A Glória do Shabat

4 11 2009

Por Rabino Dr. David M. Hargis – Traduzido por Yuri Rodrigo de Camargo

 

Por muito tempo da minha vida, estive em um ambiente que aclamava o domingo como “O Dia do Senhor” e como “O Sábado Cristão”. Certa vez o meu bondoso avô tentou estabelecer o domingo como um dia santo de forma séria, proibindo jogos e a leitura de coisas divertidas (o que geralmente era feito antes dos tempos da televisão) em sua casa. Entretanto, isso não deu certo, e alguns membros da família não concordaram. Talvez pela graça do Altíssimo, pois a restauração e aproximação dos judeus viriam até nós. Em todo caso, o domingo nunca me pareceu um dia santo para nós. Era especial somente porque nos vestíamos muito bem e fazíamos do ato de ir à igreja algo grandioso. Fora isso, me lembro do domingo apenas como mais um dia qualquer.

Não me entenda mal, eu aproveitei minha infância adorando, desde cedo, mas eu procurava praticar a comunhão com o Altíssimo todos os dias. Domingo não era um dia em que houvesse mais da presença de Elohim em minha vida do que em qualquer outro dia da semana. Quando eu cresci e segui o meu chamado ao ministério e busquei uma instrução mais elevada, eu aprendi sobre todas as supostas razões porque o sétimo dia sábado tinha sido mudado para domingo. Eu tentei aceitar esta linha teológica. Era indiferente. Em vinte anos de ministério protestante, eu nunca tinha pregado um sermão sequer a respeito da validade do domingo como sábado. Mas eu na verdade não acreditava nisso no fundo do meu coração. Muito cedo em meu ministério eu aceitei pela fé que o Criador do universo nunca muda, como sua palavra declara (Malaquias 3:6), e esta doutrina contraria tudo sobre o trabalho de nosso Criador.

 Finalmente percebi que Sua palavra não somente criou todas as coisas, mas também permanece viva, mantendo tudo o que foi criado (Colossenses 1:16-17). Tudo o no tempo da criação está interligado e assim continua por Elohim. Se com sábado fosse diferente, esta afirmação não seria valida. Mas a criação do sábado (hebraico: Shabat) no sétimo dia está completamente ligada a criação do sol, da lua, das estrelas, da vegetação, dos animais e da humanidade. O cancelamento do sábado colocaria em dúvida a fidelidade de Elohim. A doutrina da anulação do sábado zomba da fidelidade de Elohim.

Junto com a criação material Elohim criou o tempo, e tempo foi uma de Suas criações mais especiais. Quando Ele fez do sétimo dia da criação um dia de descanso dos demais dias de trabalho, e um dia dado à humanidade como presente e descanso, Elohim estabeleceu uma determinação de tempo. Ele determinou a santidade do tempo. Santo é definido como separado, incomum, original e especial. Os corpos celestiais como o sol e a lua marcam tempo físico, mas o Shabat estabelece o tempo da santidade de Elohim, o que significa o Seu controle sobre todo o tempo. O Shabat dá também a humanidade um presente especial, que é ser permitido juntar-se ao santo descanso de Elohim, enquanto Ele descansa no sétimo dia. Os animais não possuem a possibilidade de descansar no Shabat. Assim, somente à humanidade é dada a esperança da comunhão com Elohim em Sua natureza plena, pois Elohim deu o Seu santo dia para que a humanidade possa conhecê-lo e deleitar-se.

O que compartilhei é apenas a ponta do iceberg. Ainda,é o bastante para que qualquer um saiba sem dúvida alguma que nem o domingo, nem qualquer outro dia, podem se transformar no sábado. Primeiramente, se alguém pudesse realizar esta substituição do Shabat, deveria fazê-lo executando o substituto da mesma forma que deveria ser executado o substituído. Deve-se ao menos saber o que está substituindo. Pense em uma equipe de baseball que decida substituir um arremessador por outro. A equipe não colocará um goleiro de futebol no lugar, mas deverá substituir um arremessador por outro arremessador, ou pelo menos, por alguém que saiba lançar uma bola de baseball. A observância do domingo como substituto do Shabat não precisaria ter as qualidades do dia que substituiu? Por que não ensinam que assim deve ser o domingo para que tenha alguma qualidade de Shabat? Por que o domingo não é honrado pela maioria daqueles que dizem observá-lo?

Mas a pergunta principal é, “por que o sábado não é observado ou não é honrado pela maioria dos crentes?”

 

 MENTIRA # 1: NÓS NÃO PRECISAMOS DE UM SÁBADO SOMENTE PARA DESCANSAR

Alguns dizem que nós não precisamos de um sábado só para descansar. Isso não é verdade, pois nossos corpos precisam descansar, e mesmo que não precisassem, o Shabat não é baseado em nossa necessidade, porque Elohim não descansou porque estava cansado, mas sim para apreciar Seu trabalho. Por acaso o Criador não quer mais ter Sua criação apreciada? O fato é que Hebreus 4:9 diz: “Portanto resta ainda um dia de repouso, o Shabat, para o povo de Elohim”.

O Messias disse que é “Senhor do sábado” (Mateus 12:8). Visto que Ele é o mesmo ontem, hoje e sempre, e Ele é Elohim da vida, e não da morte, então é completamente natural o Shabat existir hoje. Podemos também pensar o seguinte, se Elohim não mantivesse sua promessa a respeito da criação do sábado, teríamos que nos preocupar a cada manhã se o sol iria ou não nascer.

Eu ouço alguém dizer, “mas o sábado foi feito para o homem”. Disse bem! Por isso o Altíssimo deu-lhe um presente de si mesmo, uma parte de Sua própria santidade. Ah! E não esqueça, “os dons e os chamados de Elohim dão irrevogáveis” (Romanos 11:29). Assim, esta afirmação somente prova a continuação do Shabat. Então outros dirão, “bem, se o sábado é um presente, eu posso fazer com ele o que eu quiser”. Mas eu diria a esta pessoa, “você não seria nada sábio jogando qualquer presente de Elohim fora! Faça com outros o que gostaria que fizesse com você”. Quantas vezes você fez algo para alguém que você ama, mesmo sem ver algo em troca? Por que alguém que ama a Elohim não iria querer ser amado por Ele?

 

 MENTIRA # 2: O MESSIAS QUEBROU O SHABAT

Por muito tempo as pessoas foram iludidas pensando que o Messias Yeshua quebrou o sábado a fim de mostrar que nós estávamos livres do sábado. Todo este conceito de um Messias que quebra o sábado é uma blasfêmia e uma afronta ao Altíssimo. Isto é ignorância e rebelião.

Por que alguém gostaria estar “livre” de um presente de Elohim? Realmente, o Messias afirmou o Shabat com suas atitudes e fez somente o que era permitido no Shabat. Suas criticas foram contra as tradições relacionadas ao Shabat, que existem até hoje, mas não foram ordenadas por Elohim. Eram tradições de homens, e não ordenanças de Elohim. O Messias Yeshua curou no Shabat porque curar é uma forma de ser livre do trabalho, que é o centro do Shabat. O Messias Yeshua também nunca cometeu pecado. Nunca quebrou a Torah (ensinamento, traduzido como lei), que, de alguma forma, é Ele mesmo, e Ele próprio escreveu!

 

 MENTIRA # 3: O SHABAT FOI CANCELADO POIS O MESSIAS CUMPRIU A TORAH

O Messias Yeshua disse, “não penseis que vim destruir a Torah. Não vim destruí-la, mas cumpri-la” (Mateus 5:17). Aqui podemos ver que este cumprir não pode significar o cancelamento ou exclusão. Dizer que o cancelamento veio pelo cumprimento é um raciocínio totalmente falho. Pensar assim é ilógico, e só pode significar que se está sob algum tipo de encantamento, ilusão ou se é um tolo, desprovido de qualquer razão. Muitos parecem não ter nenhuma capacidade para ver o que está claro na afirmação do Messias. Nosso Messias deixa claro: cumprir não tem nada a ver com destruir ou anular, e na verdade, cumprir é o oposto de anular. O mais correto significado para “cumprir” nesta afirmação seria tornar pleno, completar, preencher o que estava faltando. O Messias Yeshua veio certificar-se que a Torah teve todos os elementos necessários, especialmente o principal: Sua morte e ressurreição.

Por que o Messias removeria o Shabat por sua morte e ressurreição? Como isto está relacionado? Ninguém consegue responder a esta pergunta de forma satisfatória. Certamente o Messias nos deu um descanso espiritual do pecado; um tipo de sábado de descanso dentro da alma. Entretanto, isso de maneira alguma remove o sétimo dia. O Shabat foi dado antes que o pecado viesse ao mundo, sendo assim, não é um tipo de descanso do pecado. No sétimo dia Elohim descansou de Seu pecado? Então tentar estabelecer o Shabat como um tipo de descanso do pecado pode vir a ser uma blasfêmia, pois implica na necessidade de Elohim descansar de seu pecado, visto que Ele descansou no sétimo dia. Mas é claro, a Brit Chadashá (Novo Testamento) não diz isso em nenhum lugar. É uma desculpa débil que perpetra mentes sem razão.

 

MENTIRA # 4: NÓS PODEMOS FAZER DE TODOS OS DIAS NOSSO SÁBADO

O Shabat é um descanso dos processos criativos. Elohim parou de criar no Shabat, desta forma devemos parar também. Quando nossas mente e mãos param de criar, temos tempo e somos capazes para apreciar o que foi criado, especialmente pelo Criador. Experimentamos então algo que Ele também experimentou. Pois se Ele é Santo, esta experiência do Shabat é santa. E porque experimentamos a santidade de Seu dia, somos santificados também.

O único dia da semana que o Altíssimo santificou é o sétimo dia. Somente Ele pode decidir qual dia é santo. Não importa o quanto tentemos, nós não podemos tornar um dia santo, porque a santidade não depende de nossas ações. A santidade depende unicamente da determinação do Altíssimo. Muitos crentes pensam que podem fazer de determinados dias santos pela força de sua celebração neste dia. Isto é arrogância e ignorância. Não existe nada na Bíblia que seja santo, a não ser que se chame santo pela boca do “EU SOU”. Conseqüentemente, nenhuma pessoa pode escolher o dia que quiser para celebrar o Shabat, pois somente o sétimo dia é santo. A celebração do descanso do sábado em qualquer outro dia é totalmente vazia.

 

 COMO DEVEMOS CELEBRAR O SHABAT?

 1.      O propósito do Shabat é ser uma celebração do descanso. Deve ser alegre e divertida, com total respeito e concentração no Altíssimo. Não deve ser uma festa para atender os desejos da nossa natureza. As crianças devem saber que Elohim ama seu jeito brincalhão, mas deve haver um equilíbrio. Também deve-se evitar jejuar no shabat, a menos que seja um jejum prolongado, que dure mais que uma semana.

