosamente, a maioria dos estudos arqueológicos e antropomórficos apontam para a origem do panteão Proto-Indo-Europeu como tendo origem na região do Iran/Iraque, sendo o Zoroastrismo a religião mais antiga derivada desse sistema religioso. Ou seja, todos os caminhos dessa religião primitiva apontam para Bavel. O berço de Satan e de toda sorte de abominações aos olhos de YHWH. Essa religião, ao que sabemos pelos relatos bíblicos, possivelmente tem origem no sistema religioso de Nimrod, Semíramis e Tammuz. A adoração a Mitra, o deus-sol, que era um dos filhos de Dyeus no panteão proto-indo-europeu, também tem sua origem neste fato.

O Panteão: Do PIE ao Romano

Como dissemos antes, a origem do panteão romano no primitivo panteão pronto-indo-europeu é notória, e pode ser observada em diversas de suas divindades, como por exemplo a deusa Venus, cuja origem está em Wenos, a deusa da aurora no panteão proto-indo-europeu. Algumas dessas derivações podem ter surgido diretamente na região da atual Itália, outras indiretas, a medida em que o império romano se expandia e absorvia a cultura de diversas regiões. Há, por exemplo, uma posterior influência da mitologia grega no panteão romano. Porém, o próprio panteão grego também é derivado do panteão proto-indo-europeu.

Deus: O Líder

O líder do panteão proto-indo-europeu, como dissemos, era conhecido como Dyeus. Seu nome, porém, sofreu derivações em diversas regiões. Seguem alguns exemplos:

Em sânscrito, era conhecido como Dyaus, nos balcãs, era conhecido como Dievas, na região de Gaul, tornou-se Diaspater, no grego, ficou conhecido como Zeus, na região da atual Alemanha como Tiwaz, e no latim, inicialmente Jove Pater (Júpiter) – uma derivação de Dyeus Pather – e posteriormente “Deus”.

“Deus” era, portanto, o nome próprio do ser supremo do panteão romano – conhecido como o pai de todos os outros deuses, o senhor da luz. Assim como Zeus, na Grécia, “Deus” (Dyeus/Júpiter) era o mais adorado dentre as divindades do paganismo romano.

Figura 1: Imagem de Dyeus, do Século 4AC, encontrada na Ucrânia

Figura 1: Imagem de Dyeus, do Século 4AC, encontrada na Ucrânia

Roma Exalta o Seu Deus

Consciente, portanto, de que o “convergir” é muito mais eficiente do que “confrontar”, os bispos do recém-formado Cristianismo, a nova religião do império romano, fizeram o que havia de mais lógico: ao se depararem com o Elohim Avinu (Elohim, nosso Pai) do Judaismo e da antiga seita dos Nazarenos, igualaram-no a “Deus”, a divindade-mor dos romanos. Justamente aquilo que a Bíblia mais condena, a maior de todas as abominações, e que é combatida por aqueles que crêem na Bíblia atualmente – o sincretismo que iguala o Eterno a elementos de religiões pagãs – foi feito ardilosamente pelos bispos romanos, selado por Constantino, e consolidado por Jerônimo na tradução da Vulgata.

E hoje, inocentemente, milhares e milhares de pessoas de língua latina (como o português, e o espanhol, por exemplo), inadvertidamente, são levadas à adorarem essa entidade babilônia, o pai das mentiras – o próprio Satan, pensando que ao adorarem a “Deus”, estão adorando a YHWH.

Figura 2: Dyeus-Pater (Júpiter) torna-se o Deus do Cristianismo

Figura 2: Dyeus-Pater (Júpiter) torna-se o Deus do Cristianismo

O “Deus” do Cristianismo, ingenuamente adorado pelas massas, é um dos títulos de Satan/Samael, e não é o Eterno Criador dos Céus e da Terra. Reparem como é sutil e ardiloso o trabalho do inimigo. É através de coisas aparentemente inocentes e bem-intencionadas, que Satan procura a cada pequenino passo desviar a humanidade de YHWH. Essa jogada de Satan faz com que o mundo viole um dos princípios mais básicos estabelecidos por ele: o de colocar outro diante dEle, em Seu lugar.

A Profecia Se Cumpre

Uma dúvida ainda paira no ar. Será que as Escrituras previram esse ardiloso golpe de Satan? O profeta Hoshea (Oséias) responde a essa pergunta. No capítulo 2, Hoshea (Oséias) fala justamente de Efrayim na Galut. Repare o que dizem os p’sukim 16 e 17:

“E naquele dia, diz YHWH, ela me chamará meu marido; e não me chamará mais meu Baal. Pois da sua boca tirarei os nomes dos baalim [ie. divindades pagãs], e não mais se fará menção desses nomes.” Hoshea (Oséias) 2:16-17

Aqui fica bem claro: um dos pecados de Efrayim estava no fato de chamar a YHWH por meio do nome de divindades pagãs. Uma das características da restauração da fé está justamente no fato de YHWH retirar da boca de sua noiva, Israel, os nomes pagãos. YHWH será chamado nosso marido, e não nosso “deus”, nosso “allah”, nosso “budda” ou qualquer outro nome pagão usado por Efrayim para se referir a Ele.

Conclusão

Com o conhecimento, vem a responsabilidade. Somos chamados a sair de Bavel (Babilônia), a abandonar completamente o seu sistema de mentiras, e de enganação. Satan, em seu ardiloso esquema que culminará na religião universal (talvez uma espécie de Cristianismo ecumênico), já tem a sua Igreja, o seu messias anti-Torá e anti-semita, e ainda leva o ser humano a adorar a ele próprio (Deus). Não tardará muito em vermos a humanidade reunida para juntos “adorarem a Deus” (ou a outras variantes – há também em outras línguas termos que descendem de divindades pagãs, como “God” no inglês, etc.) Se somos chamados para sair de Bavel, e se zelamos pela santidade no culto ao Eterno, então conhecendo a verdade, jamais podemos ignorá-la, nem tampouco usar um dos nomes de Satan para se referir ao Sagrado, Bendito seja Ele.


[1] Concílio de Niceia, o primeiro concílio ecuménico do Cristianismo, reunido em Niceia no ano de 325, e que discutiu questões cristológicas (estabelecendo a base da religião cristã, por exemplo, o Arianismo).

