Tudo sobre a Celebração de Pessach

Por Sha’ ul Bentsion

Revisado e Ampliado em 2009

I – INTRODUÇÃO

No próximo dia 15 do Primeiro Mês, Israel celebrará talvez o seu feriado mais importante. É um feriado tão importante que 80% dos judeus o celebram ativamente – mesmo aqueles que estão mais afastados da fé. O nome “ Pessach” vem do hebraico que significa “ passar por” ou “ passar através” , ou ainda “ poupar” . Se refere ao fato de que na noite da libertação, o Eterno “ passou por” nossas casas e nos poupou a vida. Para nós nazarenos, refere-se ainda ao dia em que, morrendo por nós, o Eterno nos “ poupou” de toda a condenação do pecado. Não é à toa que o nome “ Pessach” também é dado ao sacrifício do cordeiro que era feito no Beit HaMikdash (Templo) para esta ocasião. Este festival também é conhecido como Chag heAviv (o Festival da Primavera), Chag haMatsot (Festival dos Pães Ázimos) ou ainda Z’ man Cheruteinu (o tempo da nossa liberdade).

II – A LIBERTAÇÃO DE ISRAEL

Nosso surgimento como nação remonta a uma noite sombria, nossa última noite no Egito (Shemot/Êxodo 12). Ao contrário das demais nações, não costumamos celebrar nossa independência com desfiles, picnics, festas ou fogos de artifício. Nossa celebração ocorre dentro de uma casa, com nossa família, ou pequenos grupos de família, que nos ajudam a lembrar o verdadeiro sentido de Israel: somos a família de Elohim, unida por laços indeléveis, mesmo quando dispersos entre as nações, como é o caso dos efraimitas que hoje podem celebrar o Pessach. Neste dia da independência, os participantes celebram à volta de uma mesa que contém um cordeiro assado (embora atualmente nem sempre isto seja possível), ervas amargas, pães ázimos e recitamos as promessas e atos do Eterno que estão em conexão com a nossa redenção. Este dia da independência é dedicado ao Eterno, que expressou de forma tão grande Seu amor por nós ao nos redimir do cativeiro. Para nós seguidores de Yeshua é um dia de tripla alegria: a libertação de nossos pais do Egito, a redenção dos nossos pecados no Messias, e a futura celebração com Ele no Seu retorno.

Apesar da alegria da libertação, não é uma ocasião totalmente festiva: lembramos também do sacrifício, lembramos do sofrimento de nossos pais, e de nosso Messias, e lembramos que a liberdade não vem de graça, mas tem um preço. Mais do que qualquer coisa, nosso dia da independência, nosso festival da libertação expressa uma verdade singular: foi o Eterno que fez tudo. Tanto na libertação do Egito, quanto na Sua morte no madeiro. Nenhum exército poderoso enfrentou os egípcios, nem tampouco legião de anjos alguma veio acudir nosso Messias no madeiro. No primeiro caso, a liberdade veio em uma noite negra com a família reunida, porém já pronta e aguardando a libertação.

Libertação não somente física, mas também da servidão espiritual. Quando chegou o tempo do Eterno, os egípcios não só nos libertaram, mas imploraram para que saíssemos, e ainda nos deram ouro e riquezas. Foi a mão do Eterno que tudo conduziu. Quando chegou o tempo do sacrifício voluntário de Yeshua, não fomos nós que tivemos que enfrentar as conseqüências de nossas transgressões, mas foi o Eterno que voluntariamente as assumiu para nós. Tanto os eventos da libertação da escravidão no Egito como o Seu sacrifício nos fizeram entender que o Eterno não é apenas mais uma divindade, mas sim o Rei da Criação, o Senhor da História, o Eterno é o nosso Salvador, o Eterno e somente Ele. Nós fomos remidos, tanto do Egito quanto do pecado, com um único propósito: o de serví-Lo.

E para isto Ele nos deu a Torá: nosso manual de como serví-Lo. A verdadeira liberdade não é a negação da escravidão, mas o nosso desejo de aceitar serví-Lo. Só quando aceitamos viver de acordo com os padrões do Eterno é queatingimos nosso objetivo de total liberdade. Foi assim com Israel como um povo: quando voluntariamente dissemos, aos pés do Sinai, que tudo aquilo quanto o Eterno dissesse, nós faríamos. Ali, fomos libertos de qualquer senhor humano, e nos tornamos servos do S-nhor dos senhores. Assim como cada família na noite de Pessach, hoje podemos escolher: serviremos ao Eterno e seremos livres, ou serviremos aos homens e seremos escravos.

III – OBSERVÂNCIA BÁSICA

Durante os sete dias da festa dos pães ázimos, nós não devemos comer nem ter em nossas casas nem um tipo de grão que contenha hamets (fermento).

