março 31, 2009


Tudo sobre a Celebração de Pessach

março 31, 2009

Por Sha’ ul Bentsion

Revisado e Ampliado em 2009

I – INTRODUÇÃO

No próximo dia 15 do Primeiro Mês, Israel celebrará talvez o seu feriado mais importante. É um feriado tão importante que 80% dos judeus o celebram ativamente – mesmo aqueles que estão mais afastados da fé. O nome “ Pessach” vem do hebraico que significa “ passar por” ou “ passar através” , ou ainda “ poupar” . Se refere ao fato de que na noite da libertação, o Eterno “ passou por” nossas casas e nos poupou a vida. Para nós nazarenos, refere-se ainda ao dia em que, morrendo por nós, o Eterno nos “ poupou” de toda a condenação do pecado. Não é à toa que o nome “ Pessach” também é dado ao sacrifício do cordeiro que era feito no Beit HaMikdash (Templo) para esta ocasião. Este festival também é conhecido como Chag heAviv (o Festival da Primavera), Chag haMatsot (Festival dos Pães Ázimos) ou ainda Z’ man Cheruteinu (o tempo da nossa liberdade).

II – A LIBERTAÇÃO DE ISRAEL

Nosso surgimento como nação remonta a uma noite sombria, nossa última noite no Egito (Shemot/Êxodo 12). Ao contrário das demais nações, não costumamos celebrar nossa independência com desfiles, picnics, festas ou fogos de artifício. Nossa celebração ocorre dentro de uma casa, com nossa família, ou pequenos grupos de família, que nos ajudam a lembrar o verdadeiro sentido de Israel: somos a família de Elohim, unida por laços indeléveis, mesmo quando dispersos entre as nações, como é o caso dos efraimitas que hoje podem celebrar o Pessach. Neste dia da independência, os participantes celebram à volta de uma mesa que contém um cordeiro assado (embora atualmente nem sempre isto seja possível), ervas amargas, pães ázimos e recitamos as promessas e atos do Eterno que estão em conexão com a nossa redenção. Este dia da independência é dedicado ao Eterno, que expressou de forma tão grande Seu amor por nós ao nos redimir do cativeiro. Para nós seguidores de Yeshua é um dia de tripla alegria: a libertação de nossos pais do Egito, a redenção dos nossos pecados no Messias, e a futura celebração com Ele no Seu retorno.

Apesar da alegria da libertação, não é uma ocasião totalmente festiva: lembramos também do sacrifício, lembramos do sofrimento de nossos pais, e de nosso Messias, e lembramos que a liberdade não vem de graça, mas tem um preço. Mais do que qualquer coisa, nosso dia da independência, nosso festival da libertação expressa uma verdade singular: foi o Eterno que fez tudo. Tanto na libertação do Egito, quanto na Sua morte no madeiro. Nenhum exército poderoso enfrentou os egípcios, nem tampouco legião de anjos alguma veio acudir nosso Messias no madeiro. No primeiro caso, a liberdade veio em uma noite negra com a família reunida, porém já pronta e aguardando a libertação.

Libertação não somente física, mas também da servidão espiritual. Quando chegou o tempo do Eterno, os egípcios não só nos libertaram, mas imploraram para que saíssemos, e ainda nos deram ouro e riquezas. Foi a mão do Eterno que tudo conduziu. Quando chegou o tempo do sacrifício voluntário de Yeshua, não fomos nós que tivemos que enfrentar as conseqüências de nossas transgressões, mas foi o Eterno que voluntariamente as assumiu para nós. Tanto os eventos da libertação da escravidão no Egito como o Seu sacrifício nos fizeram entender que o Eterno não é apenas mais uma divindade, mas sim o Rei da Criação, o Senhor da História, o Eterno é o nosso Salvador, o Eterno e somente Ele. Nós fomos remidos, tanto do Egito quanto do pecado, com um único propósito: o de serví-Lo.

E para isto Ele nos deu a Torá: nosso manual de como serví-Lo. A verdadeira liberdade não é a negação da escravidão, mas o nosso desejo de aceitar serví-Lo. Só quando aceitamos viver de acordo com os padrões do Eterno é queatingimos nosso objetivo de total liberdade. Foi assim com Israel como um povo: quando voluntariamente dissemos, aos pés do Sinai, que tudo aquilo quanto o Eterno dissesse, nós faríamos. Ali, fomos libertos de qualquer senhor humano, e nos tornamos servos do S-nhor dos senhores. Assim como cada família na noite de Pessach, hoje podemos escolher: serviremos ao Eterno e seremos livres, ou serviremos aos homens e seremos escravos.

III – OBSERVÂNCIA BÁSICA

Durante os sete dias da festa dos pães ázimos, nós não devemos comer nem ter em nossas casas nem um tipo de grão que contenha hamets (fermento).

Hamets é o nome dado para o tipo de fermentação em que a massa cresce. Para saber o que devemos tirar dos lares podemos fazer o seguinte teste: Faça uma massa com a farinha da substância em questão e com água. Se, com o passar do tempo, a massa crescer, é porque é hamets. Se a massa estragar sem apresentar qualquer crescimento, não há hamets. De antemão, sabe-se que massas de alguns grãos como trigo, aveia, centeio e cevada fermentam da forma supracitada, e portanto devem ser evitadas durante o período da festa em sua forma tradicional. Pode-se, contudo, fazer pães ázimos desses grãos, uma vez que depois de cozido, o pão ázimo não fermenta mais, e portanto pode ser armazenado em casa semproblema algum. Um pão ázimo é capaz de durar meses sem qualquer refrigeração. Por esta razão, costumamos preparar os pães ázimos antes da época da festa.

Massas feitas de mandioca, de batata, de arroz, de soja e de milho, não formam hamets. Polvilho também pode ser consumido sem problemas.

O que removemos das casas: As massas já fermentadas (pães, macarrão, etc.) e as farinhas dos grãos de características supracitadas – pois a farinha pode fermentar em contato com a umidade do ar. Evita-se também bebida feita com os grãos acima (ex: cerveja), bem como o fermento biológico. O fermento químico (aquele da Royal) também removemos porque o objetivo dele é fazer exatamente o papel do biológico e portanto criar hamets.

Iogurtes, queijos, e vinhos não são considerados hamets. Como dito anteriormente, hamets é apenas a fermentação de grãos, que resulta em massa inchada.

A segunda observância básica está no fato de que o primeiro dia deste festival e o último são Shabatot, e portanto, semelhantemente ao Shabat semanal, não devemos trabalhar, nem fazer os outros trabalharem por nós, nem comerciar, nem acender fogo. A única exceção é no que se refere a cozinhar tanto para o primeiro quanto para o sétimo dia.

A terceira observância básica é a de contar a história de Pessach durante esta época. O “contar” no hebraico é hagadá, e é assim que tradicionalmente chamamos a parte cerimonial que é feita no seder de Pessach.

IV – O SEDER DE PESSACH

A palavra ‘ seder’ significa ‘ ordem’ , e se refere à ordem cerimonial do jantar que é feito na primeira noite de Pessach. Aqui mostraremos de forma bem suscinta como é um seder judaico tradicional.

Celebrar o Pessach é muito fácil: Basta seguir a hagadá disponível no grupo. O texto da hagadá é auto-explicativo, e demonstra com clareza como deve ser a seqüência dos acontecimentos.

Instrumentos para o Seder

Além da louça de jantar, deve-se ter também:

1 bacia para o lavapés (leve em conta o número de participantes para que não se torne algo excessivamente demorado)

1 jarra para a lavagem das mãos

1 taça extra para os vinhos

1 local a mais na mesa do que o número de convidados, simbolizando

Eliyahu (sugestão adicional: pode-se ter dois, lembrando das 2 testemunhas)

1 tigela (ou copo) com água salgada, por mesa

1 pano ou lenço por mesa, para cobrir o afikoman

Alimentos a Providenciar

Por participante, deve-se ter:

4 porções de taças de vinho ou suco de uvas. Usamos uma taça mesmo, e não cálices ou copos de café.

1 porção pequena de vegetal (aipo, batata, ou salsa são os mais comuns)

2 porções pequenas de erva ou vegetal amargo (maror – é comido duas vezes)

1 boa porção de charosset (é usado duas vezes, sobre pedaços de matsá relativamente grandes portanto, cuidado com a quantidade aqui) – O charosset é uma pasta doce – vide receita abaixo.

3 matsot (pães ázimos) inteiras por participante – O tamanho não deve ser menor do

que uma fatia de pão de forma, por participante – evite quebrar a matsá em pedacinhos!

A Ordem e o Simbolismo do Seder:

1 – Kadesh (Santificação)

O seder começa com uma bênção sobre o vinho em honra do feriado. O primeiro cálice de vinho é tomado, e o segundo copo é servido.