2.      Deve-se evitar a realização de trabalhos seculares rotineiros, principalmente os que exijam construção ou criação com as mãos. O trabalho espiritual, o trabalho de emergência, o trabalho para cura, o trabalho de proteção, a alimentação, o trabalho sacerdotal e de guarda (forças armadas e policia) são todos exceções permitidas. Elohim quer que usemos nosso bom senso. Sabemos também que em países em que não se guarda o Shabat, alguns empregadores vão requerer o trabalho no sábado. O observante do Shabat deve todo esforço necessário para não trabalhar no sétimo dia, sendo docilmente comunicativo com seus empregadores sobre seus desejos e/ ou procurando uma vocação alternativa. Se uma pessoa não puder evitar trabalhar no Shabat, deve buscar ao Altíssimo, por uma solução, enquanto prosseguem trabalhando normalmente.

3.      Outros tipos de trabalho que não estão no Espírito de Shabat: Fazer fogo, fazer comércio (exceto se isso for necessário de acordo com as exceções acima), assistir/ participar de entretenimentos seculares, e realizar atividades que causem agitação, algazarra ou ruídos altos desrespeitáveis.

4.      No Shabat deve haver diversão, louvando, adorando, lendo as Sagradas Escrituras, cantando para o S-nhor, dançando para o S-nhor, e falando a outros sobre o S-nhor e Sua palavra, isto é, honrando ao Altíssimo.

5.      Lembre-se, o sétimo dia inicia-se no pôr-do-sol da sexta-feira e termina no pôr-do-sol de sábado, porque “a noite e a manhã” separam cada dia, não o nascer do sol ou a meia-noite. Em muitos lares observantes e nas sinagogas duas velas são acesas com orações para marcar o inicio e para ajudar a estabelecer a celebração. Um calendário Hebraico/ Judaico pode indicar a hora em que o Shabat começa.

 

 A RECOMPENSA DO SHABAT

Isaías 58 tem sido uma inspiração para muitos crentes, mas é interessante como os últimos versos foram ignorados.

“Se desviares o teu pé de profanar o sábado, de fazeres a tua vontade no meu santo dia, e chamares ao sábado deleitoso, e o santo dia do S-NHOR, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, nem pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falares as tuas próprias palavras, então te deleitarás no S-NHOR, e te farei cavalgar sobre as alturas da terra, e te sustentarei com a herança de teu pai Jacob; porque a boca do S-NHOR o disse”. Isaías 58:13-14

Observe que de acordo com o profeta, o santo dia do S-nhor é o Shabat, o sétimo dia. Agora associe o texto acima com:

“Deleita-te no S-NHOR, e Ele te concederá os desejos do teu coração”.Salmos 37:4

Todos querem saber como fazer para que o Altíssimo dê-lhes os desejos de sue coração. Deleitar-se no S-nhor parece bastante fácil! Já surgiram muitas interpretações estranhas do que significa se deleitar no S-nhor, mas somente uma revelação do que isso significa é encontrada nas Escrituras.

O “deleitar” aqui no salmo 37:4 é em hebraico oneg, que significa “tratar com delicadeza”. Há muito poucos lugares nas Escrituras onde está palavra oneg é usada. Sendo assim, por causa de sua raridade, nos ajudará a resolver este mistério. Há um lugar, e somente um, onde nos diz exatamente se deleitar no S-nhor, usando esta mesma palavra oneg.

Aqui está o segredo. O único lugar onde Elohim nos diz para deleitar-se nele é em Isaías 58:13-14. Qualquer outra interpretação para “o deleitar-se no S-nhor” é especulação inútil e imaginação humana. A única maneira para qualquer um que quiser se deleitar no S-nhor é honrando e obedecendo o Shabat. A recompensa para isso é “cavalgar sobre as alturas da terra, e ser sustentado com a herança de teu pai Jacob”. É selada como uma promessa “porque a boca do S-NHOR o disse”. Sendo assim, segundo o que diz o salmo 37:4, a única maneira prometida para se receber “os desejos de seu coração” é deleitando-se no S-nhor. Ou seja, se você fizer do Shabat seu prazer, seu deleite, oneg, uma delicadeza em sua vida, você receberá os desejos do seu coração.

Imagine todos os povos verdadeiramente dedicados ao Criador do Shabat fazendo o possível para honrar o Shabat a todo custo. Qualquer um seria beneficiado nestes tempos difíceis cavalgando nas alturas no prazer do S-nhor zelando pela pratica do Shabat. Experimente alinhar esta parte de sua vida com a vontade de Elohim, e veja o que acontecerá. Tenho certeza que você ficará extremamente satisfeito.





Parashah da Semana: Lech Lechah

31 10 2009

A parashah desta semana é Lech Lechah, uma parashah belíssima, cujo nome significa Sai Tu. Nesta parashah identificamos por reflexo o chamado, ou melhor, a ordem do Eterno, para que saiamos do meio de todo paganismo e sigamos pelo Caminho que Ele mesmo nos mostra. Sabemos que o Caminho é Yeshua, a Torah Viva, que nos leva à uma vida de santidade e temor ao Eterno, cumprindo e guardando todos os seus mandamentos.

Amamos e servimos a Elohim por fé, pela fé somos salvos e pela fé cumprimos os mandamentos do Eterno. Sim, pois a fé sem obras de nada vale.

“Mas queres saber, ó homem vão, que a fé sem as obras é estéril?” Ya’akov/Tiago 2:20

Isso quer dizer que ter fé não significa uma crença meramente intelectual em Elohim, não significa dizer eu creio em Elohim e no Seu Filho, mas continuar com sua vida medíocre, servindo ao pecado, ou seja, a violação da Torah. Ter fé é ter obediência.

Segue abaixo mais alguns comentários sobre esta Parashah, do Rabino nazareno Sha’ul Bentsion.

Lech Lechah (Sai tu)

Bereshit (Gênesis) 12:1 – 17:27


1 – Você ouviu o chamado de Elohim?

Esta Parashah começa com Elohim dizendo a Avraham: “Lech Lechah”, ou seja, sai tu. O chamado de Elohim era para que Avraham saísse do meio do paganismo da casa de seus parentes, e estabelecesse uma nova família, santa e separada ao Eterno. Imagine se Avraham tivesse permanecido mais tempo lá, dizendo “Não, S−NHOR, ainda não estou preparado…” ou tivesse se perguntado “será que é isso mesmo que Elohim quer de mim? Vou orar a respeito…” Já sabemos o que teria acontecido. Contudo, muitas pessoas adotam essa postura. Fazem exatamente o contrário de Avraham.

Temos estudado na Bíblia (Palavra de Elohim) sobre o que Elohim acha de certas coisas. Porém, muita gente ainda está em dúvida se deve mesmo seguir as recomendações da Palavra de Elohim. Achim (irmãos), não esperem mais! A hora de mudar é agora. Faça como Avraham: deixe para tudo o que desagrada ao Eterno, e embarque numa jornada com Ele rumo a uma vida de santidade!

 

2 – Avraham escapa da morte

Ao longo da história, algumas pessoas foram peças fundamentais nos planos de Elohim, para que nós viéssemos a ter o plano de redenção traçado – dentre elas, podemos citar Avraham, Moshe (Moisés), David e Yeshua. Estes quatro homens têm algo em comum: antes derealizarem a missão deles, todos os quatro sofreram tentativas de assassinato.

As Escrituras nos contam os relatos de Moshe, David e Yeshua. Porém, para conhecermos a história de como HaSatan tentou impedir a Avraham de cumprir os planos de Elohim, temos que recorrer à tradição judaica: Segundo os relatos orais do nosso povo, Terach, pai de Avraham, era um fabricante de ídolos. Certo dia, Avraham entrou em seu depósito, e vendo todos aqueles ídolos falsos, se enfureceu e, com um martelo, quebrou a todos, exceto ao maior deles. Avraham pôs então o martelo nas mãos da estátua maior. Quando Terach retornou e viu o que havia ocorrido, perguntou a Avraham: O que aconteceu? Avraham então disse a seu pai que o ídolo maior havia destruído todos os outros. Terach então disse:

Mas isso é absurdo! Sabemos que uma estátua não pode fazer isso! Então Avraham respondeu: mas se uma estátua não podem nem pegar um martelo e destruir as outras, então como pode você crer que tais estátuas criaram o mundo, ou têm poder sobre nós? Por que serves a estes falsos ídolos? Depois disto, o rei Nimrod (vide parasha anterior), que servia a falsos deuses, mandou jogar Avraham numa fornalha. Tal qual Daniel, Avraham escapou ileso.

Podemos ver que o inimigo sempre agia pra tentar destruir os planos de Elohim, e com Avraham não foi diferente. Contudo, Elohim é soberano. Se Ele tem um plano, quem pode ir contra Ele?

 

3 – Indo para uma nova terra

Repare que Elohim não manda apenas Avraham viver uma vida santa, mas sim sair da terra onde reinava o paganismo e ir para uma nova terra. O que podemos aprender disto com relação ao que Elohim desejava para a terra de Israel? Vemos ao longo da história do povo que sempre que o mesmo falhava na sua missão de remover da terra toda a fonte do paganismo, caia em pecado. Luz e trevas não podem se misturar (vide 2 Coríntios 6:14 em diante) – logo, se há em nossas vidas alguma prática pagã, e nossa postura tem sido a de achar que “não tem nada demais”, devemos nos perguntar se estamos fazendo a vontade do Eterno.

4 – O que é ser um profeta de Elohim

Atualmente, há muitos que pensam que ser um profeta é ser a “versão crente” de um adivinhador. Ora, sabemos que adivinhação é um pecado abominável perante o Eterno. É claro que o Eterno fala sim, como sempre falou, por intermédio de profetas. Porém, um profeta não é essencialmente uma pessoa que irá te dar todas as respostas para sua vida. Mas então, qual a principal função de um profeta? Temos uma boa ‘dica’ nesta parasha:

Repare que em Bereshit (Gênesis) 20:7, Avraham é a primeira pessoa a ser chamada de profeta pelas Escrituras. Mas, o que havia de especial em Avraham? Se voltarmos a Bereshit (Gênesis) 12:2, vemos que um novo tipo de relacionamento se iniciou entre Elohim e um homem. Até então, tínhamos relatos de Elohim abençoando outras pessoas: Adam, Noach (Noé), etc. Contudo, em Avraham, Elohim disse que outros seriam abençoados. Podemos então concluir que a função principal de um profeta não é adivinhação, mas sim ser um veículo de bênçãos do Eterno para outros.

 

5 – O que é fé?