Hamets é o nome dado para o tipo de fermentação em que a massa cresce. Para saber o que devemos tirar dos lares podemos fazer o seguinte teste: Faça uma massa com a farinha da substância em questão e com água. Se, com o passar do tempo, a massa crescer, é porque é hamets. Se a massa estragar sem apresentar qualquer crescimento, não há hamets. De antemão, sabe-se que massas de alguns grãos como trigo, aveia, centeio e cevada fermentam da forma supracitada, e portanto devem ser evitadas durante o período da festa em sua forma tradicional. Pode-se, contudo, fazer pães ázimos desses grãos, uma vez que depois de cozido, o pão ázimo não fermenta mais, e portanto pode ser armazenado em casa semproblema algum. Um pão ázimo é capaz de durar meses sem qualquer refrigeração. Por esta razão, costumamos preparar os pães ázimos antes da época da festa.

Massas feitas de mandioca, de batata, de arroz, de soja e de milho, não formam hamets. Polvilho também pode ser consumido sem problemas.

O que removemos das casas: As massas já fermentadas (pães, macarrão, etc.) e as farinhas dos grãos de características supracitadas – pois a farinha pode fermentar em contato com a umidade do ar. Evita-se também bebida feita com os grãos acima (ex: cerveja), bem como o fermento biológico. O fermento químico (aquele da Royal) também removemos porque o objetivo dele é fazer exatamente o papel do biológico e portanto criar hamets.

Iogurtes, queijos, e vinhos não são considerados hamets. Como dito anteriormente, hamets é apenas a fermentação de grãos, que resulta em massa inchada.

A segunda observância básica está no fato de que o primeiro dia deste festival e o último são Shabatot, e portanto, semelhantemente ao Shabat semanal, não devemos trabalhar, nem fazer os outros trabalharem por nós, nem comerciar, nem acender fogo. A única exceção é no que se refere a cozinhar tanto para o primeiro quanto para o sétimo dia.

A terceira observância básica é a de contar a história de Pessach durante esta época. O “contar” no hebraico é hagadá, e é assim que tradicionalmente chamamos a parte cerimonial que é feita no seder de Pessach.

IV – O SEDER DE PESSACH

A palavra ‘ seder’ significa ‘ ordem’ , e se refere à ordem cerimonial do jantar que é feito na primeira noite de Pessach. Aqui mostraremos de forma bem suscinta como é um seder judaico tradicional.

Celebrar o Pessach é muito fácil: Basta seguir a hagadá disponível no grupo. O texto da hagadá é auto-explicativo, e demonstra com clareza como deve ser a seqüência dos acontecimentos.

Instrumentos para o Seder

Além da louça de jantar, deve-se ter também:

1 bacia para o lavapés (leve em conta o número de participantes para que não se torne algo excessivamente demorado)

1 jarra para a lavagem das mãos

1 taça extra para os vinhos

1 local a mais na mesa do que o número de convidados, simbolizando

Eliyahu (sugestão adicional: pode-se ter dois, lembrando das 2 testemunhas)

1 tigela (ou copo) com água salgada, por mesa

1 pano ou lenço por mesa, para cobrir o afikoman

Alimentos a Providenciar

Por participante, deve-se ter:

4 porções de taças de vinho ou suco de uvas. Usamos uma taça mesmo, e não cálices ou copos de café.

1 porção pequena de vegetal (aipo, batata, ou salsa são os mais comuns)

2 porções pequenas de erva ou vegetal amargo (maror – é comido duas vezes)

1 boa porção de charosset (é usado duas vezes, sobre pedaços de matsá relativamente grandes portanto, cuidado com a quantidade aqui) – O charosset é uma pasta doce – vide receita abaixo.

3 matsot (pães ázimos) inteiras por participante – O tamanho não deve ser menor do

que uma fatia de pão de forma, por participante – evite quebrar a matsá em pedacinhos!

A Ordem e o Simbolismo do Seder:

1 – Kadesh (Santificação)

O seder começa com uma bênção sobre o vinho em honra do feriado. O primeiro cálice de vinho é tomado, e o segundo copo é servido.

2 – Urechats (Lavagem)

Normalmente lava-se as mãos, em preparação para comer karpas.

3 – Karpas (Vegetais)

Normalmente um vegetal (tradicionalmente aipo, salsa ou batata cozida) é mergulhado

em água salgada e comido. O vegetal simboliza a origem humilde do povo de Israel e a água salgada simboliza as lágrimas derramadas em razão da nossa escravidão.

4 – Yachats (Quebra)

Uma das três matsot (pães ázimos) sobre a mesa é quebrada. Uma parte é retornada à pilha e outra é colocada de lado para o afikomen (vide explicação abaixo)

5 – Maguid (História)

A história do êxodo do Egito e do primeiro Pessach é contada. Isto começa com a pessoa mais jovem, ou as crianças, perguntando as quatro perguntas que aparecem no capítulo 12 de Shemot (Êxodo).