2 – Urechats (Lavagem)

Normalmente lava-se as mãos, em preparação para comer karpas.

3 – Karpas (Vegetais)

Normalmente um vegetal (tradicionalmente aipo, salsa ou batata cozida) é mergulhado

em água salgada e comido. O vegetal simboliza a origem humilde do povo de Israel e a água salgada simboliza as lágrimas derramadas em razão da nossa escravidão.

4 – Yachats (Quebra)

Uma das três matsot (pães ázimos) sobre a mesa é quebrada. Uma parte é retornada à pilha e outra é colocada de lado para o afikomen (vide explicação abaixo)

5 – Maguid (História)

A história do êxodo do Egito e do primeiro Pessach é contada. Isto começa com a pessoa mais jovem, ou as crianças, perguntando as quatro perguntas que aparecem no capítulo 12 de Shemot (Êxodo).

Estas quatro perguntas são conhecidas como “ Má Nishtaná?” (Por que é diferente?) e muitas vezes são até mesmo entoadas em uma canção. Segundo nossos sábios, as quatro perguntas simbolizam quatro tipos de pessoas que desejam saber da história do Pessach: o sábio, que quer saber de todos os detalhes, o ímpio, que se exclui (e descobre a penalidade por isto), o simples, que quer saber apenas o básico, e aquele que ainda não é capaz de falar e sequer sabe o que é necessário saber. Ao término do maguid, uma nova bênção é recitada sobre o segundo cálice de vinho, o qual é então tomado.

6 – Rachtsá (Lavagem)

É feita uma segunda lavagem das mãos, desta vez costuma-se recitar a bênção da

lavagem das mãos, em preparação para comer o matsá.

7 – Motsi (Bênção sobre os grãos)

É feita a tradicional bênção “ ha-motsi” sobre pães e produtos de grãos, desta vez sobre a matsá.

8 – Matsá (Pão ázimo)

É feita uma bênção específica sobre a matsá, e um pedaço é comido.

9 – Maror (Ervas amargas)

Faz-se uma bênção sobre uma erva/vegetal amargo, o qual é comido. Isto simboliza a

amargura da escravidão. O maror é molhado em charoset, uma mistura de maçã, nozes, canela e vilho, que simboliza o pilão usado pelos israelitas na construção durante a escravidão.

10 – Korech (Sanduíche)

Esta é uma tradição que se faz em memória do grande rabino Hillel, que era da opinião de que o maror (vide acima) deveria ser comido junto com a matsá e o cordeiro. Por isto, come-se um pouco de matsá com maror e charosset.

11 – Shulchan Orech (Jantar)

Normalmente neste ponto é então comido um jantar festivo. Não existe nenhuma recomendação específica para este ponto, mas alguns grupos naturalmente possuem pratos típicos. Dentre os judeus ashkenazi, por exemplo, costuma-se comer guefilte fish (um prato de peixe) e sopa de kneidel (bolas de matsá).

12 – Tsafun (o Afikoman)

Até hoje, os rabinos muito debatem sobre o significado de esconder um pedaço da matsá (geralmente um terço) para depois comê-lo, mas nós nazarenos sabemos que isto simboliza que o Messias, que após sua morte, ficou oculto por 3 dias, mas depois ressurgiu para honra e glória do Eterno.

13 – Barech (Bênção após o alimento)

O terceiro cálice é servido. Como a Torá nos diz que devemos sempre agradecer ao Eterno após as refeições,é então recitada a “ birkat hamazon” , que é justamente a bênção após uma refeição. Depois, recita-se a bênção do vinho sobre o terceiro cálice, que é ingerido. Serve-se então o quarto copo e separa-se um copo para o profeta Eliyahu (Elias), lembrando da sua vinda antes do Messias (e possivelmente antes do seu retorno também). Neste momento, abre-se a porta por um tempo, lembrando que Eliyahu poderia vir naquele momento.

14 – Hallel (Louvores)

Diversos salmos tradicionais são recitados. Uma bênção é recitada sobre o quarto e último cálice de vinho, o qual é tomado.

15 – Nirtsá (Encerramento)

Encerra-se o seder de Pessach desejando que no próximo ano possamos celebrar em Yerushalayim (Jerusalém), com o retorno do Messias.

V – RECEITAS PARA O SEDER

A seguir algumas receitas básicas para preparação de pães ázimos e do charosset (a pasta doce usada no seder):

Matsá (pão ázimo)

Receita tradicional

* Ingredientes

um quilo de farinha de trigo ou integral

meio litro de água fria

meio copo de azeite

sal a gosto

* Modo de preparo

Amasse bem os ingredientes. Com o auxílio de um rolo, abra a massa bem fina, coloque-a em uma forma levemente untada e com a ponta de uma faca, risque em formato quadrado. Isso facilita o partir. A massa deve ficar bem fina, praticamente transparente.

Charosset (Pasta doce)

* Ingredientes

3 maçãs ou bananas descascadas

1/2 xícara de suco de uva

1/3 xícara de amendoim descascado moído

1 colher de sopa de mel

1 colher de chá de canela

* Modo de Preparo

Bata todos os ingredientes no liqüidificador e está pronto para servir


Teshuvá

março 29, 2009

Yitschak
Catroque

No Torah Viva

Eu estava pensando sobre o que você falou, quanto a conversão. É difícil identificar quando cada um de nós atinge o ponto em que podemos dizer que somos nazarenos (israelitas). Isso porque não há uma forma objetiva de validar o nível de transição que estamos passando, pois trata-se de uma convicção pessoal.

Eu creio que alguém que deseja ser judeu nazareno (judeu no sentido israelita), deve inicialmente avaliar a chama que arde em seu coração quanto a buscar ao Eterno. Interrogar qual a motivação que toma parte desta necessidade. Despir-se da busca para as suas necessidades materiais e verificar se sobra algo. Como toda observação humana tem suas exceções, por exemplo, alguém com uma enfermidade está muito propensa a buscar ao Eterno de todo coração, mas nem todas conseguem incorporar a teshuvá ao longo do tempo, a ponto de afastarem do Altíssimo após um período quer seja de benção, quer seja de paciência.

Não creio em conversão do tipo “estrada de damasco” nos dias de hoje, embora aceite que haja exceções. Pois num mundo em que os valores sociais não tem nenhuma perspectiva, quero dizer, nenhum bigode é aceito como contrato, é difícil conseguir enxergar um processo de conversão muito rápido. Talvez por isso não goste muito da palavra conversão, pois no cristianismo é usada como algo extraordinário, em que apenas um gesto é necessário para identificar o cidadão como um membro. Prefiro o termo teshuvá.

Teshuvá, no meu ponto de vista, é um caminho lento, e é importante que seja lento, pois só assim podemos solidificar corretamente os conceitos e ter tempo para incorporar no dia-a-dia as mudanças que são necessárias. Também dá a oportunidade da pessoa definir suas escolhas, ou seja, verificar a identificação e convicção para com sua fé. Claro que nós cremos que a fé nazarena está conforme nos afirmam as escrituras, mas o livre arbítrio conferido a todos nós não pode ser afogado neste processo. Nem HaShem faz isso conosco, porque faríamos com nossos semelhantes.

Eu imagino que cada um de nós passa por alguns períodos em que a consolidação da fé é fundamental para um próximo. Que alguns acabam misturando esses períodos até que em um momento não conseguem mais superar a absorção ou solidificação, e então acaba gerando trincas e em qualquer momento rompe ou apostata da fé.

Existe uma palestra de um diretor da empresa coca-cola (não sei se é fake, mas é interessante) que tem um modelo que se enquadra bem quanto essa solidificação que venho dizendo. Imagine que cada conceito da teologia nazarena seja uma bola de vidro que pode ter diversas formas e tamanhos mas sempre num mesmo padrão, e que cada um de nós vai ao longo do tempo pegando uma dessas bolas (conceitos) e vai fazendo uma espécie de malabares com elas.

Imaginemos que iniciamos com 2 bolas. No início do malabares o equilíbrio das bolas parece difícil, mas com um pouco de treino (estudo e prática) você vai conseguindo equilibrá-las satisfatoriamente. Quando você se sentir confortável, pega mais 1 bola, e o processo torna-se novamente instável, mas ao longo do tempo, com perseverança, estudo e muita prática, acaba superando as dificuldades e manuseando adequadamente.

Há pessoas que o processo é rápido, conseguem manusear o malabares eximiamente, enquanto outros demoram um pouco mais. Alguns até mesmo necessitam voltar para o estágio anterior pois superestimaram sua capacidade, mas o aprendizado e a consciência deixam-na mais preparada para atingir o próximo passo novamente.