[2] Jerônimo de Strídon, seu nome completo é Eusebius Sophronius Hieronymus, é conhecido sobretudo como tradutor da Bíblia do grego antigo e do hebraico para o latim. Na tradição cristã é o padroeiro dos bibliotecários e dos tradutores e patrono das secretárias (inclusive ambos comemorados no dia 30 de setembro). A edição de Jerónimo, a “Vulgata”, é ainda o texto bíblico oficial da Igreja Católica Romana, que o reconhece como Padre da Igreja (um dos fundadores do dogma católico) e ainda doutor da Igreja.

[3] Septuaginta é o nome da versão do Tanach, para o grego, traduzida em etapas entre o terceiro e o primeiro século AEC. em Alexandria. Dentre outras tantas, é a mais antiga tradução da bíblia hebraica para o grego, língua franca do Mediterrâneo oriental pelo tempo de Alexandre, o Grande. A tradução ficou conhecida como a Versão dos Setenta (ou Septuaginta, palavra latina que significa setenta, ou ainda LXX), pois setenta e dois rabinos trabalharam nela e, segundo a lenda, teriam completado a tradução em setenta e dois dias. A Septuaginta foi usada como base para diversas traduções da Bíblia.

[4] Inácio (67 – 110 d.C.) foi Bispo de Antioquia da Síria, discípulo do emissário Yochanan (João), também conheceu Sha’ul (Paulo). Segundo Eusébio de Cesaréia (Hist. Ecl. 3.36,2), Inácio foi o terceiro bispo de Antioquia da Síria e segundo Orígenes teria sido o segundo bispo da cidade (Hom. VI, em Luc. par. 1). Porém diferente dos emissários com quem conviveu e de quem aprendeu, Inácio pregava a separação da chamada igreja universal, composta pelos seguidores do Messias, do Judaísmo, a primazia da Sé de Roma, trindade e a declarava que os cristãos não deveriam mais guardar o Shabat, mas se reunir no dia do Senhor, o qual, segundo ele, seria o domingo.

[5] Constantino I, Constantino Magno ou Constantino, o Grande (em latim Flavius Valerius Constantinus; Naissus, 272 – 22 de Maio de 337), foi proclamado Augusto pelas suas tropas em 25 de Julho de 306 e governou uma porção crescente do Império Romano até a sua morte. Constantino acabou, no entanto, por entrar na História como primeiro imperador romano a professar o cristianismo, na seqüência da sua vitória sobre Maxêncio na Batalha da Ponte Mílvio, em 28 de outubro de 312, perto de Roma, que ele mais tarde atribuiu ao Deus cristão.


Crer somente, ou aceitar Yeshua?

dezembro 31, 2009
Tem sido bastante natural nos depararmos com pessoas dizendo que o critério de salvação estabelecido é aceitar Yeshua O Messias como salvador, entretanto distorcem a realidade deste conceito.
“Basta você vir aqui à frente, levantar as mãos e aceitar o Messias que estará salvo”. “É só aceita-lo como seu único salvador, o resto Ele fará”.
Vocês já ouviram esse tipo de propaganda enganosa? Certamente que sim, pois o mundo esta cheio de adeptos dessas doutrinas. Na verdade, para se obter a salvação é necessário aceita-lo no sentido verdadeiro do verbo “aceitar”. Contradição? Não, tudo depende de qual é a classificação que damos à palavra aceitar.
Existe uma imensa confusão no entendimento das pessoas com relação às palavras crer e aceitar, normalmente as pessoas que expressam essas frases relacionadas acima não entendem o verdadeiro significado do verbo aceitar. Vejam um paralelo para ajudar nosso entendimento:
“Um homem segue para o trabalho, passando por uma rodovia se depara com uma placa indicando que a velocidade máxima é de 40 km/h, muito apressado e achando uma grande besteira andar somente a 40 km/h em uma rodovia, ele mantém os seus 90 km/h.”
Existe uma mensagem codificada pela placa que diz: A velocidade máxima que você pode atingir nesta via é de 40 km/h.
Este homem acreditou nesta mensagem? Sim, ora a placa estava lá, ele não só creu como teve total convicção de que a mensagem existe.
Este homem aceitou aquela mensagem? Não, ele não aceitou a mensagem visto que na concepção dele, não era necessário se adequar a ela. Então, podemos concluir que existe a diferença e que o homem creu e teve convicção de que a mensagem existe mais não a aceitou, caso ele tivesse aceitado, teria reduzido imediatamente a velocidade e admitido que não se poderia ultrapassar aquela velocidade.
O que ocorre com a questão da salvação é exatamente igual, o fulano de tal vai à congregação, acredita em Yeshua, sabe que ele é o Messias de Yisra’el mais não o aceita embora pense que aceitou. Não basta acreditar que Ele é o Salvador, que Ele foi sacrificado, e que Ele é o Messias, muitos dos que fazem o mal também acreditam e tem total convicção destas coisas e nem por isso serão salvos. Quando você diz que aceitou Yeshua como Salvador, você tem que saber que quem aceita Yeshua verdadeiramente, aceita a sua mensagem, seus ensinamentos e tudo que Ele recomendou para trazermos o reino. Muitos não admitem, mais a mensagem primordial que Yeshua nos passou esta contida nos seus ensinamentos de como praticarmos a santa (Kadosh) Instrução (Torah) do CRIADOR, Bendito Seja Ele. Foi Ele mesmo quem disse: “Não vim para abolir, mais para dar plenitude… Se alguém não cumprir e assim ensinar aos homens, será chamado pequeno no Reino, se alguém cumprir e ensinar será grande no reino… Se a vossa justiça (Justiça de pratica da Torah) não for maior que a dos Escribas e Prushim (Farizeus) não entrarão no Reino…”. Essas palavras estão mais do que claras nas escrituras. Há os que dizem que a maior mensagem ou maior ensinamento de Yeshua é o amor, e não a Torah, ou seja, amar a Elohim e amar ao próximo. Para estes eu pergunto, de onde foi que Yeshua tirou estes ensinamentos?
E respondo: Da Torah (Instrução). Aceitar definitivamente não é o simples verbalizar, levantar as mãos ou coisas do gênero, aceitar alguém como Mashiach/Rei/Salvador é admitir todos os seus conceitos e fazer o maximo para segui-los.
E é exatamente neste mesmo conceito que Yochanan (João) nos explica:
Aquele que diz: Eu conheço-o, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade. Mas qualquer que guarda a sua palavra, o amor de Elohim está nele verdadeiramente aperfeiçoado; nisto conhecemos que estamos nele. Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou.
Aqueles que aceitam e conhecem Yeshua aceitam sua mensagem e seus ensinamentos, logo aceitam a Torah (Instrução). Não existe maneira de provar que aceitou o Messias sem aceitar a Torah, ora, o Messias é a própria Instrução (Torah) Viva. Por esta razão, eu encerro esta pequena e humilde reflexão perguntando a você:
Crer somente, ou aceitar Yeshua?