Sabemos que Avraham foi o pai da fé (vide Gálatas 3:7). Muitas pessoas atualmente dizem ter fé em Elohim. Mas será que sabem o que é ter fé? Segundo as Escrituras, podemos dizer o seguinte:

 

a) Fé não é superstição. É necessário conhecer a Palavra de Elohim (Romanos 10:17) – Avraham sabia quem Elohim era, quando Ele o chamou;

b) A fé é dada por Elohim (Efésios 2:8) – Foi Elohim quem chamou a Avraham;

c) A fé requerer confiança em Elohim, mesmo quando nossos sentidos não alcançam; (Yehudim /Hebreus 11:1) – Pela fé, Avraham largou tudo o que tinha e aceitou ir em uma jornada com Elohim, mesmo sem saber onde Elohim o levaria;

d) A fé verdadeira não é só intelectual, requer atitude (Ya’akov / Tiago 2:20−26): Avraham não apenas aceitou que a Palavra que Elohim lhe deu era verdadeira, mas também OBEDECEU;

 

Logo, estes são os passos da fé: Conhecer, ser chamado, confiar, obedecer. Será que temos demonstrado os frutos da fé verdadeira? Fica a pergunta para reflexão.

 

6 – As ‘almas’ de Avraham e Sarah

Bereshit (Gênesis) 12:5 traz uma passagem meio misteriosa: fala das ‘almas’ adquiridas por Avraham e Sarah. Se analisarmos os termos originais, a passagem fica ainda mais misteriosa, pois a palavra que é comumente traduzida como ‘adquiridas’ vem da raiz ‘asah’, pode ser traduzida como ‘geradas’. Isto parece ser intencional, pois quando fala dos bens materiais, a Torah usa o termo ‘rakash’, que quer dizer apenas ‘adquirir’.

Segundo a tradição judaica, isto significa duas coisas: Primeiramente, que Avraham e Sarah levaram com eles pessoas que se converteram ao Eterno. Em segundo lugar, Avraham e Sarah geraram almas. Porém, se eles não tinham filhos ainda, o que quer dizer isto? Que Elohim já havia gerado através de Avraham e Sarah as almas de todos os judeus. Isto nos ensina algo valioso: a ‘família de Avraham’ era composta de seus descendentes naturais e também daqueles que se converteram a Elohim. Compare isto com Romanos 11.

 

7 – Até Avraham Falhou

Em Bereshit (Gênesis) 12:10−20, vemos uma ‘trapalhada’ de Avraham que começou com uma mentira, mentira essa que quase lhe custou a vida. Tal mentira foi gerada pelo medo de Avraham de ser morto. Repare que até o pai da fé falhou. Contudo, no final deste relato vemos que Elohim o pôs de volta nos eixos, e novamente nos planos que tinha para ele. Isto nos ensina que mesmo quando erramos, se nos voltamos a Elohim, Ele está pronto para nos ajudar a voltarmos a viver de acordo com os planos dEle.

 

8 – Um Milagre Desconhecido?

Existe uma interessante interpretação de nível SOD (vide o artigo ‘Interpretando as Escrituras como um Judeu’) para Bereshit (Gênesis) 14. Sabemos que no hebraico os números têm uma simbologia especial. Sabemos também que cada letra possui um valor numérico. Quando olhamos para o capítulo 14, passuk (versículo) 14, vemos que 318 servos de Avraham resgataram a Lot. Porém, vemos no capítulo 15 que o nome do servo de Avraham era Eli’ezer. O valor numérico de Eli’ezer, no hebraico, é justamente 318! Agora leia o relato de 1 Samuel 14. Será apenas uma coincidência numérica, ou será que a Torah está dando indícios de um grande milagre? Fica a pergunta no ar!

 

9 – Medo x Fé

Chega a ser irônico termos falado tanto de fé e, de repente, em Bereshit (Gênesis) 15:1, temos um relato onde Elohim precisa dizer a Avraham para não temer, não é? Não, achim (irmãos), não é irônico! Nós temos uma tendência muito errada de acharmos que o medo e a fé são opostos. Ora, o medo é um sentimento natural. Considere o contexto de Bereshit (Gênesis) 14. Havia muitas guerras na região. Era absolutamente natural que Avraham sentisse medo. A demonstração de fé é dada não quando não temos medo, mas quando confiamos em Elohim até quando sentimos medo.

 

10 – A importância do Pacto de Avraham

Em Bereshit (Gênesis) 15 temos o relato do pacto entre Elohim e Avraham. De acordo com relatos históricos de diversas fontes, era comum naquela época quando duas pessoas faziam um pacto, elas cortavam animais em dois e os dispunham em um local um pouco mais inclinado, de modo que o sangue escorresse e fizesse uma espécie de caminho. As duas pessoas então passavam pelo sangue. Isto significava que se algum deles descumprisse o pacto, então que responderia com a própria vida pelo pacto descumprido.

Ora, vemos porém que Elohim fez cair sobre Avraham um sono profundo e passou sozinho pelo caminho de sangue. Porém, Elohim não é homem para descumprir um pacto. Elohim não precisava ter passado por aquele caminho. Qual a implicação disto então? Percebemos ao fazer isto que Elohim estava prometendo a Avraham que se o pacto fosse descumprido, o próprio Elohim pagaria com Sua vida pelo pacto descumprido! Ou seja, os descendentes de Avraham jamais morreriam, mesmo que descumprissem o pacto. Por amor de Elohim a Avraham e à sua família. É por isso que em Yeshua, as nações são benditas em Avraham (vide Bereshit / Gênesis . Por que? Porque passam a ser parte da família de Avraham! Da mesma forma, temos a certeza (reforçada por Romanos 11:26) de que todos os judeus um dia serão salvos em Yeshua, pois a promessa de Elohim a Avraham foi incondicional.

 

11 – Bereshit (Gênesis) e o Conflito no Oriente Médio

Hoje, vemos que o Oriente Médio é um local de grandes conflitos. Há 21 nações árabes ao redor de Israel, que não só brigam entre si, mas também querem a destruição de Israel, além de brigarem com outros vizinhos. A explicação encontra−se em Bereshit (Gênesis) 16, que diz que Yishma’el (Ismael) seria como um jumento selvagem, que se levantaria contra a sua parentela. Seria contra os homens e os homens contra ele.

Repare que estamos falando da região mais rica (devido ao petróleo) do planeta. E, no entanto, os países árabes são os locais de maior conflito, maior opressão dos governos para com suas populações, maior briga entre nações. A Palavra de Elohim já profetizava isto há milhares de anos, pois os povos árabes são descendentes de Yishma’el. Infelizmente, naquela região não haverá paz até o dia do retorno de nosso S−NHOR.

 

12 – A mudança dos nomes de ‘Avraham’ e ‘Sarah’

Outro detalhe que passa desapercebido é a letra que Elohim dá a Avraham e Sarah. Avraham se chamava Avram; Sarah se chamava Sarai. Ambos os nomes ganharam a letra ‘Hey’, que é justamente uma das letras do nome de Elohim (Yud−Hey−Vav−Hey), e é associada, segundo a tradição judaica, ao sopro divino. Logo, a mudança de nome de Avraham e Sarah em Bereshit (Gênesis) 17 é mais do que uma mudança do destino deles, é um ato de um unção da parte da Ruach HaKodesh (Espírito Santo). O novo nome de Avraham e de Sarah é também um sinal da vitória deles em Elohim. Compare isto com Apocalipse 2:17





A Bolsa de Valores, o Reino, o Sapateiro e o Dilúvio

24 10 2009

Neste Shabat lemos a Parashat Noach, que tem muito a ver com os tempos de crise que estamos vivendo. E o Eterno nos dá uma chance de estar acima de todo dilúvio da crise, problemas e preocupações. Ainda no começo da criação Ele nos presenteou com uma Arca, com um descanso semanal, nos resta apenas acreditar e entrar no descanso do Eterno, e Ele cuidará de nossas vidas dia após dia.

“Portanto, permanece ainda a observância do Shabat para o povo de Elohim. Pois todo aquele que entra no seu descanso, descansará de suas obras, assim como Elohim descansou de Suas obras.” (Ivrim/Hebreus 4:9-10)

Comentário da Parashat Noach

Por Sha’ul Bentsion

I – Déjà vu Contextual


“A terra, porém, estava corrompida diante da face de Elohim; e encheu-se a terra de violência. E viu Elohim a terra, e eis que estava corrompida; porque toda a carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra.” Bereshit (Gênesis 6:11-12)

Muito costuma-se falar acerca do estado espiritual absolutamente deplorável da terra à época do dilúvio. Contudo, existe um detalhe que quase nos passa desapercebido: O mundo, naquela época, estava em crise. Muitas vezes representa-se o mundo, na época de Noach, como um verdadeiro convite ao hedonismo – e de fato o era – mas a Torá diz mais do que isso. A Torá diz que a terra estava corrompida. Ora, a terra corrompida já não podia mais suportar o sustentar o homem da forma como deveria. A violência também é um sinal de que viver naquela época era profundamente desconfortável.

O Sefer Chanoch (Livro de Enoque) nos traz ainda mais detalhes sobre essa época tão terrível, relatando a profunda atividade dos anjos caídos, que espalharam sua sabedoria acerca dos segredos celestiais não de forma a levar o homem a glorificar a Elohim, mas sim de forma a levar o ser humano cada vez mais à violência, ao egocentrismo, à auto-suficiência e à idolatria:

“E Azaz’el ensinou aos homens a fazerem espadas de ferro, e facas, e escudos, e peitorais de bronze, e os fez conhecerem os metais que são escavados da terra, e a arte de trabalhar o ouro, e o conhecimento da prata, e braceletes, e ornamentos, e o conhecimento do antimônio, e da sombra dos olhos, e de todo tipo de pedras preciosas, e todas as tinturas coloridas. E eis que se levantou grande iniqüidade, e sendo ímpios, foram desviados, e se tornaram corruptos em todos os seus caminhos. Shemichazah ensinou encantamentos, e o cortar raízes, Hermoni o desfazer encantamentos, Barak’el ensinou os sinais de trovões, Kokav’el as constelações das estrelas, Zik’el os sinais de luz, Ar’tekif os sinais da terra, Shimsh’el os sinais do sol, e Sahri’el os sinais da lua. E eles começaram a revelar estes segredos às suas esposas. E como parte da humanidade estava perecendo na terra, eles pranteavam, e o seu pranto subiu até o céu.” (Sefer Chanoch cap. 8 )

Vemos que aqueles não eram tempos de bonança, mas sim de grande pranto e morte. E, ainda assim, as pessoas rejeitavam ao chamado de Noach. Muito provavelmente, Noach era taxado de maluco, por anunciar ao mundo que o mesmo estava chegando ao seu fim.