Quando aparece uma bola que não acomodar aos moldes das bolas anteriores, simplesmente a descartamos e continuamos o processo. Mas para descartar temos que avaliá-las no estágio de malabares que estamos, temos que testá-la no modelo que estamos manuseando.

O processo normal sugere que a cada passo alcançado gastemos um tempo colocando em prática e aprofundando o estudo do malabares, cada vez mais especializando o manuseio das bolas. Algo interessante acontece: as bolas mais antigas acabam tendo um valor afetivo para a pessoa, pois acaba sendo como um marco de superação. Portanto, o cuidado com as bolas mais antigas tende a ser mais sublime, não que a bola seja mais frágil, mas manuseá-la é mais prático, dado o tempo em que tem contato.

Com o passar do tempo mais e mais bolas são incorporadas no nosso malabares e um bom conhecimento de cada bola já em uso faz com que a capacidade de acomodação seja simples e agradável, assim como a identificação das bolas que não se adequam ao modelo por nós praticado.

Bem, é claro que nesta alegoria, podemos esperar que algumas pessoas queiram pegar bolas rapidamente, até mesmo tentando pular etapas de aprendizado e absorção da prática necessária, ou ainda é pego uma bola que não se adapta ao modelo de bolas utilizado (imagine uma oval bem prolongada) e isso acaba com a queda de algumas bolas e conseqüente desfacelamento. A partir daí temos grandes possibilidades de análises, pois para alguns pode ser difícil voltar a tentar equilibrar bolas, para outros um processo doloroso, para outros a perda de alguma bola estimada é duro de ser reparada, outros querem adaptar as bolas para se convencer que era igual a anterior, outros acabam aceitando bem o início do processo, e por aí vai.

Aonde quero chegar: Consolidar os conceitos básicos da fé nazarena é um primeiro passo, e importantíssimo que se prossiga adiante. Analisar as questões de echad, a natureza de YHWH, a relação de Yeshua nesta natureza, avaliar a primazia aramaica das escrituras, a aliança de Elohim com o povo de Israel ainda em vigor, a necessidade do cumprimento das mitsvot, a consonância dos textos da brit chadashá aramaica com o tanach, entre outros, é fundamental à identificação da fé.

Com a convicção da fé estabelecida parte-se então para a fase da prática das mitsvot e esse é o ponto em que creio que alguém possa se chamar judeu nazareno, pois se a convicção for estabelecida e a kavaná estiver direcionada ao amor ao Eterno, então os próximos passos serão absorvidos com amor e alegria, que são as mitsvot. Algumas pessoas impressionadas com a grandeza da cultura judaica, acabam vertendo suas intenções e/ou necessidades para outras finalidades como a necessidade de ser aceito em um determinado grupo, a dificuldade de aceitar a indiferença social dado a escolha realizada (quanto a religião), e pessoas com problemas emocionais que acabam fazendo da fé um subterfúgio para suas necessidades de relacionamentos, solidão, aceitação, entre outros, que acabam fragilizando a convicção ou solidificação da fé nazarena.

Cada mitsvot deve ser passo a passo, dia a dia, compreendida, estudada e praticada. Não creio que para alguém que esteja iniciando deva ser todas de uma vez. Que estabeleça períodos de adaptação que condizem com sua situação, quer seja financeira, quer seja familiar, quer estruturais. Afinal, se o coração da pessoa apontar para YHWH, certamente Sua misericórdia pairará sobre ela.

Para a maioria não é um processo simples e fácil. É dolorido pois as bolas de nosso malabares anterior serão destruídos, e isso gera dor, mas é necessário. A convicção da fé nazarena é em geral um período duro, de choro, e inconstância. Mas a perseverança traz frutos gratificantes.

Minha recomendação é fazer uma auto-análise periodicamente, pesquisar e escrever os questionamentos ao grupo de forma séria e diplomática, mostrando os conceitos que estão em difícil compreensão, expondo as dificuldades. Lembre-se que esse grupo é sério e há uma grande diferença da libertinagem que você encontra ao longo da internet.

Bem, fui muito além da sua questão, mas achei interessante colocar minha visão sobre o processo de teshuvá. Afinal, a formalização da religiosidade de dá por você mesmo, quando sua convicção passa a ser sólida e a prática das mitsvot já estão aflorando no seu dia-a-dia.

Que YHWH lhe abençoe.


Profecias e revelações de grupos modernos

março 28, 2009

Assisti hoje uma série de vídeos postados pelo Sha’ul no Torah Viva, chamada Operação Bola de Cristal. Nesta série um ator recebe algumas aulas de um parapsicólogo e um “mágico” para poder atuar como vidente, de forma a mostrar como os charlatões enganam suas vitimas. E infelizmente isso tem acontecido muito entre as religiões, onde falsos profetas se aproveitam da fragilidade de seus seguidores destilando o veneno das falsas profecias e revelações.

Como disse o Sha’ul:


Como tentativa de ajudar tais pessoas, sugiro que assistam ao excelente documentário abaixo, que mostra como muitas pessoas (e nisso se incluem líderes de grupos religiosos) enganam incautos e os fazem acreditar que são profetas. Pense nisso: Se um ator com algumas aulas foi capaz de obter tais resultados, imagine pessoas com anos de prática!


Os profetas profetizam falsamente, e os sacerdotes dominam pelas mãos deles, e o meu povo assim o deseja;” (Yirmiyahu/Jeremias 5:31)


No amor de Yeshua

Shlomo Ben Yisra’el




ARREBATAMENTO PRE-TRIBULACIONISTA: UMA PERIGOSA HERESIA

março 21, 2009

Por Dr. James S. Trimm

Traduzido e Adaptado por Sha’ul Bentsion

Revisado por Shlomo Ben Yisra’el

1 – INTRODUÇÃO

A doutrina do arrebatamento pré-tribulacionista é uma doutrina cristã tardia que tem ameaçado o verdadeiro entendimento bíblico. Esta doutrina cristã só teve início no século dezenove. O objetivo deste artigo é provar que a doutrina do arrebatamento pré-tribulacionista é:

1 – Uma invenção moderna do Cristianismo que NÃO TEM NENHUMA raiz bíblica nem judaica de qualquer tipo;

2 – Uma doutrina que vai totalmente contra as Escrituras;

3 – Uma doutrina de “paz e segurança” que pode futuramente vir a destruir a fé de muitos.


2 - Glossário dos Termos deste Artigo

Antes de começarmos, vamos definir alguns termos básicos que usaremos:

ARREBATAMENTO – Este termo se tornou bastante polêmico. No ocultismo, este termo foi usado durante muitos séculos para se referir a levitação. Na Bíblia, a origem do termo está em 1 Tess. 4:17 onde lemos a palavra “ arrebatados” .

NATZAL – Palavra no hebraico que significa “livramento” . Esta palavra tem sido usada nos meios messiânicos numa tentativa de convencê-los sobre a teoria do arrebatamento pré-tribulacionista.

KH’TAF – Palavra aramaica para “ arrebatados” no texto aramaico de 1 Tess. 4:17.

PÓS-TRIBULACIONISMO – É a visão de que o KH’TAF (arrebatamento) é simplesmente parte da segunda vinda do Messias e, portanto ocorrerá no fim da tribulação, isto é, no início do Reino do Milênio.

PRÉ-TRIBULACIONISMO – É a visão de que o arrebatamento seria um evento separado da segunda vinda do Messias e que ocorreria sete anos antes, imediatamente antes da tribulação.

MID-TRIBULACIONISMO – É a visão de que o arrebatamento é um evento separado da segunda vinda do Messias e que ocorreria 3 anos e meio antes, no meio da tribulação, durante o tempo do “sacrilégio terrível” (a revelação do Anti-Messias).

ARREBATAMENTO-PREMATURO – É qualquer visão de que o arrebatamento e a segunda vinda do Messias são eventos separados e que o arrebatamento precederá por um período de tempo a segunda vinda do Messias.

ARREBATAMENTO PARCIAL – É a visão de que apenas uma parte do Corpo do Messias será arrebatada.

PASHAT – O sentido simples, literal de um texto segundo a Midrash Judaica (vide artigo sobre como interpretar as Escrituras como um judeu).


3 – ONDE ESTÁ O PASHAT?

Um dos maiores problemas com a doutrina cristã do arrebatamento pré-tribulacionista é que já de cara fere a Midrash. Segundo a Midrash, que é o sistema mais antigo de interpretação das Escrituras, um texto nunca perde o seu Pashat. Contudo, esta doutrina em particular não tem base de Pashat. Apesar dos pré-tribulacionistas frequentemente alegarem que as suas crenças são baseadas numa leitura simples e literal das Escrituras, o fato é que uma leitura literal das Escrituras é incapaz de produzir uma crença no arrebatamento pré-tribulacionista.