Por Ramon Elber
O CRIADOR, Bendito Seja Ele, Elohim de Avraham seja Louvado! ! !

A Espada de Elohim

novembro 28, 2009

Vamos refletir sobre o que Yeshua diz em Matitiyahu (Mateus) 10: 34-36:

“Não penseis que vim trazer shalom à terra; não vim trazer shalom, mas espada. Porque eu vim pôr em dissensão o homem contra seu pai, a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra; e assim os inimigos do homem serão os da sua própria casa.”

Pode parecer estranho Yeshua, o Sar Shalom (Príncipe da Shalom), dizer que não veio trazer shalom, mas dissensão nas famílias. Mas o que será que ele realmente quer dizer? Ele diz que não veio trazer shalom, mas espada. Que espada? Se olharmos o que Rav Sha’ul diz em Efessayah (Efésios) 6: 17, podemos começar a entender isso:

“Tomai também o capacete da salvação, e a espada da Ruach, que é a palavra de Elohim”.

De acordo com o Rav Sha’ul, a espada é a palavra de Elohim, ou seja, a Torah. Sabemos que, de acordo com o próprio Yeshua em Matitiyahu (Mateus) 5:17, Ele  não veio destruir a Torah ou os profetas; mas cumprir. Os sábios concordavam que um dos papéis do Mashiach seria explicar a Torah. E Yeshua foi a plena revelação do propósito da Torah, nos mostrando na prática como aplicá-la corretamente.

Sabemos também que o mistério da ira contra a Torah tem operando fortemente nos dias de hoje, trazendo engano e afastando pessoas do Caminho do Eterno, conforme dito em Tessalonissayah Beit (II Tessalonicenses) 2:7-12:

“Pois o mistério da ira contra a Torah já opera; somente há um que agora o detém até que seja posto fora; e então será revelado o inimigo da Torah, a quem o Senhor Yeshua matará como o sopro de sua boca e destruirá com a manifestação da sua vinda; a esse inimigo da Torah cuja vinda é segundo a eficácia de HaSatan com todo o poder e sinais e prodígios de mentira, e com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para serem salvos.  E por isso Elohim lhes envia a operação do erro, para que creiam na mentira; para que sejam julgados todos os que não creram na verdade, antes tiveram prazer na injustiça.”

Vemos pessoas seguindo um falso messias, que opera segundo a eficácia de HaSatan, com poder, sinais e prodígios, levando muitos a negarem a Torah do Eterno e suas mitzvot.  E em Yirmiyahu (Jeremias) 3:14, YHWH diz: “Convertei-vos, ó filhos rebeldes, diz YHWH; pois eu vos desposei; e vos tomarei, a um de uma cidade, e a dois de uma família; e vos levarei a Tsiyon”.

Quantos de nós não temos em nossas famílias pessoas que estão na operação do erro, sendo enganados por HaSatan, convencidos que a Torah não é mais válida, que foi abolida pelo seu falso messias. Estas palavras podem parecer duras, mas são verdadeiras, e confirmadas pelo próprio Yeshua, em Matitiyahu (Mateus) 7:22-23:

“Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai−vos de mim, vós que praticais a transgressão da Torah”.

E é quando nós enveredamos pelo Caminho da Teshuvá, que estas pessoas que estão sendo enganadas se levantam contra nós.  Nossos pais, irmãos, amigos, pessoas próximas, que começam a nos olhar diferente, começam a dizer que ficamos loucos, que nós estamos no erro, por querer guardar os mandamentos de Elohim. Vemos então o que Yeshua quis dizer. Quando começamos a seguir o verdadeiro Mashiach, recebemos então a espada de Elohim, que é a Sua Torah Viva, e então filho se levanta contra pai, filha contra mãe, nora contra sogra, e assim, e os da nossa própria casa se tornam nossos inimigos.


A Glória do Shabat

novembro 4, 2009

Por Rabino Dr. David M. Hargis – Traduzido por Yuri Rodrigo de Camargo

 

Por muito tempo da minha vida, estive em um ambiente que aclamava o domingo como “O Dia do Senhor” e como “O Sábado Cristão”. Certa vez o meu bondoso avô tentou estabelecer o domingo como um dia santo de forma séria, proibindo jogos e a leitura de coisas divertidas (o que geralmente era feito antes dos tempos da televisão) em sua casa. Entretanto, isso não deu certo, e alguns membros da família não concordaram. Talvez pela graça do Altíssimo, pois a restauração e aproximação dos judeus viriam até nós. Em todo caso, o domingo nunca me pareceu um dia santo para nós. Era especial somente porque nos vestíamos muito bem e fazíamos do ato de ir à igreja algo grandioso. Fora isso, me lembro do domingo apenas como mais um dia qualquer.

Não me entenda mal, eu aproveitei minha infância adorando, desde cedo, mas eu procurava praticar a comunhão com o Altíssimo todos os dias. Domingo não era um dia em que houvesse mais da presença de Elohim em minha vida do que em qualquer outro dia da semana. Quando eu cresci e segui o meu chamado ao ministério e busquei uma instrução mais elevada, eu aprendi sobre todas as supostas razões porque o sétimo dia sábado tinha sido mudado para domingo. Eu tentei aceitar esta linha teológica. Era indiferente. Em vinte anos de ministério protestante, eu nunca tinha pregado um sermão sequer a respeito da validade do domingo como sábado. Mas eu na verdade não acreditava nisso no fundo do meu coração. Muito cedo em meu ministério eu aceitei pela fé que o Criador do universo nunca muda, como sua palavra declara (Malaquias 3:6), e esta doutrina contraria tudo sobre o trabalho de nosso Criador.

 Finalmente percebi que Sua palavra não somente criou todas as coisas, mas também permanece viva, mantendo tudo o que foi criado (Colossenses 1:16-17). Tudo o no tempo da criação está interligado e assim continua por Elohim. Se com sábado fosse diferente, esta afirmação não seria valida. Mas a criação do sábado (hebraico: Shabat) no sétimo dia está completamente ligada a criação do sol, da lua, das estrelas, da vegetação, dos animais e da humanidade. O cancelamento do sábado colocaria em dúvida a fidelidade de Elohim. A doutrina da anulação do sábado zomba da fidelidade de Elohim.