Pelo que conhecemos da forma de YHWH agir, ao longo das Escrituras, vemos que Ele sempre envia alertas cada vez mais enfáticos para que a humanidade deixe de lado os caminhos malignos de seus corações, e busque a Ele. Sobre essa época, Yeshua diz exatamente isso:

“Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noach entrou na arca, e não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do homem.” (Matitiyahu/Mateus 24:38-39)

Se atentarmos para as palavras de Yeshua, veremos que estamos vivendo novamente tempos semelhantes aos de Noach. YHWH tem permitido que o mundo consoma a si próprio em sua iniqüidade, e nem assim o ser humano tem atentado para ele.

Nos últimos anos, temos visto catástrofes naturais sem precedentes históricos, alertas em todos os campos da ciência (astronomia, física, geologia, ecologia, sociologia, etc.) de que o mundo não mais suportará caminhar desta forma por muito mais tempo. Temos assistido a um aumento tamanho da violência e da brutalidade que hoje temos assassinos em idade pré-escolar. O amor também tem se esfriado, conforme dizem as Escrituras, a medida em que as pessoas se voltam cada vez mais para cuidarem de suas próprias vidas.

E o que faz o mundo? Casa e dá em casamneto, come e bebe. Cada pessoa prefere viver a sua vida sem ter que se preocupar com sua responsabilidade sobre o todo.

II – Onde está sua confiança?

Estamos começando a viver o fim dos tempos, se hoje não estamos mergulhados em águas, estamos mergulhados em uma crise financeira cujo potencial assustador pode colocá-la como a pior crise dos últimos dois séculos.

Nós como seguidores de Yeshua devemos olhar para os sinais, e aprender a interpretá-los, assim como Yeshua disse à sua geração:

“Mas ele, respondendo, disse-lhes: Quando é chegada a tarde, dizeis: Haverá bom tempo, porque o céu está rubro. E, pela manhã: Hoje haverá tempestade, porque o céu está de um vermelho sombrio. Hipócritas, sabeis discernir a face do céu, e não conheceis os sinais dos tempos?” (Matitiyahu/Mateus 16:2-3)

Muitas pessoas olham para os noticiários e se alarmam, mas não atentam para os sinais. Sinais de YHWH sempre nos querem dizer alguma coisa, nos alertar para algo que precisa ser trabalhado em nós.

Quando as pessoas lêem sobre tais crises e catástrofes nos noticiários, logo pensam em Guilyana (Apocalipse) e nas profecias terríveis que lá são descritas. De fato, nenhum yud ou um traço de tais profecias deixará de se cumprir, pois YHWH o disse. Contudo, há algo mais nos sinais. Algo para o qual devemos atentar.

As pessoas à época de Noach tinham algo de muito semelhante à nossa época: Elas estavam desesperadas. Os nefilim de fato espalharam o terror sobre a face da terra – não só eles, mas todos os que sucumbiram aos ensinamentos malignos das Sentinelas.

Contudo, quando Noach, cujo próprio nome significa “repouso”, anuncia ao mundo que Elohim era a solução para lhes dar descanso de tanta iniquidade, o mundo não lhe dá ouvidos. As pessoas se voltam para os seus reis, seus exércitos, suas fortalezas, enfim, qualquer coisa que lhes desse algum senso de confiança.

Durante milênios as Escrituras têm dito: Maldito o homem que confia no homem. E, no entanto, as pessoas continuam a depositar todas as suas esperanças sobre sistemas que, como está muito evidente nos dias de hoje, não são tão seguros assim.

Durante muito tempo, temos vivido aprendendo a confiar no nosso emprego, na renda de familiares, em bens que detemos, na estabilidade de uma aposentadoria ou de um emprego público, em nossas contas bancárias, em nossos fundos de rendas fixas, nossos imóveis, ou até mesmo na nossa própria capacidade. Sentimo-nos seguros, ou inseguros, puramente diante disso.

De repente, uma crise começa no setor imobiliário do império mais rico do mundo. Justamente uma das fontes mais sólidas. E, a partir daí, desencadeia-se uma crise tão forte, que instituições tidas como sólidas, extremamente lucrativas, com patrimônios na casa dos trilhões de dólares, da noite para o dia viram pó. Algo que chocou até mesmo o analista mais pragmático. E, ironicamente, a principal causa dessa crise é tida por muitos especialistas como uma “crise de confiança.”

Essa é uma crise, segundo muitos eruditos (como o próprio ex-presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, que há poucos dias falava sobre ela) terá o poder de redefinir muitas estruturas no mundo. Uma crise que marcará gerações, e poderá redefinir a ordem mundial.

Mas, afinal de contas, o que é que Elohim está tentando nos ensinar?

A resposta é simples, e ilustrada nas palavras de Yeshua:

“Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Elohim e ao Dinheiro. Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário? Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas? E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura? E, quanto ao vestuário, por que andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam; E eu vos digo que nem mesmo Shlomo, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Pois, se Elohim assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pouca fé? Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos? (Porque todas estas coisas as nações procuram). De certo vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas; Mas, buscai primeiro o reino de Elohim, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Não vos inquieteis, pois, pelo dia amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.” (Matitiyahu/Mateus 6:24-34)


III – O que é confiar

Muitos de nós tomamos as palavras supracitadas de Yeshua como belíssimas, e inspiradoras. Mas poucos se atrevem a colocá-la em prática.

De tal forma está incutida em nós a idolatria ao Dinheiro, que só nos sentimos tranqüilos se temos algo que nos dá estabilidade de renda. Não percebemos que isso é justamente colocar o deus-dinheiro na posição que deveria pertencer a YHWH Elohim!

Não quero, com isso, dizer que devamos desistir de trabalhar, ou de usarmos do suor de nossos rostos para lavrarmos o pão. Mas devemos tomar cuidado com o onde depositar a confiança.

A mensagem da crise é clara: Não adianta deixarmos de confiar em Elohim, pois qualquer coisa a que nos agarremos pode, de uma hora para a outra virar pó.

E se não temos esses recursos financeiros, e nos afligimos, somos igualmente culpados da idolatria social ao deus-dinheiro. Afinal, ou confiamos que nossa vida está nas mãos dEle, ou estamos colocando outro no Seu lugar.

IV – O Sapateiro que Venceu a Crise

Uma história contada pelo rebe Nachman de Bratslav ilustra bem essa questão:

Certa vez havia um rei que gostava, mais do que tudo, de sair sozinho com as roupas de um cidadão comum. Ele gostava de conhecer as pessoas comuns do seu reino – uma forma de aprender o seu estilo de vida, e especialmente a sua forma de pensar sobre o mundo. Certa noite, o rei se encontrava caminhando pela rua mais pobre e mais estreita da cidade. Essa era a rua dos judeus. Ele ouviu um cântico à distância. O rei pensou: “Um cântico entoado neste lugar de pobreza certamente deve ser um lamento!” Mas a medida que ele se aproximava, ele podia ouvir a verdadeira natureza daquele cântico: era um cântico de orgulho! “Bai-yum-dum, bai-yum-bai, yum-bai, bai….”

O rei foi atraído para a fonte daquele cântico: o menor e mais humilde casebre daquela rua. Ele bateu à porta: “Acaso um forasteiro é bem-vindo aqui?”

A voz de dentro disse: “Um forasteiro é um presente de Elohim. Pode entrar!”

Na fraca luz interior, o rei viu um homem sentado sobre uma única mobília, uma caixa de madeira. Quando o rei entrou, o homem se levantou e se sentou no chão, oferecendo ao rei a caixa como assento.

“Bem, meu amigo,” perguntou o rei, “o que fazes para ganhar a vida?”

“Ah, eu sou um sapateiro.”

“Você tem uma loja onde você faz sapatos?”

“Ah, não, eu não tenho dinheiro para ter uma loja. Eu levo a minha caixa de ferramentas – onde você está sentado – para a calçada da rua. Lá eu conserto sapatos para as pessoas quando elas precisam.”

“Você conserta sapatos na calçada da rua? Você consegue ganhar dinheiro suficiente desse jeito?”

O sapateiro falou com um misto de humildade e orgulho. “Todo dia, eu ganho exatamente o dinheiro suficiente para comprar comida para aquele dia.”

“Só o suficiente para um dia? Você não tem medo de que um dia você não consiga ganhar o suficiente, e então você passará fome?”

“Bendito seja Elohim, dia após dia.”

No dia seguinte, o rei estava determinado a testar a filosofia desse homem. Ele proferiu uma proclamação de que qualquer pessoa que desejasse consertar sapatos na calçada da rua deveria adquirir uma licença por cinqüenta moedas de ouro.

Naquela noite, o rei retornou à rua dos judeus. Novamente, ele ouviu um cântico à distância, e pensou: “Desta vez, o sapateiro estará cantando uma melodia diferente.” Mas quando o rei se aproximou da casa, ele ouviu o sapateiro cantando o mesmo cântico. E pior, estava ainda mais longo, com uma nova frase que se sobressaia alegremente: “Ah, ha-ah-ah, ah-hah, ah-hah, ah-yai.”

O rei bateu à porta. “Ah, meu amigo, eu ouvi acerca daquele rei iníquo e da sua proclamação. Eu fiquei muito preocupado com você. Você conseguiu comer hoje?”

“Ah, eu fiquei irado quando soube que não poderia mais ganhar a vida da forma que sempre ganhei. Mas eu sabia que tinha direito de ganhar a vida e que encontraria uma forma. Enquanto eu lá estava dizendo para mim mesmo essas palavras, um grupo de pessoas passou por mim. Quando eu lhes perguntei onde iam, eles me disseram: para a floresta apanhar lenha. Todo dia, eles trazem madeira e vendem como lenha. Quando eu perguntei se poderia me juntar a eles, eles disseram: ‘Existe uma floresta inteira lá fora. Venha conosco!’”

“Então eu apanhei lenha. Ao fim do dia, eu pude vendê-la exatamente pelo dinheiro suficiente para comprar comida para hoje.”

O rei retrucou: “Somente o suficiente para um dia? E quanto a amanhã? E quanto à semana que vem?”

“Bendito seja Elohim, dia após dia.”

No dia seguinte, o rei retornou novamente ao seu trono, e proferiu uma nova proclamação: Qualquer pessoa que fosse pega apanhando lenha na floresta real seria alistada para a guarda real. Para completar, ele proferiu outra: nenhum novo membro da guarda real seria pago por quarenta dias.

Naquela noite, o rei retornou à rua dos judeus. Surpreso, ele ouviu o mesmo cântico! Mas agora, tinha uma terceira parte que era militante e determinada: “Di, di, di, di-di, di-di, dah…”

O rei bateu à porta. “Sapateiro, o que te acontenceu hoje?”