3.1 – SEM BASE BíBLICA

Até mesmo Hal Lindsey, o mais famoso defensor do pré-tribulacionismo, admite que a sua crença não se baseia no sentido simples e literal das Escrituras. Lindsey admite que ele não consegue “mostrar nenhum versículo que diga claramente que o arrebatamento ocorrerá antes… da tribulação.” (O Arrebatamento por Hal Lindsey pág. 32). Ao invés disto, Lindsey alega que “o pré-tribulacionismo é amplamente baseado em argumentos de inferência e silêncio.” (ibid p. 31)

Se o pré-tribulacionismo não vem de um entendimento do Pashat das Escrituras, devemos então nos perguntar de onde ele se originou, e porque tanta gente acredita nisto.


4 – O DISPENSASIONALISMO: UMA HERESIA GERA OUTRA

Durante as décadas de 1820 e 1830, um teólogo cristão chamado John Darby (fundador da Irmandade de Plymoth) desenvolveu uma nova teologia sistemática chamada Dispensasionalismo. Esta doutrina desde então tornou-se muito popular no Cristianismo. É fato incontestável que o Dispensasionalismo não existiu até o século dezenove. Não tem nenhuma raíz judaica e não existia nem mesmo no Cristianismo até o século em questão.


5 – A ORIGEM DE UMA GRANDE MENTIRA

Como a maioria dos teólogos do século 19, John Darby era antinomiano, isto é, acreditava que Lei de Moshe (Moisés), ou seja, A Torah do Eterno, tinha desaparecido na cruz. Darby se sentia incomodado com os sérios problemas trazidos por esta doutrina. Darby percebeu que durante os sete anos da última semana profética de Daniel, os sacrifícios estariam sendo feitos no Templo. Como a Lei de Moshe (Moisés) estava CLARAMENTE sendo cumprida durante os sete anos da tribulação, Darby concluiu que a Lei voltaria a ter validade no início da tribulação. Esta linha de raciocínio fez Darby segregar as histórias bíblicas e proféticas em períodos compartimentadas.

Darby teorizou que a “idade da Lei” tinha acabado na cruz e que a “ dade da graça” ou “idade da igreja” tinha começado na cruz. Então com a tribulação, a “idade da Lei” volta e a “idade da graça” termina. Isto criou um problema grande para a teoria de Darby. Como poderia a “idade da Lei” retornar se a igreja ainda estaria na terra? Darby achava que na “idade da Lei” o Eterno lidava com Israel e na tribulação o Eterno voltaria a lidar com Israel. Então o que aconteceria com a igreja? Certamente que a igreja não sairia da “idade da graça” pra voltar pra Lei de Moshe (Moisés). Como conseqüência desta linha de raciocínio absurda, Darby adotou a idéia de um arrebatamento pré-tribulacionista que havia se tornado tão popular entre os Irvingitas.

Esta idéia dizia que a Igreja sairia da terra no início da tribulação, deixando Israel pra trás para sofrer na tribulação durante o período da “volta da Lei”. Darby agora tinha um outro problema: se a igreja fosse arrebatada deixando Israel pra trás, o que dizer dos judeus crentes? Eles seriam arrebatados juntamente com a Igreja ou ficariam para trás com Israel? Darby inventou outra solução completamente louca: a dicotomia Igreja/Israel. Esta teoria ensinava que um judeu que se tornava crente no Messias passava a fazer parte da Igreja e não era mais parte de Israel. Como resultado disto, ninguém poderia ser parte tanto da Igreja quanto de Israel. Segundo esta teoria, judeus crentes deixariam de ser judeus e se tornariam parte da Igreja, que ele ensinava conter pessoas que não eram nem judeus nem gentios.

Portanto, as três mentiras que se tornaram pilares do Dispensasionalismo são:

1 – A Lei não seria para hoje;

2 – O arrebatamento pré-tribulacionista;

3 – A dicotomia Igreja/Israel.

Obviamente que judeus nazarenos não podem aceitar nem a número 1 nem a número 3. A número 2 só seria necessária por causa de uma crença na número 1. A número 2 não funciona sem a número 3, que foi criada para resolver os problemas da número 2. Como resultado, o Judaísmo Nazareno é incompatível com o Dispensasionalismo. Dois de seus três pilares fundamentais não são compatíveis com a teologia bíblica original, adotada pelo movimento nazareno. Além disto, o único pilar remanescente não se sustenta sozinho. Quando examinada à luz da Bíblia, toda a estrutura do Dispensasionalismo é destruída.


6 – QUANTAS VINDAS DO MESSIAS?

O Tanach (Primeiro Testamento) aponta claramente para duas vindas do Messias: uma como servo e outra como rei. Contudo, fica evidente que os acreditam no arrebatamento-prematuro vão contra as Escrituras por crerem em três vindas do Messias. Uma vez que o retorno do Messias tem sido entendido por séculos como sendo a “Segunda Vinda do Messias”, os que crêem no arrebatamento-prematuro devem mudar a expressão acima para “Terceira Vinda do Messias” ou insistir, como a maioria faz, de que o arrebatamento-prematuro não é de fato uma vinda do Messias.

Se a teoria do arrebatamento-prematuro fosse verdadeira, então as Escrituras deveriam ensinar sobre um “aparecimento” pré-tribulacionista do Messias que não é uma “vinda do Messias” propriamente dita, seguida de uma “vinda do Messias” após a tribulação. E mais: as Escrituras não poderiam identificar o KH’TAF (arrebatamento) como se referindo à “vinda” do S-nhor”. Não deveríamos também esperar que a vinda pós-tribulacionista do Messias fosse chamada de “aparecimento”.

Agora vamos examinar estas mentiras à luz das Escrituras:

“Conjuro-te diante de Elohim e do Mashiach Yeshua, que há de julgar os vivos e os mortos, pela sua vinda e pelo seu reino” (2 Tim. 4:1)

Aqui vemos claramente que no final da tribulação e no início do Reino teremos a vinda do Messias.

“assim também o Mashiach, oferecendo-se uma só vez para levar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação.” (Yehudim / Hebreus 9:28)

Aqui o texto fala claramente da vinda pós-tribulacionista do Messias. Se o arrebatamento-prematuro estivesse correto, este texto deveria dizer “aparecerá uma terceira vez” .

“Portanto, irmãos, sede pacientes até a vinda de YHWH.” (Ya’ akov / Tiago 5:7a)

Este texto nos instrui claramente que a nossa esperança deve ser na vinda do S-nhor, e não em um “aparecimento do S-nhor”.

“Dizemos-vos, pois, isto pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, de modo algum precederemos os que já dormem. Porque o Senhor mesmo descerá do céu com grande brado, à voz do arcanjo, ao som do shofar de Elohim, e os que morreram no Mashiach ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos seremos arrebatados juntamente com eles, nas nuvens, ao encontro do

Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor.” (1 Tess. 4:15-17)

Esta é a passagem que fala do arrebatamento. Mas esta passagem também se refere à “vinda do Snhor” e não de um aparecimento. Vemos portanto que a teoria do arrebatamento-prematuro que crê em “três vindas” ou em “duas vindas e um aparecimento” do Messias é completamente contrária às Escrituras, que falam apenas de duas vindas do Messias.


7 – O LADRÃO DA NOITE

Um dos chavões dos pré-tribulacionistas é a expressão “ladrão da noite” . Os pré-tribulacionistas usam este termo para descrever o arrebatamento-prematuro como um “arrebatamento secreto” no qual a Igreja é removida da terra secretamente. Isto, contudo, é tirar a expressão completamente de seu contexto e usá-la erradamente. A parábola do “ladrão da noite” é uma das diversas parábolas contadas por Yeshua (vide Mt. 24:42-51) e é mencionada em três outros lugares: 1 Tess. 5:2-10, 2 Kefah (Pedro) 3:10, Ap. 3:3 e 16:15). Uma análise verídica desta expressão tal qual é usada nas Escrituras revela justamente o extremo oposto: um arrebatamento pós-tribulacionista.

Primeiramente vamos analisar a parábola em si. Eis o texto de Mt. 24:42:

“Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor; sabei, porém, isto: se o dono da casa soubesse a que vigília da noite havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa. Por isso ficai também vós apercebidos; porque numa hora em que não penseis, virá o Filho do homem.”

Existe um grande número de elementos importantes nesta parábola. Primeiramente devemos perceber que o “ladrão” nesta parábola refere-se ao Messias. Contudo, o ladrão nesta parábola não está “roubando a igreja do mundo” (isto seria absurdo), mas sim o termo ladrão é usado para identificar que o Messias virá num momento inesperado. Em segundo lugar, percebemos claramente que a igreja não estava esperando que Ele viesse naquele momento. E finalmente é extremamente significativo que o ladrão vem num momento posterior, no qual a igreja é esperada e é encontrada dormindo (vide Matitiyahu / Mateus 25).