Junto com a criação material Elohim criou o tempo, e tempo foi uma de Suas criações mais especiais. Quando Ele fez do sétimo dia da criação um dia de descanso dos demais dias de trabalho, e um dia dado à humanidade como presente e descanso, Elohim estabeleceu uma determinação de tempo. Ele determinou a santidade do tempo. Santo é definido como separado, incomum, original e especial. Os corpos celestiais como o sol e a lua marcam tempo físico, mas o Shabat estabelece o tempo da santidade de Elohim, o que significa o Seu controle sobre todo o tempo. O Shabat dá também a humanidade um presente especial, que é ser permitido juntar-se ao santo descanso de Elohim, enquanto Ele descansa no sétimo dia. Os animais não possuem a possibilidade de descansar no Shabat. Assim, somente à humanidade é dada a esperança da comunhão com Elohim em Sua natureza plena, pois Elohim deu o Seu santo dia para que a humanidade possa conhecê-lo e deleitar-se.

O que compartilhei é apenas a ponta do iceberg. Ainda,é o bastante para que qualquer um saiba sem dúvida alguma que nem o domingo, nem qualquer outro dia, podem se transformar no sábado. Primeiramente, se alguém pudesse realizar esta substituição do Shabat, deveria fazê-lo executando o substituto da mesma forma que deveria ser executado o substituído. Deve-se ao menos saber o que está substituindo. Pense em uma equipe de baseball que decida substituir um arremessador por outro. A equipe não colocará um goleiro de futebol no lugar, mas deverá substituir um arremessador por outro arremessador, ou pelo menos, por alguém que saiba lançar uma bola de baseball. A observância do domingo como substituto do Shabat não precisaria ter as qualidades do dia que substituiu? Por que não ensinam que assim deve ser o domingo para que tenha alguma qualidade de Shabat? Por que o domingo não é honrado pela maioria daqueles que dizem observá-lo?

Mas a pergunta principal é, “por que o sábado não é observado ou não é honrado pela maioria dos crentes?”

 

 MENTIRA # 1: NÓS NÃO PRECISAMOS DE UM SÁBADO SOMENTE PARA DESCANSAR

Alguns dizem que nós não precisamos de um sábado só para descansar. Isso não é verdade, pois nossos corpos precisam descansar, e mesmo que não precisassem, o Shabat não é baseado em nossa necessidade, porque Elohim não descansou porque estava cansado, mas sim para apreciar Seu trabalho. Por acaso o Criador não quer mais ter Sua criação apreciada? O fato é que Hebreus 4:9 diz: “Portanto resta ainda um dia de repouso, o Shabat, para o povo de Elohim”.

O Messias disse que é “Senhor do sábado” (Mateus 12:8). Visto que Ele é o mesmo ontem, hoje e sempre, e Ele é Elohim da vida, e não da morte, então é completamente natural o Shabat existir hoje. Podemos também pensar o seguinte, se Elohim não mantivesse sua promessa a respeito da criação do sábado, teríamos que nos preocupar a cada manhã se o sol iria ou não nascer.

Eu ouço alguém dizer, “mas o sábado foi feito para o homem”. Disse bem! Por isso o Altíssimo deu-lhe um presente de si mesmo, uma parte de Sua própria santidade. Ah! E não esqueça, “os dons e os chamados de Elohim dão irrevogáveis” (Romanos 11:29). Assim, esta afirmação somente prova a continuação do Shabat. Então outros dirão, “bem, se o sábado é um presente, eu posso fazer com ele o que eu quiser”. Mas eu diria a esta pessoa, “você não seria nada sábio jogando qualquer presente de Elohim fora! Faça com outros o que gostaria que fizesse com você”. Quantas vezes você fez algo para alguém que você ama, mesmo sem ver algo em troca? Por que alguém que ama a Elohim não iria querer ser amado por Ele?

 

 MENTIRA # 2: O MESSIAS QUEBROU O SHABAT

Por muito tempo as pessoas foram iludidas pensando que o Messias Yeshua quebrou o sábado a fim de mostrar que nós estávamos livres do sábado. Todo este conceito de um Messias que quebra o sábado é uma blasfêmia e uma afronta ao Altíssimo. Isto é ignorância e rebelião.

Por que alguém gostaria estar “livre” de um presente de Elohim? Realmente, o Messias afirmou o Shabat com suas atitudes e fez somente o que era permitido no Shabat. Suas criticas foram contra as tradições relacionadas ao Shabat, que existem até hoje, mas não foram ordenadas por Elohim. Eram tradições de homens, e não ordenanças de Elohim. O Messias Yeshua curou no Shabat porque curar é uma forma de ser livre do trabalho, que é o centro do Shabat. O Messias Yeshua também nunca cometeu pecado. Nunca quebrou a Torah (ensinamento, traduzido como lei), que, de alguma forma, é Ele mesmo, e Ele próprio escreveu!

 

 MENTIRA # 3: O SHABAT FOI CANCELADO POIS O MESSIAS CUMPRIU A TORAH

O Messias Yeshua disse, “não penseis que vim destruir a Torah. Não vim destruí-la, mas cumpri-la” (Mateus 5:17). Aqui podemos ver que este cumprir não pode significar o cancelamento ou exclusão. Dizer que o cancelamento veio pelo cumprimento é um raciocínio totalmente falho. Pensar assim é ilógico, e só pode significar que se está sob algum tipo de encantamento, ilusão ou se é um tolo, desprovido de qualquer razão. Muitos parecem não ter nenhuma capacidade para ver o que está claro na afirmação do Messias. Nosso Messias deixa claro: cumprir não tem nada a ver com destruir ou anular, e na verdade, cumprir é o oposto de anular. O mais correto significado para “cumprir” nesta afirmação seria tornar pleno, completar, preencher o que estava faltando. O Messias Yeshua veio certificar-se que a Torah teve todos os elementos necessários, especialmente o principal: Sua morte e ressurreição.