“Eles me fizeram ficar em posição de sentido o dia todo na guarda real! Eles me deram uma espada e uma bainha. Mas eles me disseram que eu não seria pago por quarenta dias!”

“Ah, meu amigo, eu aposto que você agora lamenta não ter guardado algum dinheiro.”

“Bem, deixe-me te contar o que eu fiz. Ao fim do dia, eu olhei para a lâmina de metal. Eu pensei comigo mesmo, isto deve ser valioso! Então eu removi a lâmina do cabo, e fiz uma outra lâmina de madeira. Quando a espada está na bainha, ninguém percebe a diferença. Eu levei a lâmina de metal a um penhorista, e a empenhei por dinheiro suficiente para comprar comida para um dia.”

O rei ficou perplexo. “E se houver uma inspeção de espadas amanhã?”

“Bendito seja Elohim, dia após dia.”

No dia seguinte, o sapateiro foi tirado da fila da guarda do rei. A ele foi apresentado um prisioneiro acorrentado.

“Sapateiro, este homem cometeu um crime horrível. Você deve levá-lo à praça. Usando sua espada, você deve decapitá-lo.”

“Decapitá-lo? Eu sou um judeu observante. Eu não poderia tirar a vida de outro ser humano.”

“Se você não o fizer, mataremos você junto com ele.”

O sapateiro conduiu esse pobre homem, que tremia, até a praça, onde uma multidão estava reunida para assistir à execução.  O sapateiro colocou a cabeça do prisioneiro sobre o lugar de corte. Ele ficou de pé, com sua mão no cabo de sua espada. Voltado para a multidão, ele falou.

“Que Elohim me seja por testemunha: Não sou um assassino! Se este homem for culpado do crime, que minha espada permaneça como sempre. Mas se ele for inocente, que minha espada se transforme em madeira!”

Ele desembainhou sua espada. O povo engasgou quando viu a lâmina de madeira. Eles se curvaram ao ‘grande milagre’ que lá havia acontecido.

O rei, que estivera vendo tudo isso, se aproximou do sapateiro. Ele o tomou por ambas as mãos, e olhou para ele profundamente em seus olhos. “Eu sou o rei. E eu sou o teu amigo que te visitou nestas noites. Quero que você venha viver comigo no palácio e ser meu conselheiro. Por favor me ensine como viver assim – um dia de cada vez.”

Então, na frente de todos, os dois dançaram e cantaram: “Bai-yum-dum, bai-yum-bai, yum-bai, bai….”

V – Buscando o Reino

Você já imaginou o poder transformador que surgiria se nós, israelitas, de fato colocássemos o Reino em primeiro lugar?

Sim, estamos buscando o Reino, mas será que o estamos fazendo em primeiro lugar? Somos capazes de fazer horas extras, longas viagens que nos afastam da família, esforços que muitas vezes até mesmo custam a nossa saúde, ou sacrificam nossos laços familiares, justamente para obter essa confiança na estabilidade econômica, que nada mais é do que confiar nossos destinos ao deus-dinheiro.

O ser humano é dotado de uma força extraordinária. É capaz de se adaptar às condições de vida mais áridas, por meio da força do seu próprio esforço. Você já imaginou se todo esse esforço que nós, enquanto seres humanos, somos capazes de fazer, fosse canalizado para o Reino?

Já pensou que potencial teríamos de mudar o mundo se virássemos noites para darmos mais amor ao próximo, se viajássemos para nos aproximarmos de familiares com quem estamos brigados há muitos anos, se buscássemos cuidar das nossas famílias, e investíssemos nossos principais recursos não na bolsa de valores, mas nos laços que unem nossas famílias, e nossas comunidades?

E se, ao invés de confiarmos em nossos empregos, confiássemos de fato e de coração que todo sustento vem de Elohim? E se fôssemos capazes de entender que o aumento que precisamos para sustentar um filho por vir está em Suas mãos, e não na de nossos chefes? E se a glória que dados a nossos superiores como bajulação política fosse direcionada ao único que é digno de glória, na plenitude de nossos corações?

Quantos sinais de Elohim continuaremos a ignorar? Será que acharemos, arrogantemente, que os sinais são para “o mundo” e não para nós, porque somos israelitas? Acaso Noach não atentou para os sinais a fim de saber quando deveria concluir a arca?

VI – Dentro ou fora da arca: Onde você quer estar?

Gostaria de encerrar essa pequena drashá com as palavras do rabino Tzvi Freeman, que diz:

“Há uma tempestade raivosa no mar. Há ondas infernais que quebram e batem na costa, levando tudo embora, deixando um rastro de desolação.

O mar é o mundo do sustento. As ondas são o stress e a ansiedade da indecisão, não  sabendo para onde se voltar, em que se apoiar. Altos e baixos, calor e frio – constantemente sendo jogados para trás e para frente.

Faça como Noach fez e construa uma arca. Uma arca, no hebraico, é uma teivá – que também significa “uma palavra.” A sua arca devem ser as palavras de meditação e de oração. Entre em sua arca, e deixe que as águas te ergam, ao invés de te afogarem juntamente com o resto.”

Muitos de nós, israelitas, sofremos de uma síndrome de um falso conforto – algo semelhante ao que fazem os que crêem num “arrebatamento pré-tribulacionista” – o que, já vimos anteriormente, não tem qualquer respaldo nas Escrituras. Até quando nós, israelitas, acharemos que o dilúvio não é para nós? Será que entraremos na arca, numa vida na Torá do Reino de Yeshua, a tempo, antes que as águas comecem? A escolha é de cada um de nós.





O SHABBAT NAS ESCRITURAS

15 10 2009

Tem gente que acha que o Shabat é coisa do “velho testamento” e por isso passou, foi anulado, assim como o resto da lei, e não é mais necessário. Mas a verdade é que na Bíblia inteira, de Gênesis (Bereshit) a Apocalipse (Guilyana), é possível encontrar textos que confirmar a instituição do Shabat como mandamento, assim como provas de que o Shabat, assim como toda a Torah, é válida, pois é ordenança perpetua do Eterno, e Elohim não muda e não volta atrás em suas palavras. Sha’ul Bentsion, do grupo de estudos Torah Viva, compilou uma série de versículos que mostram a beleza do Shabat nas Escrituras, conforme segue:

“Se você não profanar o Shabbat e para não fazer o que bem quiser em meu dia santo; se você chamar delícia o Shabbat e honroso o santo dia de YHWH, e se honrá-lo deixando de seguir o seu próprio caminho, de fazer o que bem quiser e de falar futilidades, então você terá em YHWH a sua alegria… ” (Yesha’yahu / Isaías 58:13,14a)


1 – INSTITUÍDO POR YHWH (ELOHIM)

* Gen 2:3

2 – BASES PARA SUA INSTITUIÇÃO

* Gen 2:2,3; Ex 20:11

3 – O SÉTIMO DIA É O SHABBAT

* Ex 20:9-11

4 – FOI FEITO PARA O HOMEM

* Mc 2:27

5 – YHWH ABENÇOOU O SHABBAT

* Gen 2:3; Ex 20:11

6 – YHWH SANTIFICOU O SHABBAT

* Gen 2:3; Ex 31:15

7 – O SHABBAT COMO UM DOS 10 MANDAMENTOS

* Ex 20:11

8 – YHWH ORDENA O SEU CUMPRIMENTO

* Lev 19:3, 30

9 – YHWH ORDENA QUE O SHABBAT SEJA SANTIFICADO

* Ex 20:8

10 – É OBSERVADO COMO LEMBRANÇA DA BONDADE DE HASHEM

* De 5:15

11 – YHWH MOSTRA O SEU FAVOR AO APONTÁ-LO

* Ne 9:14

12 – YHWH MOSTRA CONSIDERAÇÃO E BONDADE AO APONTÁ-LO

* Ex 23:12

13 – É UM SINAL DA ALIANÇA ENTRE YHWH E O SEU POVO

* Ex 31:13, 17

14 – É SOMBRA DO MILÊNIO QUE HÁ DE VIR

* Hb 4:4, 9

15 – YESHUA É O S-NHOR DO SHABBAT

* Mc 2:28

16 – YESHUA OBSERVAVA O SHABBAT

* Lc 4:16

17 – YESHUA ENSINAVA A PALAVRA DO ETERNO NO SHABBAT

* Lc 4:31; 6:6

18 – SERVOS E ANIMAIS DEVEM TAMBÉM SEREM PERMITIDOS DE DESCANSAR NO

SHABBAT

* Ex 20:10; Dt 5:14

19 – NENHUM TIPO DE TRABALHO DEVE SER FEITO NO SHABBAT

* Ex 20:10; Lev 23:3

20 – NÃO SE DEVE FAZER COMÉRCIO NO SHABBAT

* Ne 10:31; 13:15-17

21 – NÃO SE DEVE CARREGAR PESO NO SHABBAT

* Ne 13:19; Jer 17:21-23

22 – DEVE HAVER ADORAÇÃO A YHWH NO SHABBAT

* Eze 46:3; At 16:13

23 – AS ESCRITURAS SÃO LINDAS NO SHABBAT

* At 13:27; 15:21

24 – A PALAVRA DE ELOHIM É PREGADA NO SHABBAT

* At 13:14,15,44; 17:2; 18:4 (Gregos = Pagãos)