7.1 – O SONO DA APOSTASIA DA IGREJA

Ao longo das Escrituras, vemos que “dormir” é um eufemismo para apostasia (vide Yeshayahu / Isaías 29:10 e Romanos 11:8). A parábola do ladrão da noite é parte de uma seção das Escrituras que começa em Mt. 24:42 e termina em Mt. 25:13, onde Yeshua ilustra o fato de que o Messias virá mais tarde do que o esperado e pegará a igreja dormindo pois esperava que ele viesse antes. Este tema é primeiramente apresentado por Yeshua no versículo 42. Depois em Mt. 24:43 Yeshua dá a parábola do ladrão da noite. Então no versículo 44 Yeshua reforça o tema. Em Mt. 24:45-51 Yeshua dá a parábola do “servo fiel e prudente” . Nesta parábola o Messias também vem depois do esperado pelo servo (versículos 48 & 50) para encontrar um servo apóstata (versículos 48-49). Finalmente, Yeshua dá a ilustração das “dez virgens” (Mt. 25:1-12) na qual o noivo vem depois do que as virgens esperavam. As virgens (pelo menos algumas delas) são nitidamente crentes, pois cinco delas têm óleo na lâmpada. O noivo vem e encontra as virgens dormindo. Apesar de muitas delas ainda terem óleo nas lâmpadas, elas pensaram que o Messias viria antes e caíram no sono da apostasia.

7.2 – O GRAVÍSSIMO PERIGO DA HERESIA PRÉ-TRIBULACIONISTA

Ao contrário de ensinar um arrebatamento pré-tribulacionista, esta seção das Escrituras nos avisa que muitos da igreja esperarão pelo Messias antes dEle vir (pré-tribulacionismo) e que quando o Messias na realidade vem após a tribulação, isto é, depois do esperado, eles caem em apostasia. Os pré-tribulacionistas têm sido enganados dentro do Cristianismo de que a Bíblia ensina que o Messias os resgatará da tribulação antes da mesma acontecer. Quando a tribulação chegar e eles perceberem que isto não ocorreu, muitos perderão a fé e acharão que o Eterno desistiu deles, e por isto não foram arrebatados. Ou ainda pior: que as Escrituras mentiram. Ou seja, a decepção deles os fará se desviarem: cairão no sono da apostasia.

Em Apocalipse 3:3 lemos:

“Lembra-te, portanto, do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te. Pois se não vigiares, virei como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei.”

Esta passagem claramente se refere ao texto de Mt. 24:42-44. Aqui o Messias está se referindo à Igreja de Sardis (ou seja, crentes genuínos) e indica que Ele virá em um momento em que a igreja não espera.

A implicação da expressão “se não vigiares…” é a de que o Messias virá após a tribulação, ou seja, depois do esperado e encontrará crentes dormindo/apóstata.

7.3 – O MILÊNIO E A VINDA DO LADRÂO DA NOITE

Em 2 Kefah (Pedro) 3:10 lemos:

“Virá, pois, como ladrão o dia de YHWH, no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se dissolverão, e a terra, e as obras que nela há, serão descobertas.”

Aqui, o “dia” em questão refere-se ao dia de 1000 anos do Reino do Milênio (vide 2 Pe. 3:8; Sl. 90:4; Ap. 20:2,7). Este “dia de 1000 anos” começa com a segunda vinda do Messias (Ap. 19:11 – 20:2) e termina com a destruição da terra por fogo (Ap. 20:7-21:1). Aqui a expressão “o dia do S-nhor virá como um ladrão” (2 Pe. 3:10) definitivamente se refere à segunda vinda do Messias e ao final da tribulação e ao início dos 1000 anos. Este não é um “ladrão” que virá sorrateiramente e em silêncio. É um “ladrão” que fará os céus se passarem com um “rugido”.

Em Ap. 16:15 lemos:

“Eis que venho como ladrão. Bendito aquele que vigia, e guarda as suas vestes, para que não ande nu, e não se veja a sua nudez.”

Esta passagem ocorre no contexto dos eventos do dia de 1000 anos mencionado acima. Além disto, esta passagem também reflete um ladrão que chega depois do esperado e encontra uma igreja apóstata.

7.4 – O ALERTA DE PAULO: A PROFECIA SOBRE A HERESIA PRÉ-TRIBULACIONISTA

Finalmente em 1 Tess. 5:2-10 lemos:

“porque vós mesmos sabeis perfeitamente que o dia do Senhor virá como vem o ladrão de noite; pois quando estiverem dizendo: Paz e segurança! então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida; e de modo nenhum escaparão. Mas vós, irmãos, não estais em trevas, para que aquele dia, como ladrão, vos surpreenda; porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas; não durmamos, pois, como os demais, antes vigiemos e sejamos sóbrios. Porque os que dormem, dormem de noite, e os que se embriagam, embriagam-se de noite; mas nós, porque somos do dia, sejamos sóbrios, vestindo-nos da couraça da fé e do amor, e tendo por capacete a esperança da salvação; porque Elohim não nos destinou para a ira, mas para alcançarmos a salvação por nosso Senhor Yeshua HaMashiach, que morreu por nós, para que, quer vigiemos, quer durmamos, vivamos juntamente com ele.”

Agora na leitura desta passagem devemos relembrar a passagem do ladrão da noite, à qual esta passagem claramente faz alusão. Vemos aqui uma profecia sobre o surgimento da heresia do pré-tribulacionismo! Aqui aprendemos que os que apostatarem da fé ficarão entorpecidos pela doutrina da “paz e segurança” e vão cair em apostasia quando o Messias não chegar tão breve quanto o esperado mas ao invés disto vier sobre eles a “repentina destruição” – algo que eles aparentemente acreditavam que iriam “escapar”. Neste ponto eles parecem ter caído no sono da apostasia. Muitos deixarão a fé quando os pré-tribulacionistas ficarem desapontados ao perceberem que entraram na tribulação ao invés de escapar dela em um “arrebatamento pré-tribulacionista”. Mas espere! Veja 1 Tess. 5:1! Esta seção inteira das Escrituras se refere ao momento em que acontecerá o arrebatamento de 1 Tes. 4:16-18. Na realidade, este capítulo muda de 1Tess.4:18 para 5:1 no meio de um parágrafo!

7.5 – O LADRÃO DA NOITE E OS DIAS DE NOACH

A referência à parábola do ladrão da noite em 1 Tess. 4:16-5:10 também é muito importante por outro motivo. Esta referência nos dá um certo contexto para o acontecimento do “ arrebatamento” de 1 Tess. 4:16- 17. A parábola do ladrão da noite em Mt. 24:43 acontece num grande segmento de Matitiyahu / Mateus (Mt. 24:29-25:46) o qual claramente discute a vinda do Messias após a tribulação (Mt. 24:29). O ladrão da noite de Mt. 24:42-44 vem num momento que é como “os dias de Noach (Noé)… antes do dilúvio” (Mt. 24:37-41 com Mt 24:42-51). Lucas também discute este tempo como os dias de Noach / Noé (Mt. 24:37-41 = Lc. 17:26-36). Lucas continua dizendo que aqueles que são “levados” em Mt. 24:37-41 = Lc. 17:26-36 serão consumidos por aves de rapina (vide Lc. 17:37 = Mt. 24:28). Estes homens consumidos por aves de rapina serão aqueles que se levantarão contra Israel e serão destruídos na segunda vinda (vide Ap. 19:11-21, especialmente 19:17,18 e 21).

O momento da vinda do “ladrão” é, portanto a segunda vinda do Messias descrita em Ap. 19:11-21. Uma vez que o momento do evento do “ladrão” em 1 Tess. 5:2-10 é parte do evento de 1 Tess. 4:16-18 (1 Tess 5:1 claramente diz que 1 Tess. 5:2-10 se refere ao momento de 1 Tess. 4:16-18), então o “arrebatamento” de 1 Tess. 4:16-18 é simplesmente parte da vinda do Messias, e após a tribulação, e não antes dela.


8 – IMEDIATAMENTE APÓS O ARREBATAMENTO

Para termos uma boa idéia do que é o KH’TAF (arrebatamento) descrito em 1 Tess. 4:16-17 devemos deixar as Escrituras interpretarem as próprias Escrituras. Este é um conceito na hermenêutica judaica chamado G’ ZARAH SHEVAH (equivalência de expressões). Esta é a segunda das leis de Hillel (vide o segundo artigo da série sobre como interpretar a Bíblia como um judeu). A primeira passagem que devemos comparar é 1 Tess. 4:16-17 com 1 Cor. 15:52.