Por que o Messias removeria o Shabat por sua morte e ressurreição? Como isto está relacionado? Ninguém consegue responder a esta pergunta de forma satisfatória. Certamente o Messias nos deu um descanso espiritual do pecado; um tipo de sábado de descanso dentro da alma. Entretanto, isso de maneira alguma remove o sétimo dia. O Shabat foi dado antes que o pecado viesse ao mundo, sendo assim, não é um tipo de descanso do pecado. No sétimo dia Elohim descansou de Seu pecado? Então tentar estabelecer o Shabat como um tipo de descanso do pecado pode vir a ser uma blasfêmia, pois implica na necessidade de Elohim descansar de seu pecado, visto que Ele descansou no sétimo dia. Mas é claro, a Brit Chadashá (Novo Testamento) não diz isso em nenhum lugar. É uma desculpa débil que perpetra mentes sem razão.

 

MENTIRA # 4: NÓS PODEMOS FAZER DE TODOS OS DIAS NOSSO SÁBADO

O Shabat é um descanso dos processos criativos. Elohim parou de criar no Shabat, desta forma devemos parar também. Quando nossas mente e mãos param de criar, temos tempo e somos capazes para apreciar o que foi criado, especialmente pelo Criador. Experimentamos então algo que Ele também experimentou. Pois se Ele é Santo, esta experiência do Shabat é santa. E porque experimentamos a santidade de Seu dia, somos santificados também.

O único dia da semana que o Altíssimo santificou é o sétimo dia. Somente Ele pode decidir qual dia é santo. Não importa o quanto tentemos, nós não podemos tornar um dia santo, porque a santidade não depende de nossas ações. A santidade depende unicamente da determinação do Altíssimo. Muitos crentes pensam que podem fazer de determinados dias santos pela força de sua celebração neste dia. Isto é arrogância e ignorância. Não existe nada na Bíblia que seja santo, a não ser que se chame santo pela boca do “EU SOU”. Conseqüentemente, nenhuma pessoa pode escolher o dia que quiser para celebrar o Shabat, pois somente o sétimo dia é santo. A celebração do descanso do sábado em qualquer outro dia é totalmente vazia.

 

 COMO DEVEMOS CELEBRAR O SHABAT?

 1.      O propósito do Shabat é ser uma celebração do descanso. Deve ser alegre e divertida, com total respeito e concentração no Altíssimo. Não deve ser uma festa para atender os desejos da nossa natureza. As crianças devem saber que Elohim ama seu jeito brincalhão, mas deve haver um equilíbrio. Também deve-se evitar jejuar no shabat, a menos que seja um jejum prolongado, que dure mais que uma semana.

2.      Deve-se evitar a realização de trabalhos seculares rotineiros, principalmente os que exijam construção ou criação com as mãos. O trabalho espiritual, o trabalho de emergência, o trabalho para cura, o trabalho de proteção, a alimentação, o trabalho sacerdotal e de guarda (forças armadas e policia) são todos exceções permitidas. Elohim quer que usemos nosso bom senso. Sabemos também que em países em que não se guarda o Shabat, alguns empregadores vão requerer o trabalho no sábado. O observante do Shabat deve todo esforço necessário para não trabalhar no sétimo dia, sendo docilmente comunicativo com seus empregadores sobre seus desejos e/ ou procurando uma vocação alternativa. Se uma pessoa não puder evitar trabalhar no Shabat, deve buscar ao Altíssimo, por uma solução, enquanto prosseguem trabalhando normalmente.

3.      Outros tipos de trabalho que não estão no Espírito de Shabat: Fazer fogo, fazer comércio (exceto se isso for necessário de acordo com as exceções acima), assistir/ participar de entretenimentos seculares, e realizar atividades que causem agitação, algazarra ou ruídos altos desrespeitáveis.

4.      No Shabat deve haver diversão, louvando, adorando, lendo as Sagradas Escrituras, cantando para o S-nhor, dançando para o S-nhor, e falando a outros sobre o S-nhor e Sua palavra, isto é, honrando ao Altíssimo.

5.      Lembre-se, o sétimo dia inicia-se no pôr-do-sol da sexta-feira e termina no pôr-do-sol de sábado, porque “a noite e a manhã” separam cada dia, não o nascer do sol ou a meia-noite. Em muitos lares observantes e nas sinagogas duas velas são acesas com orações para marcar o inicio e para ajudar a estabelecer a celebração. Um calendário Hebraico/ Judaico pode indicar a hora em que o Shabat começa.

 

 A RECOMPENSA DO SHABAT

Isaías 58 tem sido uma inspiração para muitos crentes, mas é interessante como os últimos versos foram ignorados.

“Se desviares o teu pé de profanar o sábado, de fazeres a tua vontade no meu santo dia, e chamares ao sábado deleitoso, e o santo dia do S-NHOR, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, nem pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falares as tuas próprias palavras, então te deleitarás no S-NHOR, e te farei cavalgar sobre as alturas da terra, e te sustentarei com a herança de teu pai Jacob; porque a boca do S-NHOR o disse”. Isaías 58:13-14

Observe que de acordo com o profeta, o santo dia do S-nhor é o Shabat, o sétimo dia. Agora associe o texto acima com:

“Deleita-te no S-NHOR, e Ele te concederá os desejos do teu coração”.Salmos 37:4

Todos querem saber como fazer para que o Altíssimo dê-lhes os desejos de sue coração. Deleitar-se no S-nhor parece bastante fácil! Já surgiram muitas interpretações estranhas do que significa se deleitar no S-nhor, mas somente uma revelação do que isso significa é encontrada nas Escrituras.

O “deleitar” aqui no salmo 37:4 é em hebraico oneg, que significa “tratar com delicadeza”. Há muito poucos lugares nas Escrituras onde está palavra oneg é usada. Sendo assim, por causa de sua raridade, nos ajudará a resolver este mistério. Há um lugar, e somente um, onde nos diz exatamente se deleitar no S-nhor, usando esta mesma palavra oneg.

Aqui está o segredo. O único lugar onde Elohim nos diz para deleitar-se nele é em Isaías 58:13-14. Qualquer outra interpretação para “o deleitar-se no S-nhor” é especulação inútil e imaginação humana. A única maneira para qualquer um que quiser se deleitar no S-nhor é honrando e obedecendo o Shabat. A recompensa para isso é “cavalgar sobre as alturas da terra, e ser sustentado com a herança de teu pai Jacob”. É selada como uma promessa “porque a boca do S-NHOR o disse”. Sendo assim, segundo o que diz o salmo 37:4, a única maneira prometida para se receber “os desejos de seu coração” é deleitando-se no S-nhor. Ou seja, se você fizer do Shabat seu prazer, seu deleite, oneg, uma delicadeza em sua vida, você receberá os desejos do seu coração.