25 – TRABALHOS RELIGIOSOS SÃO PERMITIDOS NO SHABBAT

* Nu 28:9; Mt 12:5; Jo 7:23

26 – TRABALHOS DE BONDADE E MISERICÓRDIA SÃO PERMITIDOS NO SHABBAT

* Mt 12:12; Jo 9:14

27 – SUPRIR NECESSIDADES FÍSICAS É PERMITIDO NO SHABBAT

* Mt 12:1; Lc 13:15; 14:1

28 – O SHABBAT É CHAMADO DE SHABBAT DE YHWH

* Ex 20:10; Lev 23:3; De 5:14

29 – O SHABBAT É CHAMADO DE SHABBAT DE DESCANSO

* Ex 31:15

30 – O SHABBAT É CHAMADO DE DESCANSO SAGRADO

* Ex 16:23

31 – O SHABBAT É SHAMADO DE SANTO DIA DO S-NHOR

* Isa 58:13

32 – O SHABBAT É CHAMADO DE DIA De YHWH

* Ap 1:10

33 – OS ESCOLHIDOS DE ELOHIM OBSERVAM O SHABBAT

* Ne 13:22

34 – OS ESCOLHIDOS HONRAM A ELOHIM AO OBSERVAR O SHABBAT

* Isa 58:13

35 – OS ESCOLHIDOS SE ALEGRAM NO SHABBAT

* Sl 118:24; Isa 58:13

36 – OS ESCOLHIDOS TESTIFICAM CONTRA AQUELES QUE PROFANAM O SHABBAT

* Ne 13:15-18,20,21; Jer 17:27

37 – A OBSERVÂNCIA DO SHABBAT É PERPÉTUA

* Ex 31:16,17; Mt 5:17,18

38 – SOMOS ABENÇOADOS SE HONRAMOS O SHABBAT

* Isa 58:13,14

39 – SOMOS ABENÇOADOS SE GUARDAMOS O SHABBAT

* Isa 56:2,6

40 – OS ÍMPIOS PROFANAM O SHABBAT

* Isa 56:2; Eze 20:13,16 ;Ne 13:17; Eze 22:8

41 – OS ÍMPIOS ACHAM O SHABBAT UM FARDO

* Amo 8:5

42 – OS ÍMPIOS ESCONDEM OS SEUS OLHOS DO SHABBAT

* Eze 22:26

43 – OS ÍMPIOS FAZEM O QUE BEM ENTENDEM NO SHABBAT

* Isa 58:13

44 – OS ÍMPIOS CARREGAM FARDO NO SHABBAT

* Ne 13:15

45 – OS ÍMPIOS TRABALHAM NO SHABBAT

* Ne 13:15

46 – OS ÍMPIOS FAZEM COMÉRCIO NO SHABBAT

* Ne 10:31; 13:15,16

47 – OS ÍMPIOS GUARDAM O SHABBAT PELO MOTIVO ERRADO

* Lc 13:14; Jo 9:16

48 – O EXEMPLO DE MOSHE RABEINU (MOISÉS, NOSSO PROFESSSOR)

* Nu 15:32-34

49 – O EXEMPLO DE NEHEMIAH

* Ne 13:15,21

50 – O EXEMPLO DAS MULHERES QUE SEGUIAM A YESHUA

* Lc 23:56

51 – O EXEMPLO DO RAV. SHA’UL (PAULO)

* At 13:14

52 – O EXEMPLO DOS DISCÍPULOS

* At 16:13

53 – O EXEMPLO DE YOCHANAN (JOÃO)

* Ap 1:10

54 – EXEMPLOS DE PROFANAÇÃO DO SHABBAT

* Ex 16:27; Nu 15:32; Ne 13:16; Jer 17:21-23





Coisa de Judeu

22 09 2009

Uriah Smith (Por volta do ano 1800)

Traduzido por Shlomo Ben Yisra’el

(algumas palavras foram modificadas sem alterar o contexto ou o significado)

Quando apresentam a santa Lei de Elohim,

E argumentos da validade das Escrituras,

Alguns contestam, procuram uma falha,

‘É coisa de judeu’.


Apesar de a primeira benção do Altíssimo,

E a santificação de Seu dia de descanso,

Permanecem com a mesma opinião,

‘É coisa de judeu’.


Apesar deste descanso existir deste o inicio do mundo,

E estar presente por toda as Escrituras,

Sendo que o próprio Yeshua disse “foi criado para o homem”

‘É coisa de judeu’.


Apesar de não ser apenas uma cerimônia judaica,

Sobre a qual dizem ‘já passou’,

Mas com as Leis morais foi classificado,

Sendo que por todo o tempo estas devem existir,

‘É coisa de judeu’.


Mesmo que mostremos na Bíblia,

O significado e intenção do Shabat,

Responderão a cada argumento,

‘É coisa de judeu.’


Mesmo que os discípulos, Lucas e Paulo,

Tenham chamando este descanso

‘O dia de sábado’, responderão:

‘É coisa de judeu.’


As boas novas ensinadas são claras,

‘Pecado é a transgressão da Lei’,

Porém isso não os impressiona,

‘É coisa de judeu.’


Amam o descanso inventado pelo homem,

Mas se mencionamos o Dia Do S-nhor,

Provocaremos grande discussão:

‘É coisa de judeu.’


E assim abusam do Dia de Elohim,

Simplesmente porque foi deixado por judeus,

O Salvador então, você também devem recusar,

‘Ele é judeu’.


As Escrituras então, podemos esperar,

Que pela mesma razão vai recusar;

Pois caso não se lembre,

‘São judaicas’.


Assim também, os apóstolos devem ser abandonados,

Pois André, Pedro, Judas e Paulo,

Tomé, Mateus, João e todos os demais

‘Eram judeus’.


Até que, sem respostas desistirá

E você mesmo, infelizmente, desejará;

A Salvação, certamente recusar,

‘É coisa de judeu.’





Franjas nas roupas? Isso realmente está Bíblia?

19 09 2009

Desde quando comecei a usar os tsitsiot (franjas colocadas nos cantos da roupa) é inevitável ouvir perguntas como: O que é isso pendurado na sua roupa? Por que você usa essas franjas amarradas na roupa? Franjas nas roupas? Isso realmente está na Bíblia?

A verdade é que há muito mais coisa na Bíblia do que as pessoas acham que sabem. Quando falamos de mandamentos da Bíblia, é normal as pessoas logo pensarem nos 10 mandamentos, mas existem muito mais que apenas 10 mandamentos. Podemos dizer que existem no mínimo 613. No mínimo, porque existem mais, mas acho que ainda ninguém se prontificou a contar, então ficamos com o número do judaísmo ortodoxo mesmo.

Alguns destes mandamentos desconhecidos pela grande maioria das pessoas diz respeito a certos lembretes que o Eterno ordenou que fossem usados em nossas vestes e casas.

Tsitsit

O primeiro, e que motivou a redação deste texto, é o tsitstit. Rabi Shimon bar Yochai diz, no Talmud:

“Quando o homem levanta de manhã e coloca os tefilin e tsitsit, a Shechiná (Presença Divina)  paira sobre ele e proclama: ‘Tu és Meu servo,  Israel, através do qual Serei Glorificado.’”

É muito comum quando pensamos no estereótipo do judeu lembrarmos de um manto sobre sua cabeça e costas. Este manto é que se chama Talit, conhecido como o manto de orações. De acordo com a tradição judaica, no Monte Sinai, tido como o Grande Casamento entre Elohim e o povo de Israel, estes tiveram uma visão de Elohim envolto em um Talit. O Talit tem como objetivo ser uma espécie de “lembrete” visível do dever de observar fielmente todos os mandamentos bíblicos. O Talit é composto de um xale e em suas pontas estão os tsitsiot, franjas que são usadas diariamente nas roupas dos homens israelistas, conforme ordenado na Bíblia:

“Que façam para eles tsitsit (franjas) sobre as bordas das suas vestes, pelas suas gerações e porão sobre os tsitsit da borda um cordão azul celeste. E será para vós por tsitsit e vereis e lembrareis todos os mandamentos de Elohim e os cumprireis e não errareis indo atrás do vosso coração e atrás dos vossos olhos, atrás dos quais vós andais errando; para que vos lembreis e cumprais todos os Meus mandamento e sejais santos para com vosso Elohim”. (Números (Bamidbar) 15:38-41)

Pois ai está, com todas as letras, o mandamento de se colocar o tsitsit sobre a roupa. O tsitsit é um mandamento que deve ser cumprido diariamente e, de acordo com os Chabad, é bom até mesmo ao dormir utilizar o tsitsit, pois assim ao amanhecer você já estará automaticamente cumprindo o mandamento. Não posso negar que isso faz sentido.

Os tsitsit devem ser colocados em qualquer vestimenta que cubra o corpo

e que tenha 4 pontas (bordas) — duas na frente e duas atrás. Sendo assim, pode ser usado com um talit katan, uma espécie de regata toda aberta dos lado, ou mesmo com uma camiseta aberta dos lados.

Um tsitsit kasher pode ser comprado na loja virtual Teshuvá, mas qualquer um que tenha um coração sincero e com desejo de observar o mandamento pode fazer seu próprio tsitsit, basta seguir as instruções deste guia , é fácil fácil de fazer. Há também o guia de como se fazer o Talit, tanto o Gadol (o manto de oração), como o Katan.

Tefilin

“Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por frontais entre os teus olhos.” (Shemot/Êxodo 6:8)


Tefilin (que significa prece) é o nome dado a duas caixinhas de couro, cada qual presa a uma tira de couro de animal kasher, dentro das quais está contido um pergaminho com os quatro trechos da Torah em que se baseia seu uso: O Sh’ma Israel, Vehaia Im Shamoa, Cadêsh Li e Vehayá Ki Yeviachá).

É conhecido em português como filactério, vindo do termo grego fylaktérion, que significa basicamente “posto avançado”, “fortificação” ou “proteção”, o que explica a infeliz utilização destes objetos como proteção ou amuleto por algumas pessoas.

Explicações detalhadas sobre o uso do tefilin e seu significado podem ser encontradas no livro eletrônico O Sinal da Aliança, por Sha’ul Bentsion Ben David.


Mezuzá

Mezuzá significa umbral. Consiste em um pequeno rolo de pergaminho (klaf) que contém duas passagens bíblicas, manuscritas, Sh’ma e Vehaiah. A mezuzá que deve ser afixada no umbral direito da porta de cada dependência de um lar ou estabelecimento judaico, obedece ao seguinte mandamento da Torá: “Escreve-las-ás nos umbrais de tua casa, e em teus portões”. (Deuteronômia VI:9, XI:20)

Ao passar pela Mezuzá temos por costume toca-lá e levar a mão ao peito e beija-lá, simbolizando nosso amor à Torah e nosso desejo de que ela esteja em nossa boca e em nosso coração.






SUBTRAÇÃO NOS 10 MANDAMENTOS

16 09 2009

Por Shlomo Bem Yisra’el

Todo mundo conhece os 10 mandamentos, certo? Errado. Pra começar, quais são os famosos 10 mandamentos (lembrando que a Torah possui muito mais que 10 mandamentos dados pelo Eterno):

Eu sou YHWH, teu Elohim, que te fiz sair da terra do Egito, da casa dos escravos. Não terás outros deuses em desafio a Mim. Não farás imagem esculpida, referindo-se a ídolos, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não adorá-las-á, nem prestar-lhes-á culto, por que eu, YHWH, teu Elohim, sou Elohim zeloso, e que puno o erro dos pais nos filhos até sobre a terceira geração e sobre a quarta geração dos que me odeiam, mas que uso de benevolência para com até a milésima geração dos que me amam e que guardam os meus mandamentos. Não tomarás o nome de YHWH, teu Elohim, em vão, pois YHWH não considera impune aquele que tomar seu nome em vão. Lembra-te do dia do Shabat, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás todo o teu trabalho; mas o sétimo dia é o Shabat de YHWH, teu Elohim. Nesse dia não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o estrangeiro que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez YHWH o céu e a terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou; por isso YHWH abençoou o dia do Shabat, e o santificou. Honra a teu pai e a tua mãe, a fim de que os teus dias se prolonguem sobre o solo que YHWH, teu Elohim, te dá. Não assassinarás. Não cometerás adultério. Não furtarás. Não levantarás falso testemunho contra teu próximo. Não cobiçarás a casa do teu próximo, nem a mulher do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu touro, nem seu jumento, nem qualquer coisa que pertença ao teu próximo. Êxodo 20:2-17

Resumindo, os 10 mandamentos são:

  1. Eu sou YHWH, teu Elohim.
  2. Não terás outros deuses além de Mim e não farás para ti nenhum ídolo.
  3. Não tomarás o nome de YHWH, teu Elohim, em vão.
  4. Lembra-te do dia do Shabat, para o santificar.
  5. Honra a teu pai e a tua mãe.
  6. Não assassinarás.
  7. Não cometerás adultério.
  8. Não furtarás.
  9. Não levantarás falso testemunho contra teu próximo.
  10. Não cobiçarás.