Agora, 1 Tess. 4:13-17 diz:

“Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais como os outros que não têm esperança. Porque, se cremos que Yeshua morreu e ressurgiu, assim também aos que dormem, Elohim, mediante Yeshua, os tornará a trazer juntamente com ele. Dizemos-vos, pois, isto pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, de modo algum precederemos os que já dormem. Porque o Senhor mesmo descerá do céu com grande brado, à voz do arcanjo, ao som do shofar de Elohim, e os que morreram no Mashiach ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos seremos arrebatados juntamente com eles, nas nuvens, ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor.”

Agora comparemos esta passagem com 1 Cor. 15:50-55:

“Mas digo isto, irmãos, que carne e sangue não podem herdar o reino de Elohim; nem a corrupção herda a incorrupção. Eis aqui vos digo um mistério: Nem todos dormiremos mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som do último shofar; porque o shofar soará, e os mortos serão ressuscitados incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque é necessário que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade e que isto que é mortal se revista da imortalidade. Mas, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrito: Tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, o teu ferrão? Onde está, ó She’ol, a tua vitória?”

Certamente estas duas passagens obviamente falam do mesmo evento. A questão é que tipo de contexto 1 Cor. 15:50-55 dá ao arrebatamento de 1 Tess. 4:13-17?

1 – O evento de 1 Cor. 15:50-55 facilita a herança do Reino;

2 – 1 Cor. 15:54b cita Yeshayahu (Isaías) 25:8;

3 – 1 Cor. 15:55 cita Hoshea (Oséias) 13:14.

Yeshayahu (Isaías) 25:8 e Hoshea (Oséias) 13:14 falam claramente do início do Reino. Lidos em conjunto, 1 Cor. 15:50-55 coloca o arrebatamento de 1 Tess. 4:13-17 no contexto do início do Reino do Milênio.


9 – COMPARANDO O ARREBATAMENTO COM A SEGUNDA VINDA

1 Tess. 4:13-18 e 1 Cor. 15:50-55 normalmente são vistos como as passagens do “arrebatamento”. Agora vamos comparar estes com tais versículos com os que são comumente aceitos como versículos da “ segunda vinda”.

9.1 – VERSÍCULOS QUE FALAM DA SEGUNDA VINDA

Alguns dos versículos normalmente aceitos como sendo passagens que se referem à segunda vinda são: Daniel 7:13-14; Mt. 24:29-31; Mc. 13:24-27; Ap. 11:15 e 20:4-6. Nestas passagens é possível imediatamente identificar quatro elementos:

1 – O Messias aparecerá no céu de forma sobrenatural (Dan. 7:13-14; Mt. 24:30; Mc. 13:26);

2 – Haverá uma reunião sobrenatural com Ele nos céus (Mt. 24:29-31; Mc. 13:24-27);

3 – A última (a sétima de sete) trombeta é tocada por um dos sete anjos que estão perante YHWH (Ap. 8:2 e 11:15; Mt. 24:31; Is. 27:13);

4 – A (primeira) ressurreição dos justos(Ap. 20:4-6).

9.2 – VERSÍCULOS QUE FALAM DO ARREBATAMENTO

Agora vamos comparar estes quatro elementos com as passagens sobre o arrebatamento em 1 Tess. 4:13-18 e1 Cor. 15:50-55:

1 – O Messias aparecerá no céu de forma sobrenatural (1 Tess. 4:16-17);

2 – Haverá uma reunião sobrenatural com Ele nos céus(1 Tess. 4:17);

3 – A última (a sétima de sete) trombeta é tocada por um dos arcanjos(1 Tess. 4:16; 1 Cor. 15:52);

4 – A (primeira) ressurreição dos justos(1 Tess. 4:16; 1 Cor. 15:52).

Ao comparar estes quatro elementos fica bem evidente que o “arrebatamento” de 1 Tess. 4:13-18 e 1 Cor.15:50-55 é idêntico à segunda vinda do Messias em: Dan. 7:13-14; Mt. 24:29-31; Mc. 13:24-27; Ap. 11:15 e 20:4-6. Esta conclusão também é compartilhada por muitos comentaristas. Por exemplo, o guia da Bíblia de Halley diz o seguinte a respeito de 1 Tess. 4:13-18:

“[O evento de 1 Tess. 4:16-17] é mencionado e referido em diversos momentos em quase todos os livros do Novo Testamento. Os capítulos nos quais é explicado de forma mais plena são Mateus 24, 25; Lucas 31; 1 Tessalonissences 4, 5; 2 Pedro 3” . (o Guia da Bíblia de Halley pág. 626 sobre 1 Tess. 4:13-18) (vide também os comentários de Halley sobre Mt. 24:31 na pág. 447) E também no seu livro MESSIAS: Um Ponto de Vista Rabínico e Escriturístico, o autor judeu messiânico Burt Yellin escreve a respeito de 1 Tess. 4:16: ‘Em 1 Tessalonissences 4:16, Paulo nos fala a respeito do retorno do Messias: “Porque o Senhor mesmo descerá do céu com grande brado, à voz do arcanjo, ao som do shofar de Elohim, e os que morreram no Mashiach ressuscitarão primeiro.” Quando lemos isto juntamente com Apocalipse 11:15-17 vemos que esta ressurreição ocorrerá no tocar da sétima trombeta.’ (pág. 99)


10 – PROBLEMAS CRONOLÓGICOS DO PRÉ-TRIBULACIONISMO

Se considerássemos as passagens do arrebatamento de 1 Tess. 4:13-17 e 2 Cor. 15:50-55 como sendo um evento separado das passagens da “segunda vinda” de Dan. 7:13-14; Mt. 24:29-31; Mc. 13:24-27; Ap. 11:15 e 20:4-6, como o fazem os pré-tribulacionistas, teríamos grandes problemas cronológicos.

1 – Tal cronologia teria a primeira trombeta de Ap. 11:15 e Mt. 24:31 sendo tocada depois da “última trombeta” de 1 Tess. 4:16 e 1 Cor. 15:52.

2 – Tal cronologia também significaria que a ressurreição geral dos justos em 1 Tess. 4:16 e 1 Cor. 15:52 aconteceria antes da “primeira ressurreição” de Ap. 20:4-6).

3 – O evento do KH’TAF (arrebatamento) é claramente algo que Mt. 24:29 diz ocorrer “imediatamente após a tribulação daqueles dias… ”


11 -O PASHAT E O ERRO DE LINDSEY

Hal Lindsey, um dos maiores apologistas do arrebatamento pré-tribulacionista alega: A verdade é que nem um pós, mid, ou pré-tribulacionista pode indicar um versículo isolado que claramente diz que o arrebatamento ocorrerá antes, no meio da, ou depois da tribulação. (O Arrebatamento por Hal Lindsey p.32)

Concordamos com Lindsey que nenhum versículo sequer indica que o arrebatamento ocorreria antes da Tribulação. Contudo, Lindsey está claramente enganado quando diz que nenhuma visão pode apresentar um versículo sequer. Este artigo já demonstrou claramente que as Escrituras ensinam um KH’TAF (arrebatamento) pós-tribulacionista. Os seguintes versículos isolados indicam CLARAMENTE que o Arrebatamento ocorrerá após a tribulação:

“Porque David não subiu aos céus, mas ele próprio declara: Disse YHWH ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés.” (Atos 2:34-35 – citando Sl. 110:1) (veja também Heb. 1:13; Mt. 22:44; Mc. 12:36)

Esta passagem indica claramente que o Messias permanecerá à direita do Pai até que os seus inimigos sejam feitos seu escabelo no Reino do Milênio. Esta passagem claramente ensina que o arrebatamento não ocorrerá até após a tribulação, no início do Reino do Milênio.

“E envie Ele o Mashiach, que já dantes vos foi indicado, Yeshua, ao qual convém que o céu receba até os tempos da restauração de todas as coisas, das quais Elohim falou pela boca dos seus santos profetas, desde o princípio.” (Atos 3:20-21 – veja também Ap. 10:7 e 11:15) Esta passagem também ensina que o Messias ficará no céu até a vinda do Reino.