Imagine todos os povos verdadeiramente dedicados ao Criador do Shabat fazendo o possível para honrar o Shabat a todo custo. Qualquer um seria beneficiado nestes tempos difíceis cavalgando nas alturas no prazer do S-nhor zelando pela pratica do Shabat. Experimente alinhar esta parte de sua vida com a vontade de Elohim, e veja o que acontecerá. Tenho certeza que você ficará extremamente satisfeito.


Parashah da Semana: Lech Lechah

outubro 31, 2009

A parashah desta semana é Lech Lechah, uma parashah belíssima, cujo nome significa Sai Tu. Nesta parashah identificamos por reflexo o chamado, ou melhor, a ordem do Eterno, para que saiamos do meio de todo paganismo e sigamos pelo Caminho que Ele mesmo nos mostra. Sabemos que o Caminho é Yeshua, a Torah Viva, que nos leva à uma vida de santidade e temor ao Eterno, cumprindo e guardando todos os seus mandamentos.

Amamos e servimos a Elohim por fé, pela fé somos salvos e pela fé cumprimos os mandamentos do Eterno. Sim, pois a fé sem obras de nada vale.

“Mas queres saber, ó homem vão, que a fé sem as obras é estéril?” Ya’akov/Tiago 2:20

Isso quer dizer que ter fé não significa uma crença meramente intelectual em Elohim, não significa dizer eu creio em Elohim e no Seu Filho, mas continuar com sua vida medíocre, servindo ao pecado, ou seja, a violação da Torah. Ter fé é ter obediência.

Segue abaixo mais alguns comentários sobre esta Parashah, do Rabino nazareno Sha’ul Bentsion.

Lech Lechah (Sai tu)

Bereshit (Gênesis) 12:1 – 17:27


1 – Você ouviu o chamado de Elohim?

Esta Parashah começa com Elohim dizendo a Avraham: “Lech Lechah”, ou seja, sai tu. O chamado de Elohim era para que Avraham saísse do meio do paganismo da casa de seus parentes, e estabelecesse uma nova família, santa e separada ao Eterno. Imagine se Avraham tivesse permanecido mais tempo lá, dizendo “Não, S−NHOR, ainda não estou preparado…” ou tivesse se perguntado “será que é isso mesmo que Elohim quer de mim? Vou orar a respeito…” Já sabemos o que teria acontecido. Contudo, muitas pessoas adotam essa postura. Fazem exatamente o contrário de Avraham.

Temos estudado na Bíblia (Palavra de Elohim) sobre o que Elohim acha de certas coisas. Porém, muita gente ainda está em dúvida se deve mesmo seguir as recomendações da Palavra de Elohim. Achim (irmãos), não esperem mais! A hora de mudar é agora. Faça como Avraham: deixe para tudo o que desagrada ao Eterno, e embarque numa jornada com Ele rumo a uma vida de santidade!

 

2 – Avraham escapa da morte

Ao longo da história, algumas pessoas foram peças fundamentais nos planos de Elohim, para que nós viéssemos a ter o plano de redenção traçado – dentre elas, podemos citar Avraham, Moshe (Moisés), David e Yeshua. Estes quatro homens têm algo em comum: antes derealizarem a missão deles, todos os quatro sofreram tentativas de assassinato.

As Escrituras nos contam os relatos de Moshe, David e Yeshua. Porém, para conhecermos a história de como HaSatan tentou impedir a Avraham de cumprir os planos de Elohim, temos que recorrer à tradição judaica: Segundo os relatos orais do nosso povo, Terach, pai de Avraham, era um fabricante de ídolos. Certo dia, Avraham entrou em seu depósito, e vendo todos aqueles ídolos falsos, se enfureceu e, com um martelo, quebrou a todos, exceto ao maior deles. Avraham pôs então o martelo nas mãos da estátua maior. Quando Terach retornou e viu o que havia ocorrido, perguntou a Avraham: O que aconteceu? Avraham então disse a seu pai que o ídolo maior havia destruído todos os outros. Terach então disse:

Mas isso é absurdo! Sabemos que uma estátua não pode fazer isso! Então Avraham respondeu: mas se uma estátua não podem nem pegar um martelo e destruir as outras, então como pode você crer que tais estátuas criaram o mundo, ou têm poder sobre nós? Por que serves a estes falsos ídolos? Depois disto, o rei Nimrod (vide parasha anterior), que servia a falsos deuses, mandou jogar Avraham numa fornalha. Tal qual Daniel, Avraham escapou ileso.

Podemos ver que o inimigo sempre agia pra tentar destruir os planos de Elohim, e com Avraham não foi diferente. Contudo, Elohim é soberano. Se Ele tem um plano, quem pode ir contra Ele?

 

3 – Indo para uma nova terra

Repare que Elohim não manda apenas Avraham viver uma vida santa, mas sim sair da terra onde reinava o paganismo e ir para uma nova terra. O que podemos aprender disto com relação ao que Elohim desejava para a terra de Israel? Vemos ao longo da história do povo que sempre que o mesmo falhava na sua missão de remover da terra toda a fonte do paganismo, caia em pecado. Luz e trevas não podem se misturar (vide 2 Coríntios 6:14 em diante) – logo, se há em nossas vidas alguma prática pagã, e nossa postura tem sido a de achar que “não tem nada demais”, devemos nos perguntar se estamos fazendo a vontade do Eterno.

4 – O que é ser um profeta de Elohim

Atualmente, há muitos que pensam que ser um profeta é ser a “versão crente” de um adivinhador. Ora, sabemos que adivinhação é um pecado abominável perante o Eterno. É claro que o Eterno fala sim, como sempre falou, por intermédio de profetas. Porém, um profeta não é essencialmente uma pessoa que irá te dar todas as respostas para sua vida. Mas então, qual a principal função de um profeta? Temos uma boa ‘dica’ nesta parasha:

Repare que em Bereshit (Gênesis) 20:7, Avraham é a primeira pessoa a ser chamada de profeta pelas Escrituras. Mas, o que havia de especial em Avraham? Se voltarmos a Bereshit (Gênesis) 12:2, vemos que um novo tipo de relacionamento se iniciou entre Elohim e um homem. Até então, tínhamos relatos de Elohim abençoando outras pessoas: Adam, Noach (Noé), etc. Contudo, em Avraham, Elohim disse que outros seriam abençoados. Podemos então concluir que a função principal de um profeta não é adivinhação, mas sim ser um veículo de bênçãos do Eterno para outros.