A divisão dos mandamentos varia um pouco em algumas religiões, o problema é que além disso, também alteram o conteúdo, contrariando a proibição da Torah que sejam feitos acréscimos ou subtrações.

“Não acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos de YHWH vosso Elohim, que eu vos mando.” (Devarim/Deuteronômio 4:2)

No Concílio de Laodicéia, foi realizada a mudança do dia do Shabat do Eterno para o domingo, mudança essa que foi seguida pelas outras igrejas protestantes. Porém a Bíblia, e estou falando de qualquer Bíblia, seja judaica, evangélica ou católica, deixa claro que o 4º mandamento diz respeito ao sábado, o Shabat. É engraçado que defendem o cumprimento dos demais mandamentos, pregam o dízimo, que nem faz parte dos 10 mandamentos, mas não guardam o Shabat. Pior, criticam os que guardam.

Algumas pessoas tentam nos convencer que o Shabat foi dado aos filhos de Israel e que os gentios não precisam cumpri-lo, que é coisa de judeu e adventista. Engraçado, o dízimo também foi ordenado aos filhos de Israel, não é mesmo?

Sem querer entrar na questão sobre as duas casas, a Torah é clara quando diz que os mandamentos dados pelo Eterno são válidos para todos os que desejam seguir o Eterno: “Uma mesma Torah haja para o natural e para o estrangeiro que peregrinar entre vós.” (Ex. 12:49)

E Isaias 56:6-7 ainda é mais claro sobre esta questão do Shabat:

“E aos filhos dos estrangeiros, que se unirem a YHWH, para o servirem, e para amarem o nome de YHWH, e para serem seus servos, todos os que guardarem o Shabat, não o profanando, e os que abraçarem a minha aliança, também os levarei ao meu santo monte, e os alegrarei na minha casa de oração; os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceitos no meu altar; porque a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos.” (Is. 56:6-7)

A Bíblia é clara, então porque o homem deliberadamente resolveu ignorá-la, aproveitando apenas o que é conveniente. Pregam o dízimo, inventam dogmas e doutrinas, mas rejeitam toda a Torah do Eterno como Ele a deu. Isso é rebeldia, pois como diz Sha’ul BenTsion: O problema é que o povo não conhece as Escrituras. Aliás, parece que a medida que o tempo passa, mais gente crê na Bíblia, mas menos gente lê a Bíblia. Mas será que o mesmo pode ser dito acerca daqueles que lideram o povo? Ou será que simplesmente não desejam sair de sua zona de conforto?





Por trás do véu

18 08 2009

Por Dov Greenberg (fonte: http://www.chabad.org.br)

Sócrates, o grande filósofo grego, disse certa vez a um discípulo: “Meu conselho a você é que se case. Se encontrar uma boa esposa, será feliz; caso contrário, se tornará um filósofo.”

De fato, atualmente, temos muitos filósofos. Em nosso tempo, tem havido um aumento sem precedentes de relacionamentos rompidos. Nos Estados Unidos, estima-se que um em cada dois casamentos termina em divórcio. Famílias com apenas um dos pais dobraram nos últimos 20 anos. Apenas uma criança em duas terá pais que estavam casados quando ela nasceu e que permaneceram juntos até a criança crescer.1

Uma palestrante disse-me que durante anos ela tinha ido a escolas ensinar religião às crianças, e sobre “Elohim nosso Pai”. Agora ela não pode fazer mais isso, porque muitas das crianças não entendem a palavra. Não a palavra Elohim, mas a palavra “pai”.

Como um meteorito entrando no campo gravitacional da terra, o casamento e a família estão se desintegrando. O pior que podemos fazer agora seria entrar num debate sobre quem é culpado: indivíduo ou sociedade, afluência ou secularização. O que precisamos é imaginação, não recriminação; otimismo, não pessimismo. É aqui que a tradição mística judaica tem algo lindo e vital a dizer.

No capítulo inicial da Bíblia hebraica, onde se desenrola a história da Criação, a mística apresenta uma fascinante questão: Como, se Elohim existe, o universo pode simultaneamente existir? Elohim é infinito, Elohim está em toda parte. Portanto, em qualquer lugar, existe tanto o finito como o infinito. Porém certamente o infinito supera tudo que seja finito. Simplesmente não há espaço para a matéria física se todo lugar está preenchido com a presença infinita de Elohim. Como, então, existe um universo?

A resposta dos místicos é obrigatória. Para criar espaço para o universo, Elohim, por assim dizer, iniciou um processo chamado “tzimtzum”, auto-contração ou retirada, criando um vácuo esférico 211; o espaço necessário para o mundo existir. Ao retirar Sua luz infinita, um mundo autônomo, independente, distinto de Elohim, pode emergir.2

A conclusão? O universo é o espaço que o Autor do Ser cria para a humanidade por meio de um ato de retirada. Nenhum único ato indica mais profundamente o amor e a generosidade implícitos na Criação.3

Num estonteante paralelo, o mesmo se aplica aos relacionamentos humanos4.

No início da vida, não há consideração pelo outro. Um bebê recém-nascido não distingue entre si mesmo e o resto do universo. Conhece e se preocupa apenas com suas próprias necessidade. Ao chorar, está dizendo: “Quero Mamãe, quero ser alimentado, quero colo, quero que brinquem comigo, e se isso não for feito agora, vou arruinar sua vida.” Não há espaço para um outro. À medida que as crianças crescem e amadurecem, começam a sentir o outro como uma entidade separada. Começam a ter relacionamentos; começam a se importar com o outro. Este processo é essencial para um desenvolvimento sadio.

Como adultos, sabemos que para amar realmente, precisamos nos retirar de nosso “centro” (ego) e criar espaço para uma outra pessoa em nossa vida. Um relacionamento não é baseado em controle. Quando um parceiro domina o outro, exigindo que ele ou ela se conforme e suprima sua personalidade, a possibilidade de um relacionamento é extinta. O amor genuíno não apenas respeita a individualidade do outro, como também procura cultivá-la. Amor, como o ato da criação, é a coragem de criar espaço para a presença do outro. Quando o homem se afasta de si mesmo, atingindo o coração e a alma de outro ser humano, ele imita Elohim, que escolhe suspender-Se para dar espaço ao outro. Stephen Hawking estava errado em seu livro Uma Breve História do Tempo. Não é por meio da Física teórica que abordaremos a compreensão da “mente de Elohim”. É dando espaço a outra pessoa dentro de si mesmo.

Um rapaz e uma moça saíram para um encontro. Durante duas horas, ele falou sobre si mesmo, suas conquistas, sucessos e idéias. Então virou-se para ela e disse: “Chega de falar a meu respeito. Agora diga-me, o que você acha de mim?”

Existem duas palavras simples que ilustram essa noção mística de tzimtzum, contração. As palavras solo e alma. Representam dois opostos perfeitos: o material e o espiritual. A palavra “solo” representa o material. A palavra “alma” representa o espiritual. Quando a pessoa pensa apenas sobre “solo”, não cria espaço para outra pessoa. Mas quando pensa sobre “alma”, abre espaço para outra pessoa em sua vida. Está pronta para viver e amar com mais profundidade.

Esta idéia de tzimtzum se expressa na linda cerimônia judaica de casamento, conhecida como “bedeken”, ou velar. Antes da cerimônia da chupá, o noivo é escoltado até a sala onde a noiva está esperando, e cobre a face dela com um véu. Este costume tradicionalmente comemora o evento bíblico que ocorreu durante a cerimônia de casamento de Yaacov. A Torá relata que Yaacov viajou à casa de Laban. Ao chegar, encontrou a filha mais nova de Laban, Rachel, e se apaixonou por ela. Laban propõe um acordo: trabalhe sete anos para mim e eu a darei a você em casamento. Yaacov faz isso, mas na noite do casamento Laban substitui Rachel por Leah. Como a noiva estava velada, ele não percebeu que estava se casando com a moça errada. Yaacov descobriu o engano somente quando era tarde demais. Por fim, Yaacov aceitou seu destino e continuou com Leah. Mais tarde, porém, ele também desposou Rachel, a noiva que tinha escolhido.

A pergunta que surge é: se o velar nos lembra Yaacov e Leah, o costume não deveria ser o noivo descobrir o rosto da noiva para certificar-se de que está casando com a moça que escolheu?

A resposta é profunda e tocante. Leah e Rachel não são meramente duas irmãs morando na Mesopotâmia na primeira fase da Idade do Bronze. Elas também simbolizam duas dimensões de toda personalidade humana. Cada um de nós possui uma “Rachel” interior, bem como uma “Leah” interior.5

Rachel, a mulher linda, simboliza as características atraentes, charmosas e belas existentes em nosso cônjuge e em nós mesmos. O nome Rachel em hebraico significa “ovelha”, conhecida por sua cor branca e sua natureza amável e serena.6

Leah, um nome que literalmente significa cansaço ou exaustão,7 representa aqueles elementos em nós e em nosso cônjuge que são mais desafiadores. Leah, a irmã de “olho fraco”, era mais facilmente dada às lágrimas.8 Ela era emocionalmente vulnerável. Leah, enfraquecida pelas lágrimas e pela ansiedade, representa nosso conflito com a insegurança e com a tensão psicológica e espiritual.

Poucas pessoas podem ser definidas como “Rachel” ou “Leah”, exclusivamente. A maioria possui os dois componentes. Somos uma mistura de serenidade e tensão. Temos instintos compassivos mas devemos lutar contra instintos egoístas também. Temos luz, mas devemos lidar também com a sombra. Ambas são partes genuínas de nossa personalidade multi-dimensional. Rachel é a luz; Leah é a luta contra a escuridão.