“Ora, quanto à vinda de nosso Senhor Yeshua HaMashiach e à nossa reunião com ele, rogamo-vos, irmãos, que não vos movais facilmente do vosso modo de pensar, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola como enviada de nós, como se o dia do Senhor estivesse já perto. Ninguém de modo algum vos engane; porque isto não sucederá sem que venha primeiro a apostasia e seja revelado o homem do pecado, o filho da perdição, o Adversário que é exaltado sobre tudo e se chama de deus e é objeto de adoração, de sorte que se assenta no santuário de Elohim, apresentando-se como Elohim.” (2 Tess. 2:1-4)

Esta passagem claramente ensina que o arrebatamento NÃO PODE OCORRER ANTES da revelação do anti-messias, o que só ocorrerá no meio do período da tribulação de sete anos (vide Mt. 24:15; Mc. 13:14 e Dan. 9:27)


12 – PASSAGENS NORMALMENTE MAL-COMPREENDIDAS

Sem poder encontrar suporte para a sua teoria de um arrebatamento pré-tribulacionista no Pashat (sentido simples/literal) de qualquer passagem das Escrituras, os pré-tribulacionistas tentam usar interpretações Remez (sentido implícito) e Drash (sentido alegórico). Tal como Lindsey admite em seu livro O ARREBATAMENTO, ao dizer: “ o pré-tribulacionismo é amplamente baseado em argumentos de inferência e silêncio.” (p. 31)

12.1 – O ARGUMENTO DA IRA VINDOURA

Os pré-tribulacionistas tentam argumentar que a igreja não passará pela tribulação, o que eles dizem dar indícios de um arrebatamento pré-tribulacionista. Os pré-tribulacionistas argumentam que a tribulação é a “ira de YHWH” e que a igreja não sofrerá a “ira de YHWH” (Rom. 5:9; 1 Tess. 1:10 e 5:9-10; Jo 5:24). Ao usar este argumento, os pré-tribulacionistas ignoram o fato de que o anti-messias, uma das maiores figuras da tribulação, é a ira do demônio (Ap. 12:12; 13:2). Eles também ignoram o fato de que o Messias nos salvará desta ira ao destruir o anti-messias em sua segunda vinda. Além disto, ignoram ainda o fato de que pelo contexto, a ira da qual o Messias nos salva é através da justificação em seu sangue para que possamos ser salvos (Rom. 5:9). Aqui, claramente a ira é o Lago de Fogo, e não a tribulação. (Jo. 5:24 usa a palavra “condenação” mas o mesmo argumento também se aplica.)

12.2 – O ARGUMENTO DE LUCAS 21:36

Este argumento foi usado primeiramente da inventora do arrebatamento-prematuro, uma menina de 15 anos, que distorceu este versículo em sua discussão com Darby. O versículo diz “… em todo o tempo, orando, para que possais escapar de todas estas coisas que hão de acontecer, e estar em pé na presença do Filho do homem.”

Mesmo que partíssemos do pressuposto de que “todas estas coisas” se referisse à tribulação, ainda assim teríamos erros. Primeiramente, se o pré-tribulacionismo fosse correto, não seria necessário orarmos para escaparmos destas coisas. Em segundo lugar, a passagem simplesmente diz “escapar” e não “ser tirado da terra”, e muito provavelmente refere-se à sobrevivência. Porém, na realidade, “escapar de todas estas coisas” é simplesmente escapar dos pecados que poderiam fazer alguém estar em apostasia na ocasião da segunda vinda (vide como Lucas 21:34-36 fala claramente disto) e não da tribulação.

12.3 – O ARGUMENTO DE APOCALIPSE 3:10

Os pré-tribulacionistas apontam para Ap. 3:10:

“Porquanto guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para pôr à prova os que habitam sobre a terra.”

Contudo, a palavra “guardar” não significa “remover da terra”. Muito pelo contrário, a própria escolha desta palavra indica uma sobrevivência auxiliada/facilitada/garantida pelo Eterno.

12.4 – A RUACH HAKODESH REMOVIDA DO CAMINHO?

Este argumento também foi usado pela menina de 15 anos que inventou o arrebatamento-prematuro. Este argumento insere idéias no texto, ao invés de extraí-las do texto. Neste caso, os pré-tribulacionistas supõe que o “ um” em 2 Tess. 2:7 é a Ruach HaKodesh (Espírito Santo). Ora, isto é uma pura suposição em todos os aspectos! Por esta leitura maluca, o anti-messias seria revelado (2 Tess. 2:8) e a tribulação começaria após a igreja (com a Ruach HaKodesh dentro dela) ser removida em um arrebatamento pré-tribulacionista. A inventora do arrebatamento-prévio propôs esta idéia após ter uma esquisita “visão” na qual ela recebeu uma “revelação” (exatamente como acontece com todas as grandes seitas), de que “e então será revelado esse iníquo” vem imediatamente após “estarão dois numa cama; um será tomado, e o outro será deixado…” (Lc.17:34; Mt. 24:40-41). A inventora do arrebatamento-prévio ensinava que um arrebatamento-parcial ocorreria com quem estivesse “cheio do Espírito Santo”. Ela falsamente identificou o “tomado” de Lc. 17:34-35 e Mt. 24:40-41 com o “tomado” de 2 Tess. 2:7.

O grande absurdo disto está no fato de que aqueles que são “tomados” em Lc. 17:34-35 e Mt. 24:40- 41 não tem nada de “cheios do Espírito Santo” como alega a falsa profetisa, muito pelo contrário! São comparados aos que foram “tomados” pelo dilúvio nos dias de Noach / Noé (Mt. 24:39). O problema é que as pessoas não continuam a ler o texto de Mt. 24, caso contrário veriam que esta passagem indica que os que serão “tomados”, o serão pela ira, como foi no dilúvio. Ou seja, são os iníquos que serão “tomados” e não a igreja. Seus corpos alimentarão as aves de rapina (Lc. 17:37) na segunda vinda do Messias (Ap. 19:17-18,21).

Apesar do impedimento ser de alguma forma removido em 2 Tess. 2:7, não há absolutamente NADA que aponte para a remoção da Ruach HaKodesh (Espírito Santo).

12.5 – O ARGUMENTO DE APOCALIPSE 4:1

Ao não conseguirem provar seus argumentos com uma leitura literal das Escrituras, os pré-tribulacionistas tentam basear seus argumentos puramente em alegorias. Neste argumento, os pré-tribulacionistas dizem que Yochanan (João) representa a igreja e que ele está sendo “arrebatado” antes da descrição da tribulação. Além de completamente absurda, esta alegoria não tem a menor base textual.

12.6 -O ARGUMENTO DE CHENOCH

Este argumento também é pura alegoria. É um argumento que diz que Chenoch (Enoque) foi transladado antes do dilúvio. Os pré-tribulacionistas dizem que Chenoch (Enoque) = a igreja e o dilúvio = a tribulação. Porém tanto a Bíblia quanto o próprio livro de Chenoch (Enoque) identificam que o dilúvio representa o Dia do Julgamento e os dias que antecedem ao dilúvio (os chamados dias de Noach / Noé) representam a tribulação. Além disto, este argumento tem outro problema: Eliyahu (Elias) também foi

transladado, só que DEPOIS de sobreviver um período de tribulação (2 Re. 2:9-11) dos quais 3 anos e meio são muitas vezes usados em analogia ao segundo período da tribulação de 7 anos.

12.7 -COSTUMES JUDAICOS

Alguns acadêmicos messiânicos têm lutado para tentar encontrar evidências de um arrebatamento pré-tribulacionista alegorica e supostamente presente em costumes judaicos. Um deles envolve Rosh HaShannah e o Yom Kippur, outro ainda o casamento judaico. Estas são fracas tentativas de encontrar uma alegoria para algo que não tem NENHUM suporte no Pashat (sentido literal) da interpretação de qualquer passagem, o que não pode acontecer segundo o próprio Judaísmo. É bem claro que este conceito não é um conceito que tem raízes judaicas, tendo sido inventado no Cristianismo do século 19.


13 – ARREBATAMENTO DA IGREJA OU REAJUNTAMENTO DE ISRAEL?

Para entender a verdade sobre o KH’ TAF (arrebatamento) é importante entender exatamente que evento é esse. O Cristianismo geralmente ensina que o Arrebatamento é da Igreja, mas a verdade é que o KH’TAF (arrebatamento) é o reajuntamento sobrenatural de Israel na volta do Messias. Um exame sério das Escrituras deixa isso bem claro.

O Tanach prevê um tempo em que HaShem reajuntará Israel “dos quatro cantos da terra” (Yeshayahu / Isaías 11:12) e “das partes mais longínquas debaixo dos céus” (Devarim / Deuteronômio 30:4).

A Torah diz que o Messias os “tirará” das outras nações (Devarim / Deuteronômio 30:4). A palavra “trazer” aqui no hebraico significa uma ação de força.

13.1 – PROMESSA A ISRAEL: REAJUNTAMENTO PELA MÃO DO MESSIAS

O Targum Yerushalayim (tradução comentada da Torah para o aramaico) interpreta esta passagem como HaShem “vos ajuntará pela mão de Eliayahu (Elias)… e então Ele vos trará pela mão do Rei Messias.”