 

5 – O que é fé?

Sabemos que Avraham foi o pai da fé (vide Gálatas 3:7). Muitas pessoas atualmente dizem ter fé em Elohim. Mas será que sabem o que é ter fé? Segundo as Escrituras, podemos dizer o seguinte:

 

a) Fé não é superstição. É necessário conhecer a Palavra de Elohim (Romanos 10:17) – Avraham sabia quem Elohim era, quando Ele o chamou;

b) A fé é dada por Elohim (Efésios 2:8) – Foi Elohim quem chamou a Avraham;

c) A fé requerer confiança em Elohim, mesmo quando nossos sentidos não alcançam; (Yehudim /Hebreus 11:1) – Pela fé, Avraham largou tudo o que tinha e aceitou ir em uma jornada com Elohim, mesmo sem saber onde Elohim o levaria;

d) A fé verdadeira não é só intelectual, requer atitude (Ya’akov / Tiago 2:20−26): Avraham não apenas aceitou que a Palavra que Elohim lhe deu era verdadeira, mas também OBEDECEU;

 

Logo, estes são os passos da fé: Conhecer, ser chamado, confiar, obedecer. Será que temos demonstrado os frutos da fé verdadeira? Fica a pergunta para reflexão.

 

6 – As ‘almas’ de Avraham e Sarah

Bereshit (Gênesis) 12:5 traz uma passagem meio misteriosa: fala das ‘almas’ adquiridas por Avraham e Sarah. Se analisarmos os termos originais, a passagem fica ainda mais misteriosa, pois a palavra que é comumente traduzida como ‘adquiridas’ vem da raiz ‘asah’, pode ser traduzida como ‘geradas’. Isto parece ser intencional, pois quando fala dos bens materiais, a Torah usa o termo ‘rakash’, que quer dizer apenas ‘adquirir’.

Segundo a tradição judaica, isto significa duas coisas: Primeiramente, que Avraham e Sarah levaram com eles pessoas que se converteram ao Eterno. Em segundo lugar, Avraham e Sarah geraram almas. Porém, se eles não tinham filhos ainda, o que quer dizer isto? Que Elohim já havia gerado através de Avraham e Sarah as almas de todos os judeus. Isto nos ensina algo valioso: a ‘família de Avraham’ era composta de seus descendentes naturais e também daqueles que se converteram a Elohim. Compare isto com Romanos 11.

 

7 – Até Avraham Falhou

Em Bereshit (Gênesis) 12:10−20, vemos uma ‘trapalhada’ de Avraham que começou com uma mentira, mentira essa que quase lhe custou a vida. Tal mentira foi gerada pelo medo de Avraham de ser morto. Repare que até o pai da fé falhou. Contudo, no final deste relato vemos que Elohim o pôs de volta nos eixos, e novamente nos planos que tinha para ele. Isto nos ensina que mesmo quando erramos, se nos voltamos a Elohim, Ele está pronto para nos ajudar a voltarmos a viver de acordo com os planos dEle.

 

8 – Um Milagre Desconhecido?

Existe uma interessante interpretação de nível SOD (vide o artigo ‘Interpretando as Escrituras como um Judeu’) para Bereshit (Gênesis) 14. Sabemos que no hebraico os números têm uma simbologia especial. Sabemos também que cada letra possui um valor numérico. Quando olhamos para o capítulo 14, passuk (versículo) 14, vemos que 318 servos de Avraham resgataram a Lot. Porém, vemos no capítulo 15 que o nome do servo de Avraham era Eli’ezer. O valor numérico de Eli’ezer, no hebraico, é justamente 318! Agora leia o relato de 1 Samuel 14. Será apenas uma coincidência numérica, ou será que a Torah está dando indícios de um grande milagre? Fica a pergunta no ar!

 

9 – Medo x Fé

Chega a ser irônico termos falado tanto de fé e, de repente, em Bereshit (Gênesis) 15:1, temos um relato onde Elohim precisa dizer a Avraham para não temer, não é? Não, achim (irmãos), não é irônico! Nós temos uma tendência muito errada de acharmos que o medo e a fé são opostos. Ora, o medo é um sentimento natural. Considere o contexto de Bereshit (Gênesis) 14. Havia muitas guerras na região. Era absolutamente natural que Avraham sentisse medo. A demonstração de fé é dada não quando não temos medo, mas quando confiamos em Elohim até quando sentimos medo.

 

10 – A importância do Pacto de Avraham

Em Bereshit (Gênesis) 15 temos o relato do pacto entre Elohim e Avraham. De acordo com relatos históricos de diversas fontes, era comum naquela época quando duas pessoas faziam um pacto, elas cortavam animais em dois e os dispunham em um local um pouco mais inclinado, de modo que o sangue escorresse e fizesse uma espécie de caminho. As duas pessoas então passavam pelo sangue. Isto significava que se algum deles descumprisse o pacto, então que responderia com a própria vida pelo pacto descumprido.

Ora, vemos porém que Elohim fez cair sobre Avraham um sono profundo e passou sozinho pelo caminho de sangue. Porém, Elohim não é homem para descumprir um pacto. Elohim não precisava ter passado por aquele caminho. Qual a implicação disto então? Percebemos ao fazer isto que Elohim estava prometendo a Avraham que se o pacto fosse descumprido, o próprio Elohim pagaria com Sua vida pelo pacto descumprido! Ou seja, os descendentes de Avraham jamais morreriam, mesmo que descumprissem o pacto. Por amor de Elohim a Avraham e à sua família. É por isso que em Yeshua, as nações são benditas em Avraham (vide Bereshit / Gênesis . Por que? Porque passam a ser parte da família de Avraham! Da mesma forma, temos a certeza (reforçada por Romanos 11:26) de que todos os judeus um dia serão salvos em Yeshua, pois a promessa de Elohim a Avraham foi incondicional.

 

11 – Bereshit (Gênesis) e o Conflito no Oriente Médio

Hoje, vemos que o Oriente Médio é um local de grandes conflitos. Há 21 nações árabes ao redor de Israel, que não só brigam entre si, mas também querem a destruição de Israel, além de brigarem com outros vizinhos. A explicação encontra−se em Bereshit (Gênesis) 16, que diz que Yishma’el (Ismael) seria como um jumento selvagem, que se levantaria contra a sua parentela. Seria contra os homens e os homens contra ele.