Portanto, o drama que ocorreu no casamento de Yaacov, o Patriarca da nação judaica, acontece em todo casamento. Antes de se casar, você pensa que está desposando Rachel – a linda, inteligente, bondosa, sensível…a mulher dos seus sonhos. Na realidade, você vai descobrir que terminou com Leah, uma pessoa que também está em conflitos com tensão não resolvida.

Naturalmente, você ama Rachel, e rejeita Leah. Porém à medida que a vida passa você começa a descobrir que é exatamente a dimensão Leah de sua esposa que desafia você a transcender o seu ego e tornar-se a pessoa que é capaz de ser. Porque são as próprias falhas e imperfeições de seu cônjuge que permitem que você cresça em algo maior que si mesmo.

Este, então, é o segredo por trás do ato de velar a noiva. Quando o noivo vela sua noiva, está dizendo: “Eu amarei, prezarei e respeitarei não apenas o ‘você’ que se revela a mim, mas também aqueles elementos de sua personalidade que estão ocultos para mim. E quando me uno a você em casamento, comprometo-me a criar um tzimtzum, um espaço dentro de mim para a totalidade do seu ser – para toda você, para sempre.”

Isso, se realmente o fizermos, é o significado de Tzimtzum e tem o poder de banhar o alquebrado mundo atual na luz e espaço para a Divina Presença.


Notas:
1 – Números extraídos de “Family Change and Future Policy”, de Kathleen Kiernan e Malcolm Wicks.

2 – Início de Eitz Chaim (Heichal Adam Kadmon, 1:2; Shaar HaHakdamot) e Mevo Shaarim, obras cabalistas de Rabi Isaac Luria (conhecido como o Arizal), transcritas pelo seu aluno Rabi Chaim Vital, Cf, Licutê Torá por Rabi Shneur Zalman de Liadi, adendo a vayicrá 51b-54d.

3 – Tanya, cap. 49.

4 – Veja Tanya ibid., citando uma declaração talmúdica (Bava Metziah 84a) sobre casamento: “O Amor Contrata a Carne”. Eis como Rabi Shneur Zalman declara a idéia: Veja também Homem de Fé no Mundo Moderno, pág. 157, por Rabi Joseph B. Soloveitchik.

5 – Bereshit cap. 29:16:31).

6 – Ouvi isso pela primeira vez durante minha cerimônia de casamento do meu amigo Rabi Joseph Y. Jacobson. Veja também Luz Infinita (por Rabi David Aaron), págs. 37-38.

6 – Veja Licutê Torá por Rabi Shneur Zalman de Liadi (1745-1812) Parashá Emor pág. 38d. Veja também Yonas Alem por Rabi Menachem Azaryah de Fano (1548-1620) cap. 5, explicado em Licutê Sichot vol. 30 pág. 186.

7 – Mei Hashluach Parashá Vayetsê. Também Maamarei Admur HaZakan 5565 vols. 1 e 2.





Quanto à permissividade de se comer qualquer coisa

19 07 2009

Por Shlomo Ben Yisra’el

Quando falamos a respeito da nossa condição de vida kasher, as pessoas logo tentar encontrar desculpas e contestações para não cumprir as orientações da Torah quanto ao que se pode e o que não pode comer. Tentam utilizar textos fora de contexto como pretexto para dizer que nós estamos errados por cumprir os mandamentos do Eterno. Quero aqui fazer um singelo comentário acerca de um dos textos usados por algumas pessoas, muitas das vezes por falta de entendimento correto, é a passagem de Atos 10, sobre o lençol com animais, quando o Eterno ordena a Kefah que matasse e comesse daqueles animais. As pessoas que tentam usar este texto para negar os mandamentos acerca do kashrut, ainda repetem todos cheios: Não chames tu comum ao que Elohim purificou.

Mas o que será que há por trás desta passagem. Na verdade ela é muito mais simples de ser entendida do que parece, mas para isso é necessário ler todo o texto para que possamos entender o contexto. Pegue sua Bíblia e leia do versículo 1 ao 38 do capítulo 10 de Atos.

Algumas considerações que podemos fazer a partir da leitura do texto:

1          O texto começa contando a história de Cornélio de Cesaréia, um centurião romano, piedoso e temente a Elohim, assim como toda sua família. Um homem bom que agradava ao Eterno, não importando o fato dele não ser judeu, ou seja, ele era um goym, um estrangeiro, o que hoje chama de gentio. Este é o ponto mais importante para compreensão correta deste texto, Cornélio não era judeu.

2          Logo depois vemos o Eterno se revelando a Cornélio através de um anjo que garante que Elohim está se agradando da dedicação de Cornélio. O anjo pede para que Cornélio mande chamar Shimon Kefah para que este o oriente como proceder nos caminhos dEle.

3          Depois de ponto, a história se volta para Kefah, que enquanto orava teve fome e então temos a famosa visão do lençol. O que havia no lençol? Todos os quadrúpedes e répteis da terra e aves do céu. Pela resposta de Kefah podemos entender que haviam animais impuros, ou seja, aqueles que o Eterno determinou que não fossem comido. Neste ponto temos mais uma consideração interessante:

3.1        Kefah diz que NUNCA comeu nada comum ou imundo, ou seja, enquanto andou com Yeshua e mesmo depois ele, assim como todos os discípulos, continuaram a seguir os preceitos do Eterno.

4          A voz que Kefah ouvia dizia para não chamar de comum o que Elohim purificou. Muitos entendem que isso significa que o Eterno purificou os animais antes considerados imundos, mas será que é isso mesmo que a visão significa?

5          Vemos que a visão termina sem que Kefah tenha comido nada. Ele ficou perplexo, refletindo, tentando entender a visão, até que os homens de Cornélio chegaram perguntando por ele.

6          Então a Ruach avisa Kefah sobre os homens, dizendo para que ele não duvidasse pois tinham sido enviados pelo Eterno. Mas, porque Kefah duvidaria? Pelo fato de Cornélio ser goym, como já dissemos no começo. Para os judeus da época, os não-judeus eram considerados impuros e não merecedores da Torah e da vida com o Eterno.

6.1        É exatamente isso que Kefah explica no versículo 28, quando finalmente explica o significado da visão do lençol, quando podemos ver que nada tem a ver com animais e alimentação.

Vós bem sabeis que não é lícito a um yehudi ajuntar−se ou chegar−se a estrangeiros; mas Elohim mostrou−me que a nenhum homem devo chamar comum ou imundo; pelo que, sendo chamado, vim sem objeção. Pergunto pois: Por que razão mandastes chamar−me?


7          Podemos ver que o próprio Kefah explica a visão, mas as pessoas que tentam usar o texto da visão para provar que de tudo se pode comer esquecem de continuar lendo e não encontram o real significado.

Versículo 34:  Então Kefah, tomando a palavra, disse: Na verdade reconheço que Elohim não faz acepção de pessoas; 35 mas que lhe é aceitável aquele que, em qualquer nação, o teme e pratica o que é justo. 36 A palavra que ele enviou aos filhos de Israel, anunciando a paz por Yeshua HaMashiach (este é ADONAI sobre todos) − 37 esta palavra, vós bem sabeis, foi proclamada por toda Yehudah, começando por Galil, depois do mikveh que Yochanan pregou 38 concernente a Yeshua de Natzeret; como Elohim o ungiu com a Ruach HaKodesh e com poder; o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos de HaSatan, porque Elohim era com ele.

Podemos concluir então que a visão se referia aos não-judeus, que não deveriam ser considerados impuros, pois o Eterno os purifica. Nada tem a ver com alimentação. É importante entender que o Eterno pode usar de visões e ilustrações para que seus servos e profetas entendam o que quer dizer. São métodos didáticos usados pelo Eterno, que se aplicam a determinada situação e não querem dizer que se tornarão uma regra ou mandamento. Como exemplo disso, podemos citar outras duas situações onde o Eterno usa de métodos incomuns para falar algo, mas que não poderia ser entendidos como regra ou mandamento:

  • O profeta Isaías andou 3 anos nu e descalço. Será que isso significa que devemos sair por ai pregando a palavra do Eterno pelados? Quem nos ouviria? Seria a vontade do Eterno?

“Então, disse o Eterno: Assim como Isaías, meu servo, andou três anos despido e descalço, por sinal e prodígio contra o Egito e contra a Etiópia, 4 assim o rei da Assíria levará os presos do Egito e os exilados da Etiópia, tanto moços como velhos, despidos e descalços e com as nádegas descobertas, para vergonha do Egito”.(Isaías 20.3-4)

  • O profeta Oséias se casou com Gomer, uma prostituta, conforme ordenado pelo Eterno. Será que isso significa que o Eterno se tornou a favor da prostituição? Ou seria esta apenas uma forma de demonstrar de maneira mais prática a prostituição do povo do Eterno e suas conseqüências?

Enfim, é importante separar o que é mandamento perpétuo do Eterno daquilo que é sua metodologia peculiar de tratar com determinadas situações. Se o Eterno vier a você e disser que deve sair pregando dançando tango no metro, não significa que todo mundo deverá fazer isso, nem que o tango se tornou um mandamento.





Cashrut: O nefasto corante carmim…

13 06 2009

Fonte: Sha’ul (Torah Viva)

De fato, o ser humano é inescusável perante YHWH no que diz respeito à saúde.

Para nós que temos uma alimentação bíblica, talvez poucas coisas sejam tanta fonte de aborrecimento quanto o corante carmim/cochonilha, quando vamos ao supermercado. Presente em diversos doces, biscoitos, sucos, cereais e laticínios, esse corante – feito, literalmente, de insetos esmagados, é quase onipresente. Tudo graças ao fato de que ele é classificado como “natural”.

Bem, saiu no terra uma reportagem sobre o corante carmim. Parece que está associado, entre outras coisas, a câncer na tireóide, problemas cardíacos e alergias respiratórias. Vale à pena ler:

http://vilamulher.terra.com.br/qualidade-de-vida/materia/nutricao/174-aditivos-alimentares.html

A propósito, para aqueles que têm filhos pequenos, fica uma dica: A Batavo tem alguns sabores de iogurte tipo “danoninho” que não contêm o corante. Há um tipo cuja a embalagem já diz ser sem corantes, mas cuidado para não confundir com “sem corantes artificiais” – esses costumam ter carmim. O outro tipo é o de pêra e uva, que também não apresenta carmim/cochonilha.

Todavia, como essas empresas frequentemente mudam a fórmula de seus produtos, é sempre bom conferir quando for às compras.

Os corantes da família carmim (que contêm os tais insetos esmagados) são:

Vermelho 3 e 4.
INS 120, E 120.
Carmim
Cochonilha
Carmim de Cochonilha
Ácido Carmínico
Roxo lago

O corante vermelho 40 é artificial, e portanto sem problema de consumo.

Lembrando que nem só alimentos avermelhados possuem carmim. Existe, inclusive, a cochonilha amarela.