De acordo com os comentários do Rashi, isto significa que eles serão arrastados através do ar pela mão do Messias para a terra. Será este evento o KH’TAF (arrebatamento)?


14 – EVIDÊNCIAS DE QUE O ARREBATAMENTO SE REFERE A ISRAEL

A primeira evidência de que o “trazer” em Devarim (Deuteronômio) 30:4 é justamente o KH’ TAF (arrebatamento) é encontrada nas palavras de Matitiyahu (Mateus) 24:31:

“E ele enviará os seus anjos com grande clangor do shofar, os quais lhe ajuntarão os escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus.”

Este versículo também se assemelha a Mc. 13:27, e identifica aqueles que são “ajuntados” como sendo “os Eleitos”. O termo “Os Eleitos” nas Escrituras é um eufemismo, uma referência a Israel.

Encontramos o termo “Os Eleitos” se referindo à Israel nos seguintes versículos:

1 – Dt. 7:6, 10:15 e 14:2;

2 – Is. 41:8-9, 42:1, 43:2f, 45:4 e 65:9-22;

3 – Sl. 135:4;

4 – 1 Pe. 2:9 = Is. 43:20f e Dt. 10:15;

Fica bem claro pelas 10 passagens acima que “Os Eleitos” refere-se a Israel. Em 1 Tess. 4:17, Paulo usa o termo “nós”, termo o qual ele costuma usar para se referir a ele e aos seus compatriotas judeus (vide Atos 17:1-4)

14.1 – ISRAEL E A TROMBETA FINAL

Mais uma evidência de que o KH’ TAF (arrebatamento) se refere ao reajuntamento de Israel é a da trombeta.

Uma trombeta é soada no KH’TAF (arrebatamento) em 1 Tess. 4:16-17 e 1 Cor. 15:50-55, tal como em Mt 24:31 e Ap. 11:15. De acordo com o Tanach uma trombeta é também tocada no reajuntamento de Israel:

“Naquele dia ADONAI debulhará as suas espigas desde as margens do Eufrates até o ribeiro do Egito, e vocês, israelitas, serão ajuntados um a um. E naquele dia soará uma grande trombeta. Os que estavam perecendo na Assíria e os que estavam exilados virão e adorarão a ADONAI no monte santo, em Yerushalayim.” (Yeshayahu / Isaías 27:12-13)

14.2 – A RESSURREIÇÂO DOS MORTOS

Outra evidência que identifica o KH’TAF (arrebatamento) como sendo na realidade o reajuntamento de Israel é o da ressurreição dos mortos. O KH’TAF é acompanhado pela ressurreição (vide 1 Tess. 4:16-17 e 1 Cor 15:50-55). O reajuntamento de Israel também inclui a ressurreição dos mortos, conforme visto nas passagens abaixo:

1 – Yechezkel (Ezequiel) 37:1-14;

2 – Yeshayahu (Isaías) 25:1-12;

3 – Hoshea (Oséias) 13:9-14:9);

Na realidade, 1 Cor. 15:54-55 cita Yeshayahu (Isaías) 25:8 e Hoshea (Oséias) 13:14. O uso destes versículos em 1 Cor. 15:54-55 é também importante por causa de sua finalidade. Como podem os pré-tribulacionistas crerem que a morte chega ao fim antes do início da Tribulação?

14.3 – MORTAIS E IMORTAIS

Existe ainda, como evidência de que o KH’TAF (arrebatamento) é o reajuntamento de Israel: aqueles que são “arrebatados” em 1 Cor. 15:53 tornam-se imortais, mas no reinado do Milênio também haverá mortais (Yeshayahu / Isaías 65:20). Se a igreja é arrebatada em 1 Cor. 15:53 e torna-se imortal, então quem são os mortais de Yeshayahu (Isaías) 65:20?

14.4 – A B’ RIT CHADASHAH E O REAJUNTAMENTO DE ISRAEL

A prova final de que o KH’ TAF (arrebatamento) é na realidade o reajuntamento de Israel no retorno do Messias e é encontrado no texto de Matitiyahu (Mateus) 24:31 e em Mc. 13:27, o texto cita as expressões “dos quatro cantos da terra” (Yeshayahu / Isaías 11:12) e “das partes mais longínquas debaixo dos céus” (Devarim / Deuteronômio 30:4) exatamente das passagens do Tanach que descrevem o reajuntamento de Israel.


15 – O QUE REALMENTE VAI ACONTECER

Aqui está um resumo cronológico dos eventos descritos neste artigo:

1 – Imediatamente após a tribulação (Mt. 24:29; Mc. 13:24), o Messias aparecerá no céu (Dan. 7:13-14; Mt. 24:29-31; Mc. 13:24-27; 1Tess. 4:16-17)

2 – Haverá o toque da trombeta final (Ap. 8:2; Ap. 11:15; Mt. 24:31; Is. 27:13; 1Tess. 4:16-17; 1 Cor. 15:52)

3 – Haverá a ressurreição (1Cor. 15:50-55; 1Tess. 4:16; Ap. 20:4-6; Is. 25:8; Os. 13:14; Ez. 37:1-14)

4 – Haverá o reajuntamento ao Messias no céu (Mt. 24:29-31; Mc. 13:24-27; 2 Tess. 2:1; 1 Tess. 4:17)

5 – Logo após isto o Messias irá em direção à Terra Prometida com muitos dos seus santos (Jd. 1:14-15; 1 Tess. 3:13; Ap. 19:11-16; Zc. 14:4-5)

6 – Depois disto, é estabelecido o Reino do Milênio (Ap. 20:1-3,7)


16 – CONCLUSÃO

Fica BEM CLARO pelas Escrituras que o evento KH’ TAF, conhecido como arrebatamento, nada mais é do que o reajuntamento de Israel na Terra Prometida, na ocasião do retorno do Messias, e não um (falso) arrebatamento pré-tribulacionista da Igreja.


Calendário Sacerdotal 2009/2010

março 16, 2009

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Êshet Cháyil, A mulher virtuosa

março 8, 2009

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Quem pode encontrar uma mulher virtuosa? Seu valor excede em muito o das jóias. O coração de seu esposo confia nela, benefício não lhe há de faltar. Ela o trata com bondade, nunca com maldade, todos os dias de sua vida. Ela procura lã e linho e trabalha de bom grado com suas mãos. Ela é como os navios mercantes; traz seu alimento de longe. Levanta-se enquanto ainda é noite, alimenta seu lar e estabelece as tarefas para suas criadas. Ela avalia um campo e o adquire; de seu lucro planta um vinhedo. Ela cinge seus lombos com a força e dobra os braços.


Ela está ciente de que seu empreendimento é proveitoso; sua lâmpada não se apaga à noite. Ela põe suas mãos sobre o fuso, e suas palmas empunham a roca [de fiar]. Ela oferece sua mão ao pobre, e estende suas mãos ao necessitado. Ela não teme por seu lar durante o frio, pois toda sua família está vestida [e aquecida] com lã escarlate. Ela faz sua própria tapeçaria; suas vestes são de fino linho e púrpura. Seu marido é famoso nos portais, quando ele senta-se com os anciãos da terra. Ela fabrica roupa branca e [a] vende, ela provê cinturões aos mercadores. Força e dignidade são seus trajes; ela olha sorridente para o futuro. Abre sua boca com sabedoria e o ensinamento da bondade está sobre sua língua. Ela observa a conduta de seu lar e não come o pão da ociosidade. Seus filhos levantam-se e a aclamam; seu marido a enaltece [dizendo]: “muitas filhas têm feito obras meritórias, porém tu superaste a todas elas! O encanto é enganoso e a beleza nada vale; uma mulher temente a D’us é a que deve ser louvada. Elogiem-na por suas realizações, e que suas obras louvem-na nos portões.”

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Religião

março 3, 2009

Engraçado como as pessoas que conheço não chegam a um consenso a respeito da minha religião. Uns dizem: É heresia! Enquanto outros acham engraçado. Alguns acham interessante, a maioria prefere nem tocar no assunto. Há aqueles que dizem que sou rigoroso demais, mas outros dizem que minha religião prega liberdade excessiva, beirando a libertinagem. Enfim, cada um pensa uma coisa, cada um pensa o que quer, mas o que sei é que minha religião é verdade, é vida, é luz, é essência.

Minha religião é a mais bíblica de todas, pois minha religião é Yeshua. Sim, pois religião é religar, religar o homem ao Eterno e através de Yeshua que eu me religo ao Eterno. Não estou falando de um falso messias, de um anti-messias ou qualquer cristo babilônico, estou falando a respeito do único e verdadeiro Mashiach, o Messias de Yisra’el, aquele que é na verdade YHWH, que é o único, o Eterno, Elohim, o Santo, Bendito Seja!


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