Estas quatro perguntas são conhecidas como “ Má Nishtaná?” (Por que é diferente?) e muitas vezes são até mesmo entoadas em uma canção. Segundo nossos sábios, as quatro perguntas simbolizam quatro tipos de pessoas que desejam saber da história do Pessach: o sábio, que quer saber de todos os detalhes, o ímpio, que se exclui (e descobre a penalidade por isto), o simples, que quer saber apenas o básico, e aquele que ainda não é capaz de falar e sequer sabe o que é necessário saber. Ao término do maguid, uma nova bênção é recitada sobre o segundo cálice de vinho, o qual é então tomado.

6 – Rachtsá (Lavagem)

É feita uma segunda lavagem das mãos, desta vez costuma-se recitar a bênção da

lavagem das mãos, em preparação para comer o matsá.

7 – Motsi (Bênção sobre os grãos)

É feita a tradicional bênção “ ha-motsi” sobre pães e produtos de grãos, desta vez sobre a matsá.

8 – Matsá (Pão ázimo)

É feita uma bênção específica sobre a matsá, e um pedaço é comido.

9 – Maror (Ervas amargas)

Faz-se uma bênção sobre uma erva/vegetal amargo, o qual é comido. Isto simboliza a

amargura da escravidão. O maror é molhado em charoset, uma mistura de maçã, nozes, canela e vilho, que simboliza o pilão usado pelos israelitas na construção durante a escravidão.

10 – Korech (Sanduíche)

Esta é uma tradição que se faz em memória do grande rabino Hillel, que era da opinião de que o maror (vide acima) deveria ser comido junto com a matsá e o cordeiro. Por isto, come-se um pouco de matsá com maror e charosset.

11 – Shulchan Orech (Jantar)

Normalmente neste ponto é então comido um jantar festivo. Não existe nenhuma recomendação específica para este ponto, mas alguns grupos naturalmente possuem pratos típicos. Dentre os judeus ashkenazi, por exemplo, costuma-se comer guefilte fish (um prato de peixe) e sopa de kneidel (bolas de matsá).

12 – Tsafun (o Afikoman)

Até hoje, os rabinos muito debatem sobre o significado de esconder um pedaço da matsá (geralmente um terço) para depois comê-lo, mas nós nazarenos sabemos que isto simboliza que o Messias, que após sua morte, ficou oculto por 3 dias, mas depois ressurgiu para honra e glória do Eterno.

13 – Barech (Bênção após o alimento)

O terceiro cálice é servido. Como a Torá nos diz que devemos sempre agradecer ao Eterno após as refeições,é então recitada a “ birkat hamazon” , que é justamente a bênção após uma refeição. Depois, recita-se a bênção do vinho sobre o terceiro cálice, que é ingerido. Serve-se então o quarto copo e separa-se um copo para o profeta Eliyahu (Elias), lembrando da sua vinda antes do Messias (e possivelmente antes do seu retorno também). Neste momento, abre-se a porta por um tempo, lembrando que Eliyahu poderia vir naquele momento.

14 – Hallel (Louvores)

Diversos salmos tradicionais são recitados. Uma bênção é recitada sobre o quarto e último cálice de vinho, o qual é tomado.

15 – Nirtsá (Encerramento)

Encerra-se o seder de Pessach desejando que no próximo ano possamos celebrar em Yerushalayim (Jerusalém), com o retorno do Messias.

V – RECEITAS PARA O SEDER

A seguir algumas receitas básicas para preparação de pães ázimos e do charosset (a pasta doce usada no seder):

Matsá (pão ázimo)

Receita tradicional

* Ingredientes

um quilo de farinha de trigo ou integral

meio litro de água fria

meio copo de azeite

sal a gosto

* Modo de preparo

Amasse bem os ingredientes. Com o auxílio de um rolo, abra a massa bem fina, coloque-a em uma forma levemente untada e com a ponta de uma faca, risque em formato quadrado. Isso facilita o partir. A massa deve ficar bem fina, praticamente transparente.

Charosset (Pasta doce)

* Ingredientes

3 maçãs ou bananas descascadas

1/2 xícara de suco de uva

1/3 xícara de amendoim descascado moído

1 colher de sopa de mel

1 colher de chá de canela

* Modo de Preparo

Bata todos os ingredientes no liqüidificador e está pronto para servir

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3 respostas para Tudo sobre a Celebração de Pessach

  1. Ivanete Pereira disse:

    toda rabah gostaria de saber onde vcs estão localizados.
    shalom
    Tikva

  2. juliana couto rocha disse:

    esse comentario nao tem nada de mais

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