Repare que estamos falando da região mais rica (devido ao petróleo) do planeta. E, no entanto, os países árabes são os locais de maior conflito, maior opressão dos governos para com suas populações, maior briga entre nações. A Palavra de Elohim já profetizava isto há milhares de anos, pois os povos árabes são descendentes de Yishma’el. Infelizmente, naquela região não haverá paz até o dia do retorno de nosso S−NHOR.

 

12 – A mudança dos nomes de ‘Avraham’ e ‘Sarah’

Outro detalhe que passa desapercebido é a letra que Elohim dá a Avraham e Sarah. Avraham se chamava Avram; Sarah se chamava Sarai. Ambos os nomes ganharam a letra ‘Hey’, que é justamente uma das letras do nome de Elohim (Yud−Hey−Vav−Hey), e é associada, segundo a tradição judaica, ao sopro divino. Logo, a mudança de nome de Avraham e Sarah em Bereshit (Gênesis) 17 é mais do que uma mudança do destino deles, é um ato de um unção da parte da Ruach HaKodesh (Espírito Santo). O novo nome de Avraham e de Sarah é também um sinal da vitória deles em Elohim. Compare isto com Apocalipse 2:17


Franjas nas roupas? Isso realmente está Bíblia?

setembro 19, 2009

Desde quando comecei a usar os tsitsiot (franjas colocadas nos cantos da roupa) é inevitável ouvir perguntas como: O que é isso pendurado na sua roupa? Por que você usa essas franjas amarradas na roupa? Franjas nas roupas? Isso realmente está na Bíblia?

A verdade é que há muito mais coisa na Bíblia do que as pessoas acham que sabem. Quando falamos de mandamentos da Bíblia, é normal as pessoas logo pensarem nos 10 mandamentos, mas existem muito mais que apenas 10 mandamentos. Podemos dizer que existem no mínimo 613. No mínimo, porque existem mais, mas acho que ainda ninguém se prontificou a contar, então ficamos com o número do judaísmo ortodoxo mesmo.

Alguns destes mandamentos desconhecidos pela grande maioria das pessoas diz respeito a certos lembretes que o Eterno ordenou que fossem usados em nossas vestes e casas.

Tsitsit

O primeiro, e que motivou a redação deste texto, é o tsitstit. Rabi Shimon bar Yochai diz, no Talmud:

“Quando o homem levanta de manhã e coloca os tefilin e tsitsit, a Shechiná (Presença Divina)  paira sobre ele e proclama: ‘Tu és Meu servo,  Israel, através do qual Serei Glorificado.’”

É muito comum quando pensamos no estereótipo do judeu lembrarmos de um manto sobre sua cabeça e costas. Este manto é que se chama Talit, conhecido como o manto de orações. De acordo com a tradição judaica, no Monte Sinai, tido como o Grande Casamento entre Elohim e o povo de Israel, estes tiveram uma visão de Elohim envolto em um Talit. O Talit tem como objetivo ser uma espécie de “lembrete” visível do dever de observar fielmente todos os mandamentos bíblicos. O Talit é composto de um xale e em suas pontas estão os tsitsiot, franjas que são usadas diariamente nas roupas dos homens israelistas, conforme ordenado na Bíblia:

“Que façam para eles tsitsit (franjas) sobre as bordas das suas vestes, pelas suas gerações e porão sobre os tsitsit da borda um cordão azul celeste. E será para vós por tsitsit e vereis e lembrareis todos os mandamentos de Elohim e os cumprireis e não errareis indo atrás do vosso coração e atrás dos vossos olhos, atrás dos quais vós andais errando; para que vos lembreis e cumprais todos os Meus mandamento e sejais santos para com vosso Elohim”. (Números (Bamidbar) 15:38-41)

Pois ai está, com todas as letras, o mandamento de se colocar o tsitsit sobre a roupa. O tsitsit é um mandamento que deve ser cumprido diariamente e, de acordo com os Chabad, é bom até mesmo ao dormir utilizar o tsitsit, pois assim ao amanhecer você já estará automaticamente cumprindo o mandamento. Não posso negar que isso faz sentido.

Os tsitsit devem ser colocados em qualquer vestimenta que cubra o corpo

e que tenha 4 pontas (bordas) — duas na frente e duas atrás. Sendo assim, pode ser usado com um talit katan, uma espécie de regata toda aberta dos lado, ou mesmo com uma camiseta aberta dos lados.

Um tsitsit kasher pode ser comprado na loja virtual Teshuvá, mas qualquer um que tenha um coração sincero e com desejo de observar o mandamento pode fazer seu próprio tsitsit, basta seguir as instruções deste guia , é fácil fácil de fazer. Há também o guia de como se fazer o Talit, tanto o Gadol (o manto de oração), como o Katan.

Tefilin

“Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por frontais entre os teus olhos.” (Shemot/Êxodo 6:8)


Tefilin (que significa prece) é o nome dado a duas caixinhas de couro, cada qual presa a uma tira de couro de animal kasher, dentro das quais está contido um pergaminho com os quatro trechos da Torah em que se baseia seu uso: O Sh’ma Israel, Vehaia Im Shamoa, Cadêsh Li e Vehayá Ki Yeviachá).

É conhecido em português como filactério, vindo do termo grego fylaktérion, que significa basicamente “posto avançado”, “fortificação” ou “proteção”, o que explica a infeliz utilização destes objetos como proteção ou amuleto por algumas pessoas.

Explicações detalhadas sobre o uso do tefilin e seu significado podem ser encontradas no livro eletrônico O Sinal da Aliança, por Sha’ul Bentsion Ben David.


Mezuzá

Mezuzá significa umbral. Consiste em um pequeno rolo de pergaminho (klaf) que contém duas passagens bíblicas, manuscritas, Sh’ma e Vehaiah. A mezuzá que deve ser afixada no umbral direito da porta de cada dependência de um lar ou estabelecimento judaico, obedece ao seguinte mandamento da Torá: “Escreve-las-ás nos umbrais de tua casa, e em teus portões”. (Deuteronômia VI:9, XI:20)

Ao passar pela Mezuzá temos por costume toca-lá e levar a mão ao peito e beija-lá, simbolizando nosso amor à Torah e nosso desejo de que ela esteja em nossa boca e em nosso coração.



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